quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Bailarinas Brasileiras e suas Qualidades - Pt. 1


Pessoal, lá na página do facebook do blog estamos fazendo uma singela homenagem de fim de ano às bailarinas do nosso país. Em maio deste ano houve uma votação, na qual as pessoas que curtem nossa página podiam dar seu voto nas bailarinas brasileiras que mais admiram. Sendo assim atribuímos às 15 primeiras mais votadas do público uma qualidade, a característica mais marcante de cada uma e elaboramos textos para refletirmos sobre essas qualidades. Dá uma passadinha lá e veja todos os vídeos e textos que preparamos para elas. Aqui vamos colocar parte do que você encontra lá.

1ª LULU BRASIL - "Refinamento"

Essa palavra me passa a sensação de algo que vai se polindo cada vez mais. E assim é Lulu, com seus quase 30 anos de dança: sutileza dos movimentos, apuro técnico e requinte expressivo. Refinamento é deixar só o que interessa. Só o que é e deve ser. Por isso é uma qualidade incrível. Como que tão pouco pode ser tudo. Tudo que precisa ser e é. E pra poder ser o que é, precisa de muita PRESENÇA. A dança de Lulu é o refinamento que todas nós buscamos. Não me impressionou ter ganhado, até porque esta qualidade, provavelmente é uma das mais difíceis de se alcançar e também a mais almejada. Daí Lulu e Refinamento estarem em primeiro lugar.

2ª NANDA SALÍMA - "Feminilidade"

Nanda Salima nos mostra a complexa arte de ser mulher - esses seres estranhos, mal compreendidos. Lutadoras das causas perdidas, mas vencedoras. Cheias de dúvidas, mas com certeza pia. Ser mulher é ter coragem do que é, mesmo não sabendo o que é, ou porque é, mas é. E sabe disso e então assume isso. Sou. E o mundo que se prepare para me ver do jeito que sou. Porque sem mulheres não há mundo. Só ela pode entender a misteriosa Lua e suas fases, pois ela mesma se confunde com o astro e tem suas próprias fases. Múltipla e única. No coração dela convivem o amor ao próximo, o amor a si mesma, sua atual paixão, seu amor aos sapatos e bolsas, a tudo que brilha e é colorido, os sorrisos inocentes, o desejo da independência. A dança - nas nuvens e na terra.


3ª KAHINA - "Elegância"

Existe outra qualidade mais sobressalente nesta bailarina? A primeira, a segunda e a terceira impressão da Kahina é sempre de elegância. Distinção não só no se mover, na postura, mas também na escolha dos trajes, do comportamento no palco. Pra mim, elegância é estar no lugar certo sempre. Sabe aquele cabelo de novela, sem nenhum fiozinho pra cima? Então. Li uma vez sobre a elegância que não é um dom que se adquiri, é um instinto com o qual se nasce. Sinceramente, considero tarefa difícil falar da Kahina e de elegância. Eu me impressiono tanto com essa qualidade/capacidade de estar num alinhamento perfeito, talvez por não ser elegante. É quase "imaterial". Existe mesmo alguém assim? Kahina. Mas, como? Kahina, ué. Ser elegante é algo complexo. É, na verdade, estar sempre adequado ao que lhe pedem. É o encontro com a harmonia e o equilíbrio. Harmonia pra estar adequado e equilíbrio para nunca ser mais nem menos. É eficácia, ser o que precisa ser, e simplicidade, pra ser na medida certa. Como pode? Kahina...

4ª JU MARCONATO - "Carisma/Magnetismo"

Nossa 4ª colocada, foi difícil atribuir uma qualidade pra este mulherão. Então escolhi dois que se complementam quando vejo Ju Marconato dançar. Porque eu não sei se ela possui um magnetismo forte por causa de seu carisma, ou se é o contrário. A mulher é um evento. É a inspiração de muuuitas meninas que vejo na Dança. Encanta a todos, não só pela belíssima bailarina que conhecemos no palco, mas como professora e pessoa que é, sempre espalhando boas mensagens. O vídeo abaixo tem mais de 1milhão de visualizações! A Ju Marconato exerce fascínio nas pessoas. Se falamos que a elegância é um instinto, quando falamos da Kahina, o Carisma e o Magnetismo são um dom que nascem com a pessoa. Não se aprende, não se conquista, é algo natural de algumas pessoas e a Ju claramente tem esse dom. Quem não admira de alguma forma a Ju Marconato? Não conheço ninguém. E quem gosta também, é amor puro. Ju Marconato é uma bailarina muito especial.

5ª JADE EL JABEL - "Sensualidade"

Não teria outra qualidade melhor para definir Jade. Tem uma coisa de pele quando assisto Jade, não sei o que é, fico arrepiada. A sensualidade dela vem da entrega. Até porque a sensualidade nada tem a ver com estética, beleza, mas sim com atitude. Jade nos presenteia a cada dança com sua personalidade, sua ousadia para nos inebriarmos, nos perdemos em seu labirinto com fragrância de mulher. Cuidado pra não se perder nesse mar de sentimentos, sensações e sabores. É pra assistir se lambuzando de Jade. Essa mulher é uma explosão de feminilidade. Jade nos leva ao êxtase a cada apresentação com sua intensidade e profundidade. Irresistível. Artista completa. Sentidos à flor da pele. 


Gostou das primeiras bailarinas/qualidades? Curta nossa página.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Uma Dança do Ventre Impactante

Quer força, fúria, impacto, etc, etc, etc? Com vocês, Maria Shashkova:
Eu particularmente não gosto muito de dançarinas extremistas, seja muito leves que te dá agonia (faz logo esse redondo minha filha!ahh!) ou muito fortes, que você tem medo que ela torça a perna no meio do palco ou te dê um soco na cara se estiver num restaurante.

