quinta-feira, 12 de julho de 2012

Instrumentos Musicais: Acordeão

O acordeão, ou de forma gringa, acordeón, também conhecido como sanfona, é um instrumento de ar importado para a dança do ventre. Ele não é um instrumento de sopro, pois o acordionista não usa o seu próprio ar para tocar, mas o instrumento infla e produz sons com o dedilhado nas teclas pelo músico e pela forma como este controla a entrada e a saída do ar ambiente no instrumento.

Oficialmente o acordeão é um instrumento alemão, mas dizem as lendas que existiram proto-acordeões na China e na Rússia, até chegar ao formato e estilo que conhecemos e o identificamos hoje como tal. O som o acordeão também é muito usado para caracterizar sons culturais de diversos países, sua versão romântica, a la "La Vie en Rose", sempre é aludida à França, a famosa "Parriii"; o seu som forte e intenso marca profundamente os sons culturais argentinos, os tangos, automaticamente lembro de "Adiós Noniño" e paixão transbordando em um acordeão. E para o mundo árabe? Eu vejo automaticamente melodiosidade.

O acordeão foi agregado à sonoridade árabe em meados do séc. XX, por compositores inspirados no Ocidente, alguns dizem que mais os libaneses, mas ouço tantos tarabs e músicas clássicas egípcias com acordeão, que acho que foi uma coisa mais abrangente, quem nem o som techno das músicas moderninhas da Nancy. O som do acordeão, numa música árabe, associa-se aos movimentos ondulatórios de baixo ventre. O som do instrumento, mais fechado e sentimental, não combina com braços (este que se apega ao som da flauta pela leveza e fluidez), ainda que estes adornem sempre a dança, ele encarna uma ondulação rica e inspirada no tronco e nos quadris. A ondulação, reparem, não deve ser vazia: o acordeão respira, a ondulação respira também, pausa, sente, vibra. (O vídeo da Didem abaixo ilustra bem)

O acordeão é encontrado principalmente no baladi e em taqsim nas músicas clássicas, por conseguir carregar uma grande tensão dramática, nesse caso geralmente acompanhado de ritmos de introspecção como o Wahda W Noss, Chifteleli e o Samai.

Aqui abaixo o som do acordeão numa melodia árabe:



E uma dançarina, claro: Nagwa Fouad:


E um exemplo de leitura politicamente incorreta da dançarina turca Didem:

5 comentários:

Lívia disse...

SUPER CURTI!

Primeiro pq acordeon é um dos instrumentos q mais persigo na música árabe. Ondular, ok... mas eu sou cri cri e quero ver o som no corpo da bailarina e acho o som do acordeon complexo ás vezes de fazer. Geralmente as pessoas leem com os movimentos ondulatórios o q não está errado, mas pra mim ainda fica faltando, pq eu qro q seja o movimento sinuoso perfeito pra aquele momento, no tempo, velocidade, altura, direção, perfeitos! #chata

Então já viu: eu sou péssima no acordeon! Não q eu seja boa em algum rs mas eu vivo perseguindo bailarinas que considero boas "leitoras" de acordeons pra estudar.

Segundo pq amo a Nagwa Fouad! Mas nem gosto mt dessa leitura dela. Claro que ela está linda, eu amo os braços dela, a atitude, pq amo a Nagwa mas eu sou cri cri como falei rs eu acho acordeon muito díficil!

Celia Daniele disse...

Lívia, em sua homenagem acrescentei o vídeo da Didem que tava na dúvida se ia colocar.

Bem, é isso mesmo que você disse: a leitura é ondulação, maaas, não é uma ondulação qualquer, hehe. Eu acrescentei uma descrição lá no post pra ela também, mas basicamente é uma ondulação que respira, porque o som do acordeão (eu escrevo de todas as formas, mas vou adotar a culta aqui) é um som advindo do ar, é como um fôlego que fala (poético).
Assim, a Nagwa montou a pose e leu a melodia do acordeão, mas eu também senti falta desse "tchruuuu" que ele dá, parece que ela tá ignorando, sei lá. Nesse caso, eu acho que a Didem pega bem essa parte, apesar dela quase simular um... Deixa pra lá. >D

Luísa Ruas disse...

Adorei o texto. Eu acho a performace da Didem esteticamente bonita, mas sou uma apaixonada pelas egípcias da Era de Ouro e o vídeo da Nagwa me toca muito mais. Embora talvez não haja perfeição técnica e conexão entre o movimento e a música em termos estéticos, para mim, há em termos de sensibilidade musical e artística, e assistir à performace da Nagwa me faz sentir e ser tocada pela música.
Agora, é engraçado que ao ouvir ao vídeo dos músicos eu sinto uma falta de ver uma bailaina interpretando. Estou mal acostumada! Hehe. Obrigada pelo texto. Beijo

Hanna Aisha disse...

Oi, meninas, acabei de postar sobre o acordeon também lá no blog (juro que não vi): http://hannaaisha.blogspot.com.br/2012/07/instrumentos-mais-comuns-na-dv-para.html

Acho que o acordeon é bem livre em termos de movimentos. A questão, Celia, é o que a Livia falou, a coisa de acento e velocidade que acho que faz mais diferença para fazer bonito.

Uma correção: o acordeon não aparece principalmente em taqsim, mas em músicas baladi, dentro do cadenciamento mesmo.

Beijos

Celia Daniele disse...

Oi Hanna, obrigada pela dica, acrescentei sua informação ao post.
Eu já havia visto o acordeão em baladi, mas sempre o encontrei mais nas músicas de introspecção, eu tenho uma sensação e uma leitura mais sentimental para ele, ainda que isso não impeça que sua intensidade seja lida com alegria. ;-)

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