segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Workshops para a Dança do Ventre

No início da minha experiência na dança do ventre, eu olhava esse negócio de "workshop" e achava que era uma maneira das professoras arrumarem um trocado de vez em quando. Eu pensava que o que eu tinha de aprender devia estar na aula! Como fazer um curso de alguma coisa que não é completa, senão com atividades extracurriculares? Eu acreditava que a formação da dançarina do ventre deveria estar na sua escola, e os workshops seriam apenas "luxos", "curiosidades", que poderiam ser agregadas, mas não deveriam ser vitais para a bailarina. Pois é, eu já não penso exatamente assim.

Primeiramente, eu tenho ainda muiiiiiiiiiiiiiitas críticas aos workshops que vejo de dança do ventre. Já vi professoras que só ensinam o básico egípcio, e para suas alunas aprenderem ritmos ou a segurar o véu, ela dá um workshop. Cá entre nós, isso é exploração! A aula tem que dar a base para a pessoa que quer aprender, e os workshops devem reforçar o aprendizado (sobre ritmos, técnicas com véu, ondulações, etc), e não ser a única fonte de conhecimento que as alunas terão sobre algo essencial. Conheço meninas que fizeram 6 anos de aula, e não sabem naaaaaaada, pois não pagaram pelos workshops onde teriam um pouco mais de conteudo.

Outra crítica que tenho sobre os workshops são a falta de preparo que vejo em alguns deles. Eu aprendi a dançar com véu wing, faço umas coisas que muita gente não sabe, mas eu não estou preparada para dar um workshop, cobrar para que as pessoas me vejam dizendo: "bem, gente, acho que é assim, ops, não, não, é o contrário". Já me pediram para dar workshop, e eu digo NÃO, por mais que eu saiba mais que as outras pessoas sobre isso, pra mim não é suficiente para cobrar por umas explicações. Se surgirem dúvidas, não sei se poderei sanar, e se a pessoa aprender errado, e depois descobrir, que péssima fama vou levar! Esse mal assola ainda mais os workshops de maquiagem, pois muita bailarina se pinta maravilhosamente, mas não tem a menor ideia sobre técnica de maquiagem. Motivo? Ela maquia o próprio rosto, que ela conhece muito bem, mas e o seu? Ela tem olhos puxados, os seus redondos, aquele lápis ao redor dos olhos vai te deixar a cara do Frankstein, na dela vai sair divino. E isso seria um erro seu, óbvio, elas vão culpar a sua genética que não te fez linda como ela (mesmo você sendo muito mais bonita), ao invés de admitir que nesses workshops que ela cobra caro, na verdade ela está te ensinando a maquiá-la, e não a maquiar você mesma.

Bem, mas eu tenho também boas experiências com os workshops de dança do ventre. Para mim, meu maior ganho foi vendo e copiando (na aula) uma boa dançarina, e assim agregando passos novos ao meu vocabulário, percebendo uma nova forma de movimentar meus braços, meu tronco, minha cabeça. Quando fazemos aula com a mesma professora, simplesmente nós ficamos "viciadas" nos movimentos dela, sem notar nós representamos da mesma forma a sua postura de dança, e nosso vocabulário se resume ao que ela nos ensina. Agora quando fazemos um workshop, seja ele qual for, para saidi, para dança moderna, véu wing, nós não só aprendemos aquele passo específico (às vezes nem aprendemos, hehe, por isso tanta gente filma), mas uma nova forma de explorar nosso corpo para a dança, e assim montar nosso próprio estilo.

Assim acredito que os workshops são importantes, mas temos que olhar bem a quem estamos "dando crédito" para que isso se reverta num investimento em nós mesmas. Nada de fazer vários workshops também para jogar dinheiro fora, faça algo que você se interesse, e passe um tempo amortizando aquele aprendizado, para que ele seja válido, e acrescente realmente algo de bom ao seu estilo de dançar. Que tal a Lulu?