A Maria Shashkova é muito admirada no meio bellydancer russo, ela é uma representação da dança libanesa, impactante, mas em alguns momentos do vídeo eu tenho a impressão que ela vai quebrar a coluna. Sem contar que é só sensualização, a leitura da música está bem comprometida em alguns pontos.
Essa dançarina libanesa aqui não sei o nome, mas eu lembro dela por causa do minuto 02:07. IMPRESSIONANTE!! Ela gira a cabeça no ritmo do derbake! Ela é bem impactante, e mescla um tanto de graciosidade, leitura musical e criatividade. E ela dança nesse pique todo 15 minutos no salto alto! (São 3 partes do vídeo). Eu também a considero um tanto assustadora, mas ela eu aceito mais, não sei se é porque ela me cativa com seu vocabulário simples, mas bem utilizado, alternando os movimentos sem tamanha previsibilidade.
E fechando uma dança forte das estrangeiras, adoro o Maya Abi Saad. Ela tem uma paixão e um carisma dançando, que mesmo não tendo aquela base técnica assombrosa que as brasileiras tanto almejam, ela segura perfeitamente a atenção e a admiração do público.

Aqui no Brasil acho que quem segue um estilo libanês seja a Yasmin Shandra, a Samara Nyla e a Shaira Sayyad, ainda que todas se atentem para a plástica das egípcias (celebrado por nossa terra tupiniquim). Se eu tiver errada, me corrijam! Indicam mais alguém?

E vocês? O que acham das bailarinas que dançam um estilo forte?

sábado, 15 de dezembro de 2012

Como a Imagem do Mundo Árabe é Deturpada!

Existe um documentário fantástico sobre como os árabes são mostrados de forma estereotipada e preconceituosa nos filmes de Hollywood, que preciso compartilhar aqui com vocês! Sério, eu lembrei de várias pessoas que encontrei na dança do ventre que pensam nos árabes como aparecem no filmes. Os pontos mais interessantes:

1 - A "Arabialândia", a terra de todos os árabes. É engraçado que não existem traços culturais, idiomas, distinções quaisquer entre os árabes que são árabes e acabou. É um enorme deserto do Saara!

2 - Os árabes ou são vilões ou são estúpidos, na maioria dos filmes. Eles são lascivos, sujos e tratam dinheiro como se fosse uma coisa banal.

3 - Lembra do Alladin? Eu criança não conseguia perceber com crítica esse filme, até meu orientador Murilo Sebe apresentar suas considerações sobre o filme numa palestra na Casa Rui Barbosa: Alladin não tem cara de árabe! As feições dele foram tiradas do Tom Cruise!!! Quem tem cara de árabe no filme são os vilões, e sempre de forma forçada, narizes enormes e kohl nos olhos.

4 - A questão Israel-Palestina tira toda a humanidade dos palestinos! Levanta a mão quem já ouviu (e bata na cara se concordou) que os árabes são violentos e se explodem por aí sem motivo, apenas porque essa é a linguagem deles: o terrorismo.

5 - As mulheres árabes são retratadas ou com niqabs, cobertas dos pés à cabeça com panos negros ou como dançarinas do ventre, parece que toda casa árabe é uma tenda no meio do deserto com dançarinas. E claro, os árabes ainda copiam a "sultão life style" e têm escravas sexuais. Típico!!

É longo o documentário, mas tenho CERTEZA que quem o vir só tem a ganhar:

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

E a técnica? E você?


Ouvindo o Podcast do Sala de Dança desta semana, sobre ninguém mais, ninguém menos que Souheir Zaki (minha ídola mor), tentei me segurar pra não escrever aqui, porque eu ando sem tempo pra pesquisar sobre qualquer assunto e mesmo que seja só pra dar minha opinião, eu gosto de ler algo.
Bem, quem puder ouvir, lá pro fim do Podcast, a Carol Louro menciona como ela tem um desejo de adquirir/estudar técnica, mas com o objetivo de poder se desprender dela quando quiser. Isso pra mim foi ótimo e entra em consonância com a minha busca também. Então me lembrei de uma frase de Martha Graham, a qual desde que li sempre tenho em mente:



A técnica [...] é o que permite ao corpo chegar a sua plena expressividade… Adquirir a técnica da dança tem apenas um fim: treinar o corpo para responder a qualquer exigência do espírito que tenha a visão do que quer dizer.” 
Martha Graham

Por mim terminaria aqui, porque essa frase é genial e fechar com uma figura tão notável como foi a Martha pra dança já estaria excelente. Mas eu vim falar de algo que acho que pode ser uma questão não só minha. Leio muito por aí frases do tipo "se entrega, sente a música... a bailarina que sente, dança melhor que as outras, as bailarinas estão técnicas demais, cadê o sentimento?". Bom, sentir todo mundo sente, né minha gente. Sempre achei isso muito vago, porque eu sinto mil coisas quando ouço a música, mas quando me apresento só sinto duas coisas: medo vergonha. Portanto, meu problema não é sentir, é outra coisa.

Nos blogs que se preocupam com a nossa dança é comum ler sobre "bailarinas vazias", "danças chatas, sem emoção", e confesso que ando meio de saco cheio desse tema porque, pra mim, a questão pode ser maior. Pode ter ligação com algo que não ouço muito aí, e criei coragem pra dizer: Cuide de si, do seu espírito (que, como grifou Martha Graham, "tem algo a dizer"), cuide do seu interior, dedique mais tempo pra se conhecer, se entender, converse com seus amigos, familiares, ou quem se sentir bem. Converse com profissionais diversos, psicólogos, terapeutas, manicure, professor de dança, yoga, seu mentor espiritual, quem sabe até mesmo um filósofo... Às vezes uma conversa despretensiosa te leva a reflexões inesperadas. Esse tempo que você "gastou" com você mesma é mais funcional que aquele que você gasta com o estudo da técnica. Às vezes, ele pode ser determinante, dependendo do caso. Por que isso? Porque dançar é técnica, mas precisa muito mais de você, bem consigo mesma, sabendo seu lugar, seu propósito no mundo, na arte, para a técnica, assim, servir a sua dança, e à Dança em geral. Falo isso por mim, que sei que tenho várias questões pessoais e tenho pensado sobre como preciso ainda me modificar por dentro, mais do que por fora pra alcançar meus objetivos. 

