sexta-feira, 10 de julho de 2009

Folclore: Zaar

O Zaar, mais do que um estilo, é uma expressão religiosa, um ritual. O ritmo - Ayoub - usado para promover o transe desta dança, também pode ser conferido em rituais afrorreligiosos, como o candomblé, e serve para afastar maus espíritos.

O ritual Zaar é feito exclusivamente por mulheres, os homens - músicos ou ajudantes nos sacrifícios - participam para entoar o ritmo Ayoub, enquanto elas movimentam a cabeça, jogando os cabelos, até entrar em transe e cair no chão, e assim se libertar dos espíritos ruins. Por rechaçar tais espíritos causadores de males, o Zaar é considerado uma dança de cura através da conciliação dos espíritos em seu corpo. Logo, o Zaar não é um exorcismo, pois os espíritos não deixam as mulheres que dançam, apenas se "acomodam".

Existe todo um aparato para a realização deste ritual, como a roupa branca e o perfume da mulher que entrará em transe (o perfume como oferenda), e até sacrifício de animais (desde galinhas até camelos, se a mulher for rica) para ser consumido pelos participantes. Dessa forma, o Zaar, como ritual, é algo bem diferente daquele praticado para a dança do ventre, pois carrega uma simbologia e uma religiosidade fortíssima, que não deve ser menosprezada. Por causa dessa forte ligação com a magia, o ritual Zaar é proibido nos países islâmicos, o que não impede a sua realização em meios privados, uma vez que é uma tradição familiar (passada de mãe para filha), e que muitos acreditam ser necessária para a cura de enfermidades.

Na dança do ventre, o estilo Zaar aparece na utilização dos passos usados para as mulheres entrarem em transe. Neste caso não há teor religioso, apenas se marca o ritmo Ayoub com o estilo Zaar, sem a intenção ritualística: a dançarina joga a cabeça pros lados e a gira, podendo também usar movimentos pélvicos e de braços.

Aqui abaixo fica o exemplo de Zaar como estilo da dança do ventre... É assustador!!

6 comentários:

Hanna Aisha disse...

Adoro Zaar!!! Gostei do vídeo, a mulher mandou bem, que coluna é essa!!!!!!
Celia, pequeníssima correção: o Zaar não é modalidade de DV, mas uma dança folclórica.
Posso copiar seu texto pra colocar no meu multiply e blog? Claro que colocarei o crédito!

Celia Daniele disse...

Pode sim... Mas quando me refiro a estilo, também incluo aquilo que se expressa como folclore, mas se há quem não considere como estilo, para mim não tem problema!

Anônimo disse...

d+!!!sugiro o livro a viagem de théo.

Carol Liguori disse...

Que coluna é essa!!!!!! [2]
Meu Deus! Como ela consegue fazer isso? rsrsrs

bjuss

Carolina disse...

Galera, vcs são de mais ao interpretar o Zaar, todo o meu respeito. Porém, Zaar não se trata de um estilo, modalidade, tão pouco "folclore", é um RITUAL.Forte, intenso, verdadeiro. Onde a pessoa é tomada por um demonio, um espirito. Fazendo uma comparativa, para nosso melhor entendimento, como o Exu do Candomblé. Bom se ter a delicadeza, de interpreta-lo isenta de vaidade, e repleta de respeito e entrega, pelo que está entre nós porém não pode ser visto! No mais, se jogue!!!!!

Elaine Keite disse...


Bom dia pessoal...
Estou iniciando uma pesquisa junto a duas amigas e cheguei as informações deste blog. Alem da postagem dei uma olhada nos comentários par ver se haveriam mais informações a agregar a nossa pesquisa (claro, daremos referência de todos os meios que utilizarmos para a mesma).
É incrível como a Dança Oriental possuí muitos mistérios e diversas versões sobre um estilo de dança, seja ela para palco, folclore ou ritualistica.
Me lembro que o primeiro contato foi com o ritmo ayoub e minha professora disse que se tratava de um ritmo milenar e de transe. Que a dança se referia a um ritual, não de possessão como dito na msg da carol (o que não o desabona), mas sim de um ritual para "limpeza" do ambiente. Quando alguem morria, está dança era feita como um rito de passagem ao espírito. Algo assim. Inclusive houve uma representação em um espetáculo e a bailarina dançava toda de branco, com um tipo de galabya semelhante ao do khalege, mas sem qualquer enfeite e o mmovimento era baseado na marcação dos pés. Um a frente do outro com uma acentuação forte para baixo(chão) e os movimentos de cabeça que aumentavam a velocidade conforme o ritmo aumentava seu andamento.
Em fim, me aprofundarei mais na pesquisa, mas desde já agradeço à todas que de alguma forma me auxiliaram em reflexões e me causaram ainda mais curiosidade e interesse no tema
Beijos

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