6 comentários:

Hanna Aisha disse...

É, já pensei como vc e continuo pensando assim. Hoje filtro MUITO os workshops que participo porque, às vezes, fama não quer dizer muita coisa, infelizmente.

Workshop sempre deve oferecer um quê a mais pras alunas, porém dependendo da turma não adiante vc avançar se a base não está boa.

Beijos

Jarid Arraes Singh disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Celia Daniele disse...

Ai, Jarid, que isso! Eu sou o maior exemplo de como a dança do ventre vai além de auto-estima. Na dança, eu posso fazer e acontecer, mas na minha vida pessoal eu continuo a mesma mosquinha morta de sempre. Acho que a dança nos serve de válvula de escape, nos apresentando ou não em shows, para q ao menos durante um momento de nossas vidas, não nos sintamos feias para algo tão bonito e sensual.
Você se parece muito com a minha irmã, na forma de falar e até fisicamente, achei isso muito bom! Acho que isso também é responsável por meu "carinho gratuito" por você, além da sua história de vida com tantas vitórias!
Espero te ver mais nesse blog! E se der, tente dançar lá na Índia! Eu adoraria dançar como a Aishwarya Rai, não só a dança do ventre me encanta!

Daiane Ribeiro disse...

Oi, Celia! Desencantos com works é uma coisa que tem se repetido muito ultimamente, mais pela falta de crédito das ministradoras do que pelo avanço das alunas. É preciso explorar mais a própria intuição, criatividade, investigar possibilidades e oferecer métodos múltiplos de ensinar, para que possamos agradar a todas. Por que estamos prestando um serviço, cobramos das pessoas, além da responsabilidade e dever artístico com a dança. Coreografias são conseqüências das técnicas, e só vejo workshop de coreografia. Aí muito obrigada! Por isso acho que um dos trabalhos mais importantes do Brasil é o da Lulu. Ela é um grande exemplo em didática. Tenho no meu blog também algo sobre o mesmo assunto. Beijo!!!

Celia Daniele disse...

Isso é verdade, a maioria dos workshops é para aprender coreografias, creio que as "mestras" pensam que assim as meninas assimilarão o maior número de passos, e também acho que existem muitas outras formas de se abordar e explorar um estilo. Os passos muitas vezes ficam "presos" em uma sequência - coreografia - e para depois os explorar em novas músicas e combinações é mais difícil, exige bastante memória e criatividade da bailarina. Ou seja, ver um DVD dá no mesmo!
Acho que também não podemos colocar no workshop a "solução" dos nossos problemas, eu espero principalmente encontrar novas maneiras de explorar nosso corpo na dança, não uma sequência de passos novos e "modernosos". Mas se novas informações forem bem ensinadas, nada melhor do que sair de um workshop com a sensação de que se fez um bom investimento.
E seja bem-vinda ao mundo blogueiro da dança do ventre! Nada melhor do que encontrar e trocar ideias com bailarinas pensantes!

Heloísa Caridade disse...

Célia estou adorando seu blog, vc aborda um tema, e ele rende muito...se mais pessoas comentassem, podeeríamos ter uma mesa redonda, rsrsrs.
"mas uma nova forma de explorar nosso corpo para a dança, e assim montar nosso próprio estilo."
Eu seleciono muito o que vou estudar, se fizer um workshop comum, desses que ensina sequências coreográficas, eu estarei, sem a menor sombra de dúvidas, ali para observar a pessoa de perto, sua metodologia de ensino, suas fontes, muito mais como curiosidade de como ela cria e elabora suas sequências e repertório de passos do que os passos em si. Mas tem profissionais antenadas que já dão esse tipo de trabalho, indicando caminhos e fornecendo ferramentas paRA ACESSAR o interior e deixar a dança sair de dentro para fora, construindo a identidade. O caminho inverso da técnica, que vem de fora para dentro, o complemento perfeito! É chegada a era das vivências!

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