Busque isso TAMBÉM, não busque só a técnica. Isso pode transformar sua dança. Descobri que isto também é dançar. Talvez não esteja tão claro pra quem começa, pra quem está sedento ainda pela perfeição dos movimentos, mas acredite é uma dica preciosa. E não é uma coisa fácil de fazer, porque não tem fórmula, não tem "técnica" (já que estamos falando dela também).  É um caminho pessoal, único, e cada uma vai ter que achar o seu. Dessa forma a diversidade finalmente vai reinar e você encontrará seu lugar. Lembre-se sempre que possível de que você é seu maior tesouro.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Primeira monografia de Tribal no Brasil - por Joline Andrade


Joline Andrade foi uma dessas bailarinas que quando comecei a me interessar por Dança do Ventre me despertou o olhar. Também foi por ela que conheci o Tribal. Menina bonita, criativa, de personalidade. Fui acompanhando de longe, a menina foi crescendo, crescendo... Eis que agora, abro meu facebook e leio a seguinte frase:

"1ª  monografia do Brasil com a Dança Tribal como objeto de pesquisa.
Título: PROCESSOS DE HIBRIDAÇÃO NA DANÇA TRIBAL: ESTRATÉGIAS DE TRANSGRESSÕES EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO CONTRA HEGEMÔNICA por Joline Andrade (2011).
Elaborada durante a Especialização em Estudos Contemporâneos sobre Dança (Universidade Federal da Bahia - UFBA).

Sensacional! Não li tudo não, porque isso foi agora, agorinha. Mas já dei uma olhada na introdução e (como boa leitora dinâmica que sou - "alô faculdade de História") fui lá para as considerações finais: não entendi nada! Mas achei isso LINDO. Lindo porque agora estou mais do que tentada a ler, estou obrigada a entender aquela consideração final cheia de conceitos e palavras que não entendo. Sem falar que conheço/leio muito pouco sobre o Tribal e essa será uma bela chance de sanar essa falha. Tenho certeza que vai me despertar para mundos que ainda não vislumbrei e pesquisas que farei em torno do assunto. Estamos recomendando para todos, do Tribal ou não.
Pra quem não conhece essa nossa artista, Joline é da Bahia (nordeste temos inveja de vocês). É bailarina, coreógrafa, professora, produtora e pesquisadora na área da Dança. Formada em licenciatura em Dança e no Curso de Dançarino Profissional pela Universidade Federal da Bahia e recentemente concluiu o Curso de Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos sobre Dança nesta mesma universidade. A mocinha bota pra quebrar e já rodou o mundo: Espanha, USA, Argentina, enfim. Aliás, se você gosta das roupas que ela usa: é ela mesma quem as produz - uma características das dançarinas de Tribal - em parceria com sua mãe (Jaqueline Araújo) e possui um atelier. Somado a isso tudo, a Joline mantém um blog cheio de conteúdo, que vale a pena ser devorado.

Gostou? Então anota aí as próximas oportunidade de ver e fazer aula com a Joline pelo Brasil:
São Paulo: workshop de introdução ao Tribal Fusion, dia 25 de novembro. Direcionado aos dançarinos com experiência em Dança do Ventre. (Cartaz)
Rio de Janeiro: workshop de Tribal Fusion, a partir da técnica e estudo coreográfico com Kami Liddle (USA), dia 16 de dezembro. (Cartaz)

Arrasem nos estudos, galera!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dica: Um passeio pela São Paulo árabe


Quer conhecer o que tem de árabe na cidade de São Paulo, desde arquitetura até a culinária? O Instituto da Cultura Árabe (Icárabe) promove juntamente com a empresária Andréa Curi Bauab um tour pela cidade de São Paulo com guia turístico em datas programadas. Conforme informação do site:

"O roteiro árabe inclui edifícios históricos como a Catedral Ortodoxa, a Mesquita Brasil, a Sala Árabe do Club Homs e a fábrica de alimentos e loja Maxifour, além de uma almoço na Casa Líbano.

“Há pelo menos 132 anos no Brasil, os árabes colaboraram muito para o desenvolvimento comercial, industrial e cultural de nossa cidade. Organizamos o passeio sob o ponto de vista histórico, arquitetônico, artístico e gastronômico. É uma oportunidade de conhecer essa trajetória com mais detalhes, através das histórias de cada local”, ressalta Andréa Curi Bauab, responsável pela iniciativa, que tem colaboração do Icarabe.
Estima-se que atualmente os árabes e os seus descendentes sejam quase 12 milhões de pessoas, a grande maioria vivendo em São Paulo. E suas contribuições culturais estão por toda parte: da gastronomia à arquitetura, nos quatro cantos da cidade, nos deparamos, às vezes sem muito tempo para contemplar, com a presença árabe na metrópole. “Com o passeio, pretendemos aproximar o visitante dessa cultura e valorizá-la como  grande colaboração à nossa história.”

Os interessados podem obter informações pelos telefone 11 99867 4409 e 11 3088 0269 ou através do email andrea@caronacultural.com.br."

Então? Curiosos? Não percam esta oportunidade!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não consigo apagar este blog!!



Ok, gente, vocês pediram, mandaram e-mails, recados, todos encarecidos, e botei o blog no ar de novo.

Eu havia pensado que era mais jogo manter o blog via facebook, disponibilizando lá os posts daqui e outras informações e baboseiras; não pensei na pressão de 1.200 acessos diários que o blog tem, mesmo sem atualizações. O facebook tem em média 3.500 pessoas de alcance, já chegamos a 54.000 com a publicação dos signos relacionados à dança do ventre. Um uau mesmo, algo muito bom em tão pouco tempo.

É, horrível dizer isso, mas eu não estou dançando mais no meio. Sabe, me encheu o saco aquela coisa de se apresentar, de ter que ser de um tipo, de um jeito, se "adestrar", se "enturmar", eu ainda boto música árabe para arrumar a casa, mas não me sinto envolvida o suficiente para participar de algum grupo de dança, até porque nunca quis me profissionalizar. Uma menina me perguntou se estava fechando o blog por medo de ser plagiada novamente, cara, nem, na verdade caiu uma ficha sinistra que tudo é copiado, sabe? Especialmente se aquilo toca as pessoas, positivamente ou negativamente. Eu também arrumei barraco sem necessidade com as adoradoras da deusa-mãe, nem era minha intenção. Eu simplesmente não me toquei que meu blog era formador de opinião, que aqui eu não estou só falando o que me vem à cabeça, estou passando também pontos de vista que impactam de alguma forma, seja pela grande acessibilidade que o blog tem, seja porque eu me meto em tudo mesmo. Claro que meu tom áspero ao escrever prejudicou mais ainda as coisas, e confesso que sou irônica pacas, isso irrita quem se vê atingido pelas minhas críticas. E eu não tenho paciência quando algo me parece absurdo (ainda que eu me permita mudar de opinião ----> meu mote comprovado epistemologicamente por quem convive comigo).

Sei lá, sabe quando você já faz um esforço sobre-humano para escrever no blog, marido em casa pentelhando porque você está perdendo tempo com algo frívolo, enquanto deveria estar estudando, escrevendo artigos, participando dos eventos de pesquisa com a cabeça a 100%, e ainda ter que aguentar um bando de gente que te odeia gratuitamente? Que te chama de arrogante, burra, fresca, mentirosa, "encosto", só porque não concordam com você? Ou porque queriam que você fosse amiguinha deles, mas você não é amiga de qualquer um, ou só por que todos dançamos, todos nos amamos? Ok, educação, bom senso, cordialidade, mas comprar a briga das pessoas e seus ódios alheios pra ficar "bem na fita" (porque o que vejo é grupo contra grupo, dançarina contra dançarina, tudo por discordância de opinião), cadê o profissionalismo? Isso também me fez pensar que estava aqui perdendo tempo, e não ganhando oportunidades, abrindo horizontes, aprendendo com a dança.

Bem, mas o blog está aí para provar que o seu passado é importante, que as palavras que coloquei aqui com o coração, duras ou não, fazem a diferença para muita gente, gente esta que pediu para ele voltar. Ridículo, isso não? Apagar e voltar no dia seguinte? To me sentindo meio anta, haha. Mas tantos depoimentos bonitos me fizeram pensar que fechar o blog não apaga sua história, eu não posso fingir que não estive aqui nesses 3 anos, escrevendo, amargurando, despejando, rindo, chorando, brigando, ironizando, quebrando a cara, informando, pensando... É, não dá para ser apagado.

O blog também sou eu.

Aqui a minha última apresentação como dançarina do ventre, para compartilhar meus primeiros e últimos passos tortos com vocês:


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Eventos: Fim de semana de Dança do Ventre no Rio

Neste fim de semana teremos dois grandes eventos: no sábado, o festival anual "Hórus", organizado pela Shaira Sayaad, que já se encontra na sua 6ª edição. Nomes como Darah Hammad, Nadja el Balady, Claudia Moppe, Nilza Leão, Eliza Oliver, Eliza Fari, Hanna Aisha, Luciana Nogueira, Jhade Sharif, Thayla Halib, entre outras, estarão abrilhantando o show pré-gala. Como já é tradição, o evento também conta com concurso, mostras, expositores e desfiles. O show de gala promete:
E no domingo, Nadja el Balady comemora, ao lado de suas parceiras de dança, seus 15 anos de carreira. Esta é uma bailarina que leva o estudo da Dança do Ventre no Rio de Janeiro de forma muito séria e é uma figura importante na história do desenvolvimento desta arte na cidade. O evento pretende contar a trajetória de Nadja nos palcos, com suas performances mais marcantes, que passam por diversos estilos, desde o fusão Brasil até o baladi.

Aproveitem! Dois eventos de qualidade em um fim de semana só! Yalla!!

sábado, 6 de outubro de 2012

As apresentações mais bizarras de dança do ventre

A criatividade é algo muito bom, acredito que deva ser sempre incentivado de modo que a dança permaneça em qualquer tempo. Entretanto algumas inspirações soam estranhas, o que nos dá de brinde divertidíssimas ou chocantes apresentações.

Bem-vindos ao mundo bizarro da dança do ventre!haha

1 - É um pássaro, um avião? Não, Katie e Sadie, a dupla chicken little:



2 - A Sheena com chicote!



3 - Bellydancer superstar... ¬¬ (prefiro ser no-star)



4 - Representando parasitas intestinais (sim, isso mesmo, com passos de dança do ventre)



5 - Uma dançarina perfeita para uma festa de casamento:


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Coisas que só uma fã maluca faz...


Então gente, estou aqui para pedir a ajuda para minha amiga Lívia Carine (ela vai me odiar por isso): um site de vaquinha para que ela possa ir ao workshop da sua diva magnânima Elis Pinheiro!

Eu sei que tem gente que vai pensar: "eu também quero!", "To pobre!", "E eu com isso?". Bem, não custa tentar, né? Se ela tomou a iniciativa de pedir uma vaquinha online, quem sabe existem pessoas que se solidarizem ao pensar o quão complicado é ter sempre dinheiro para tantos eventos de dança incríveis, ainda mais aqueles que são ministrados por nossos ídolos.

O link para ajudar a Lívia nem que seja com um real é esse aqui.

Como já comentei muitas vezes, a Lívia é fanática pela Elis Pinheiro, é tipo "Deus no céu e Elis na terra", então caso alguma bellyfanática se sinta tocada pela impossibilidade financeira de Lívia (ela é bolsista da UFRJ e recebe por mês aquela mísera bolsa de iniciação científica) para ver sua diva que não mora mais no Brasil, ajudem-na!

Estou aqui fazendo a minha parte de divulgação, já dei uma ajudazinha lá! ;-))

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Beat Box para Dança do Ventre

É brincadeira, hehe! Mas é um vídeo promocional de um DVD de folclore, e o instrutor reproduz oralmente os ritmos de uma maneira, digamos, peculiar:


Agora é só a gente reproduzir em casa e/ou na aula quando estivermos aprendendo aquele ritmo maroto! =p

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Workshop: Música Árabe


Porque ainda há esperança em quem estuda a dança com amor e verdade!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Zahra Sharq 2012 com Nur no RJ - eu fui!!

Eu fui... e quem não foi perdeu!!

Eu, Lívia, não gosto falar de eventos que vou no blog, para não parecer propaganda, coleguismo gratuito. Aí para não ser injusta, eu teria que que falar de todos que eu fui, pois todos eles poderiam merecer destaque. Entretanto, o ano ainda não acabou, ainda teremos alguns eventos importantes e conhecidos pra ir, mas eu vou repetir o que disse pra muita gente que acabou não podendo ir ao Zahra Sharq 2012 e que me motiva a escrever o post de hoje: "Foi o melhor evento de dança do ventre no Rio de Janeiro que eu já fui". Sem desmerecer outros que também tiveram grande destaque este ano, como o Lumina-Qamar (que trouxe ninguém menos que Soraia Zaied) e o Ayuni (que trouxe a simpatia e a presença de Ju Marconato), o evento contou com uma produção e uma energia que eu nunca havia presenciado. 
A 4ª edição do evento, organizado pela bailarina/blogueira Hanna Aisha, recebeu conhecidos nomes do Rio, além das convidadas Nur (SP) e Rafaela Alves (MG), mas não é por isso que ele foi o melhor evento que eu já fui. Ele me ganhou como um todo, do início ao fim, por todos os detalhes. Desde o teatro, a produção, o clima, a iluminação, as bailarinas, as danças apresentadas, os figurinos, o público, tudo, incrivelmente tudo, se harmonizou de um jeito delicioso no dia 18 de agosto. 


A grande estrela da noite era a Nur sem sombra de dúvidas... e foi mágico. Assisti-la por meio dos vídeos é uma coisa totalmente diferente de presenciar esta mulher no palco. Não tenho palavras para esta experiência. Além disso, a Nur estava inspiradíííííssimaa! Com certeza não era só porque "ao vivo é mais legal", a cada entrada nós éramos surpreendidos com uma Nur que nem eu conhecia. Suas três aparições no palco foram uma explosão de energia, criatividade, dança, força, graça, estou até com medo de selecionar UM dos vídeos, vocês precisam assistir os três, por favor!


Primeira entrada da Nur, música tradicional
Terceira entrada, solo de percussão

Fiz o meu top 5 (incluindo a Nur) pra não massacrar de vídeos o post. Quem esteve lá poderá se recordar com muito carinho aqueles momentos especiais e quem não foi poderá se morder bastante e ficar aguardando o próximo.


Hanna Aisha (Taqsim de Saxofone)Este é não só um dos vídeos top do evento, é também pra quem quer estudar taqsim. Eu sou muito chaaata com leitura musical, taqsim então... É um desafio, ao meu ver, conseguir obter uma leitura que concilie técnica + emoção, aproveitamento do tempo e dos instrumentos musicais, a escolha do movimento, da expressão e da parte do corpo que vai transmitir o som que estamos ouvindo e ainda assim manter a beleza, a leveza, a plástica da dança, etc. A Hanna, de improviso, conseguiu tudo isso lindamente, e pior: num taqsim de saxofone. Palmas! Foi a penúltima apresentação da noite e foi intenso. Lindo mesmo.


Keyla Milanez (Leque de Plumas): Quando eu vi estas palavras na programação eu entortei a boca. Pra não ser injusta, eu já vi UMA apresentação de leque com plumas que gostei. Mas, como já disse, era uma noite mágica de puro deleite e surpresas. Veja se eu exagerei: a música, a bailarina, a roupa, a interpretação/dança, o clima, tá tudo perfeito. Eu amei essa apresentação, sobretudo por não ser fã do gênero, e foi a partir dela que me dei conta do quanto estava sendo agraciada naquele dia por um evento ímpar. Keyla, parabéns! Estava de um bom gosto, de dar gosto de estar assistindo!


Grupo Hátor (Shaabi): Que gracinhaa! Eu amei esse grupo, alunos da Elaine Rollemberg. Muito gostoso ver a animação, a alegria deles dançando... shaabi é isso né gente? Uma pérola. Poucos grupos são tão bem organizados, bem coreografados, simpáticos, com prazer na dança e que conseguem transmitir esta mesma animação pra quem está assistindo. Os meninos e as meninas estavam de parabéns! Levantaram o público, foi ótimo!!!


Elaine Rollemberg (Baladi): Por último, mas não menos importante: que baladi gostoooosssoooo! Ela é outra gracinha que eu só conhecia por meio dos vídeos e que ao vivo é muito mais legal. Linda, simpática, claramente à vontade no palco, com certeza seu grupo (citado acima) é um reflexo dela mesmo. Belo, belo, belo. Dá vontade de estar lá de novo só pra poder aplaudir novamente. Eu sinto que naquele dia todos combinaram em pegar seu melhor figurino, sua melhor energia, a melhor ideia, a melhor execução, só pra eu ficar rasgando seda aqui. 

Deu pra ver que o evento teve de tudo um pouco? E que as pessoas capricharam? Como tudo estava combinando? Fico radiante com esses vídeos, gente. O Rio merece essa qualidade toda. Que o Zahra Sharq 2012 seja mais um dos muitos eventos que irei por aqui e tecerei tantos elogios.

*
O evento ainda contou com a presença das bailarinas 
Aischa Hortale
Aline Muhana 
Cia Zahra Sharq
Dahab Chaim
Darah Hamad
Elaine al Nahid
Melinda James
Nilza Leão

Não deixe de ver os outros vídeos se ficou curioso, é só visitar o canal do Youtube do evento: http://www.youtube.com/user/ZahraSharq2012/videos?flow=grid&view=0

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Serpente que Dança de Charles Baudelaire


A Serpente que Dança (Le Serpent Qui Danse)

Em teu corpo, lânguida amante,
Me apraz contemplar,
Como um tecido vacilante,
A pele a faiscar.
Em tua fluida cabeleira
De ácidos perfumes,
Onde olorosa e aventureira
De azulados gumes,
Como um navio que amanhece
Mal desponta o vento,
Minha alma em sonho se oferece
Rumo ao firmamento
Teus olhos que jamais traduzem
Rancor ou doçura,
São jóias frias onde luzem
O ouro e a gema impura.
Ao ver-te a cadência indolente,
Bela de exaustão,
Dir-se-á que dança uma serpente
No alto de um bastão.
Ébria de preguiça infinita,
A fronte de infanta
Se inclina vagarosa e imita
A de uma elefanta.
E teu corpo pende e se aguça
Como escuna esguia,
Que às praias toca e se debruça
Sobre a espuma fria.
Qual uma inflada vaga oriunda
Dos gelos frementes,
Quando a água em tua boca inunda
A arcada dos dentes
Bebo de um vinho que me infunde
Amargura e calma,
Um líquido céu que se difunde
Astros em minha alma!
               (Charles Baudelaire, tradução de Ivan Junqueira)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O que nos une?


Estava lembrando quando eu só admirava a dança do ventre de longe, quando a vi pela primeira vez e me empolguei, pensando o quanto queria fazer! Eu sempre vestia umas roupas loucas quando criança e fingia que era dança do ventre ou então dança cigana na época da novela "Explode Coração" com a minha amiga Samara Ali! Gostava tanto que meus primeiros cds de dança do ventre foi a minha mãe que me deu: da Claudia Cenci e um outro em inglês, que esqueci o nome. Dançava troncha, mas dançava, um dia eu ia aprender certinho!

Vez ou outra tive pessoas da dança do ventre na minha vida, ainda que não praticasse: minha professora de matemática do primário, Kátia, na dança do ventre conhecida como Mayra Shams, a minha colega de escola Helena, que não sei se tinha nome artístico. Eu lembro da festa de quinze anos da Helena, as colegas de aula dela e sua professora fizeram um super show de dança do ventre, com velas, véus, espada, uma coisa de louco! Fiquei encantada mais ainda, e desejei o dia que iria aprender.

Só comecei a fazer aula quando tive meu primeiro salário de estágio, minha professora Vanessa Costa. Todas as ex-alunas sentem falta dela, realmente ela é insubstituível. Nela aprendi a dançar de verdade e a valorizar o conhecimento para a dança, não apenas passos assim e assado, mas dança com conteúdo. Ela se foi para outra arte, ela estava certa, o que ela tem hoje no Pole Dance ela jamais conseguiria na dança do ventre: lá ela é profissional, artista, valorizada por quem faz e por mérito. Ela tem retorno do investimento que ela faz, ela cresceu e na dança do ventre é muito difícil disto conseguir.

Eu lembro dos meus primeiros dias de blog, quando lia Luana Mello e suas ponderações tão sensatas. Ela também se foi: ela disse certa vez, em uma entrevista, que ela é uma artista e isso ela não conseguia ser na dança do ventre. Ela encontrou a dança burlesque uma forma de expressar sua arte. Eu não sou artista, mas sou pesquisadora, e também sei que muitas vezes não dá para unir pesquisa com dança do ventre, porque uma envolve totalmente a razão e a outra a emoção. E nas paixões a razão sempre perde... =p

Aí nesse vai e vem, fico pensando: o que me une à dança do ventre? O que me une a tantas outras praticantes desta arte, que se enchem o coração com um toque no derbake, que cantam árabe sem saber árabe, que exploram belos figurinos para serem bonitas para si e para o público? O que faz de mim mais ou menos importante que todas as meninas que já vieram para a dança do ventre, e que fazem ou não mais parte dela?

Gente, eu sou nada. Eu hoje tenho um blog acessado diariamente por milhares de pessoas, tenho fãs e tenho os super fãs (aqueles que precisam comentar qualquer coisa que escrevo só pra espinafrar),  recebo contatos de emissoras e grandes empresas, contribuo com entrevistas para jornais e revistas, tenho amigos, tenho colegas, tenho afeto e mágoa de várias pessoas; e eu sou feliz, não por isso, eu sou feliz por cada dia respirar e poder agradecer a Deus por todas as conquistas que tive até hoje.

Tive anos maravilhosos na dança do ventre e anos ruins também, mas o saldo é positivo. O que me une a todos que fazem dança do ventre é uma paixão, um arroubo incontido de felicidade ao ouvir uma melodia familiar. A gente não se importa se agrada a todos, se tem a todos do seu lado ou contra você, a gente se importa em dançar, em sentir a música.

Por isso agradeço a quem fez parte da minha formação como dançarina, minhas professoras: Vanessa, que sinto saudades das aulas divertidas e desejo tudo de bom; Ranaa e Paula, por terem me dado toques preciosos; Virgínia, amiga de hoje e sempre; Heloísa, não concordamos em alguns pontos, mas sempre lhe quis bem; Samara, mestra máxima, seu brilho é contagiante.


Obrigada a todos e todas pelo carinho! E continuamos aqui! XD

domingo, 9 de setembro de 2012

Salomé de Oscar Wilde

Essa semana comprei um livro bem famoso (na verdade é uma peça) para iniciar minha pesquisa acadêmica oficial sobre o Orientalismo: Salomé de Oscar Wilde.

O livro trata da paixão doentia de Salomé por João Baptista (este retratado como Yokanaan), que a rechaça veementemente. No final, Salomé faz a dança dos setes véus (imaginário europeu) e sob juramento do rei Herodes consegue em troca a cabeça de seu amado, realizando assim um desejo sombrio, o qual também selaria seu destino.

Achei interessante por abordar uma Palestina repleta da entrega à concupiscência e à beleza física, uma crítica à própria sociedade hedonista em que Oscar Wilde vivia, a Inglaterra do séc. XIX. A peça foi ojerizada e massacrada pela crítica, atacando ferozmente o trabalho de Wilde sem dó, nem piedade. Na verdade é exatamente assim como a maioria das pessoas ignorantes fazem, criticam e jogam pedras sem conhecer aquilo que falam. A sorte de muitos é que a obra de Oscar Wilde seria lida e relida por mentes tão brilhantes quanto a dele e se tornaria um grande sucesso.

A peça de Oscar Wilde foi adaptada para uma ópera por Richard Strauss, tendo o momento mais impactante da mesma a famosa dança dos sete véus. Aqui abaixo a música:



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Tradução: Katar Kheri

Tradução da música Katar Kheri da Sherine a pedido da Allana Griebler.
OBS: O nome da música é uma expressão idiomática, se refere quando somos muito bons com uma pessoa, damos nosso melhor para ela.



Katar Kheri - Generosa Demais

Não o deixarei saber o que vou fazer com ele
Estou em silêncio e não vou dizer a ele o motivo do meu silêncio
Deixarei que ele veja por seus próprios olhos o que vou fazer
Eu o farei temer quando eu sumir por uns dias

Eu fui generosa demais por tê-lo correspondido e suportado esse tempo em meu coração
Ele me oprimia e me entristecia, tomando todo meu tempo
Por tantos erros,  eu disse que já era o bastante, ele ainda resistiu
Mas pessoas já comentam de nós

Ele virá pedindo perdão diante de meus olhos
Eu direi a ele para tentar ficar longe de mim
Para que ele não me trate mais assim
Mas isso não importa,
Vamos nos tratar duramente e nos separar
Será bom mesmo se voltarmos ou não um para o outro

Não o deixarei saber,
Não o deixarei saber

Vou deixá-lo me procurar, mas em vão
Vou deixá-lo cansado, sonhando por mim, mas ele não me verá
Não o buscarei de novo
Porque me cansei dele
De agora em diante estarei ocupada para não perder meu tempo com ele


Eu fui generosa demais por tê-lo correspondido e suportado esse tempo em meu coração
Ele me oprimia e me entristecia, tomando todo meu tempo
Por tantos erros,  eu disse que já era o bastante, ele ainda resistiu
As pessoas comentam de nós

Ele virá pedindo perdão diante de meus olhos
Eu direi a ele para tentar ficar longe de mim
Para que ele não me trate mais assim
Mas isso não importa,
Vamos nos tratar duramente e nos separar
Será bom mesmo se voltarmos ou não um para o outro

Não o deixarei saber,
Não o deixarei saber

Letra:


ana mosh mebayenalo ana nawyalo 3ala eh
sakta w mestaHlefalo w mosh 'aylalo sakta leeh
kheleh yeshof be3eno eh elly nawya 3aleeh
hakhaleh yekhaf min khayalou lama agheb youm 3n 3eneh
x2
kattar khairi eni 'abelto westaHmelto ya 'alby zaman
yegy 3alaya w a3adeha w yeso' feha m3aya kaman
min kteer 3amaylo ba'olo kifaya ana w enta ba'ena
khalas lelnas sera 3ala kol lesan
haygeny 3ashan yeradeny ha'ol 3ala 3eny mnistighnash mnistighnash
w hasebo yegarab mara 3ashan tany mara maye3melhash
w bna'es 3and bi 3and w bo3d bi bo3d w negy 3ala ba3d khalas
ya rege3na ya merge3nash
ana mosh mebayenalo
ana mosh mebayenalo
khaleeh yedawar 3alaya kol shwaya mayla2eeneesh
Khalee yet3ab shewaya w yeHlam beya w mayshoufneesh
Mosh hagri tani waraah 3alashan ghlebt ma3ah
W 3an nafsi ha3awed nafsi mn delwa'ti mayewHashnish
x2
kattar khairi eni 'abelto westaHmelto ya 'alby zaman
yegy 3alaya w a3adeha w yeso' feha m3aya kaman
min kteer 3amaylo ba'olo kifaya ana w enta ba'ena
khalas lelnas sera 3ala kol lesan
haygeny 3ashan yeradeny ha'ol 3ala 3eny mnistighnash mnistighnash
w hasebo yegarab mara 3ashan tany mara maye3melhash
w bna'es 3and bi 3and w bo3d bi bo3d w negy 3ala ba3d khalas
ya rege3na ya merge3nash
ana mosh mebayenalo
ana mosh mebayenalo

sábado, 25 de agosto de 2012

Música Clássica: Rakasni Ya Habibi

Estou viciada nessa música, eu confesso. Especialmente na parte cantada - versão embromation: rakasni yalla ya habibi, rakasni hamza fi ramadan, hgpdfdçlfgkdlgkdf ya gazel, ya maopkoskk  mish mel", eu canto lavando louça, no caminho ao trabalho, no busão. Vamos às divas:

Aziza Mor-Said
Eu não tenho moral para falar da Aziza, até porque eu sei que tem gente que mata e morre por ela, portanto prefiro dizer que nela achamos total preocupação em ler as nuances, os ritmos, os folclores da música. Aziza para estudo!


Valerick
É uma dançarina egípcia com força e pegada das libanesas, mucho loca. Ela lê de uma forma bem diferente o khaleege, apesar de marcá-lo com a jogada típica de cabelo. Tem vários passos interessantes de conexão, especialmente com camelos. (aqui a música tá editada)


Elis Pinheiro
Diva da Lívia Carine! A pauslitana ganhou o mundo e foi para a Inglaterra! Melhor para ela porque a dança do ventre lá é arte, não esse bunzunzum que muitas vezes combatemos por aqui. Já falei e repito: parece que ela vai quebrar dançando! Ela tem uns braços tão leves, que você quase avisa: CUIDADO, vai desmontar!! Na dança da Elis leveza e sentimento são as suas combinações.


domingo, 19 de agosto de 2012

Música Clássica: Raks Mimi

A segunda música que vamos apresentar por meio do trabalho de diversas dançarinas é Raks Mimi. Essa música por sinal vai cair na prova do sindicato das dançarinas do ventre do Rio de Janeiro esse ano, e foi dureza de achar vídeos (alguém tem um vídeo de uma brasileira?).

Didem
A dançarina turca - que sempre faz o estilo femme fatale - apresenta uma leitura rica em acentos, mas atropela a introdução dançando na mesma, antes da chamada da bailarina (eu fico pensando se o respeito à introdução é uma obrigatoriedade, pois vejo muitas dançarinas famosas dançando nele). Eu prefiro respeitar porque a introdução me parece mais coerente pela própria estrutura da música clássica
A música da Didem tá bem editada, e não vemos a finalização da música, que é a repetição da introdução.


Arena
A dançarina inglesa entra depois da chamada da bailarina, demora um pouco pra se livrar do véu (para mim é se livrar mesmo pois ODEIO véu),  mas desenvolve bem, aproveitando bastante os giros, que são uma arma secreta quando você não sabe bem o que fazer entre um movimento e outro. No minuto 3:30, há uma variação na música, que primeiramente identifiquei como soudi e até há pouco tempo acreditava ser, mas agora me passaram que deve ser um malfuf. O que acham?


Grupo Shahdana
Achei muito lindo, e tem várias ideias para um solo: todas bem sincronizadas e limpas, algo raro de se ver em coreografias de grupo.


Lorena Sedran
Uma dançarina super leve, me lembrou a Aziza, americana como ela. Mostra que leveza e precisão independem de um corpo magro. Ela emenda a música com um derbake.


Zahira Razi
Uma brasileira, eureca! Obrigada Anisah, pela dica. Aqui temos uma preocupação maior em atender aos momentos da música: deslocar, parar, tremer, etc, bem como as dançarinas preciosistas gostam. Aqui ela leu o khaleege do soudi, acho que nessa versão da música ele está bem com cara de soudi. Oh céus, o que acham?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Música Clássica: Almini Kif

Olá leitoras e leitores,
Começa hoje uma sessão de posts com vídeos de dançarinas dançando uma música clássica
A música que inaugura nossa sessão é Almini Kif do Mário Kirlis.

Saida
Aqui a dançarina argentina Saida, mais contida por causa do baby, dança de uma forma não usual para nós brasileiras: tem poucos deslocamentos e se concentra mais em ondulações. O legal dela são as finalizações sempre criativas e impactantes:


Kahina
Estilo KK de ser e viver, super alongada, técnica, balezesca, e nessa apresentação com uma leitura fina dos instrumentos melódicos.


Marta Nowicka
A polonesa apresenta uma dança com os famosos véus wing (ai que saudade do meu véu wing), apresenta movimentos pequenos e contidos, e no final emenda a música num solo de derbake. Eu achei a leitura dela meio atrapalhada, mas não deixa de ser outro exemplo para esta música.


Coreógrafa Camila Neroni
Uma coreografia em grupo bem sincronizada. Dá para ter várias ideias para fazer um solo, claro que explorando mais o espaço:

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O que é Maqam?

O Maqam (em árabe: مقام, no plural: maqamat, no plural dual: maqamani) é, na música clássica turca, um sistema de "tipos de melodia", os quais compõem um conjunto complexo de regras para a composição e performance de músicas.

Cada maqam é estritamente uma estrutura única de intervalo (cinsler) e de desenvolvimento melódico (seyir). O maqam tanto pode ser uma composição fixa (beste,  şarkı, peşrev, Ayin, entre outros) ou uma composição espontânea (Gazel, taqsim, a recitação do alcorão, etc), ainda que todos busquem seguir o tipo de melodia.

As escalas do maqam (escala árabe) são construídas por microtons (como uma vírgula, uma pausa entre as notas), e estes microtons se distribuem entre as notas que conhecemos. Por exemplo, entre Mi e Fá existem 4 microtons, já entre o Dó e o Ré existem 9. Conforme informações do músico Deniz Atalay, há 53 microtons em uma oitava, mas ainda que eles existam, nem todos necessariamente precisam ser tocados durante a execução da melodia. (Graças a Deus).

E qual seria  a diferença entre uma maqam e uma escala musical comum (ocidental)? O maqam é construído em cima de uma escala, no caso a escala árabe, que diferentemente da ocidental (12 notas) possui notas intermediárias (microtons) complexos de se registrar numa pauta musical. Ele forma uma oitava (8 notas + notas intermediárias entre elas), embora às vezes o maqam se estenda até 2 oitavas. Ele é mais rico que uma escala musical, e conforme o site Maqam World, as variações do maqam não podem ser compreendidas por leitura, mas de uma forma genuína, a tradição oral.

Maqam Rast
Além disso, cada maqam transmite um estado de espírito diferente, tanto para introspecção quanto para exaltação, de maneira que cada melodia influencia diretamente a percepção de uma peça musical

Cada maqam possui regras que determinam o seu desenvolvimento melódico (sayr). Estas regras indicam as notas que devem ser enfatizadas, quantas vezes, e em que ordem. Isto significa que dois maqamani podem possuir os mesmos intervalos de tons, serem até uma versão transposta do outro e ainda assim serem reproduzidos de forma diferente (como exemplo: maqamani Kurd e Hijaz Kar Kurd, ou maqamani Nahawand e Farahfaza).

No maqam também existem regras que definem a nota inicial (o tom, ou qarar em árabe), a nota final (mustaqarr), que em alguns casos é diferente da inicial, e a nota dominante (ghammaz). A dominante é a nota inicial da segunda estrutura (jins), normalmente a quinta nota, podendo ser a quarta ou a terceira também, servindo como base durante modulação.

Como falado no início, o taqsim é a arte da improvisação de um maqam. O taqsim pode ser executado antes da composição para "criar o clima" ou ainda ser executado no meio da melodia.

Embora conheçamos ritmos árabes, o maqam é mais que um ritmo, ele é uma melodia que segue uma estrutura e varia nessa estrutura. Sobre os tipos de maqam que existem, encontrei no wikipedia um quadro discriminando-os, segue abaixo, só por curiosidade:



E aqui abaixo o exemplo (em escala musical) de alguns maqamat:



Se as variações sentidas são algo a se adquirir pelo ouvido, deixo com vocês duas composições baseadas no maqam Nihavend:


&:

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Como era a Dança do Ventre no início do Séc. XX?

Olá pessoas,

A Juliana Nogueira fez um compilado de vídeos antigos, por volta do final do séc. XIX e início do séc. XX mostrando dançarinas orientalistas, isto é, as primeiras dançarinas do ventre ocidentais (dançarinas/artistas que se inspiravam no Oriente para compor um estilo novo de dança: a dança do ventre). 
Tem até uma mulher girando com uma cadeira presa aos dentes! lol


Sobre o valor histórico dos vídeos (se eles representam uma arte genuína ou não), acho interessante um comentário que consta no link do vídeo:

"Autêntico? Você pode citar qualquer forma de arte que não tenha se alterado ou se modificado ao longo dos anos no tempo? A dança é uma forma de arte e muda conforme a cultura e as pessoas que a executam. Só porque ela é diferente de outra maneira já feita não a torna "não autêntica", apenas um estilo novo. Se ela se adapta ou não ao seu gosto é algo pessoal. Mesmo no Oriente Médio, há muitos estilos diferentes de dança do ventre. Se todos fossem para realizá-la exatamente da mesma forma seria muito chato."

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