domingo, 30 de maio de 2010

Investir é necessário...

Pelos casos que leio, e atualmente pela minha vida, tenho percebido que abraçar a dança do ventre como arte é viver de altos e baixos. Talento e paixão não necessariamente nos são suficientes para continuarmos dedicando horas da nossa vida para dançar e participar dos eventos, dinheiro também é determinante!! E quem tem tanto para "investir"?

Primeiramente, aulas! Chega um momento na vida da dançarina que a aula consiste somente numa reprise monótona de tudo o que ela já conhece, nada de novo acontece, nada de novo se aprende, e em muitas vezes ela se pergunta onde está o ânimo para continuar. Nesse momento, a dançarina tem duas escolhas: ou para definitivamente de dançar, até mesmo indo fazer outra dança, como Flamenco, Ballet, Jazz, Dança de Salão, etc (pois fazer aulas de dança do ventre não é mais um atrativo) ou começa a investir em sua profissionalização, com workshops, buscando outras professoras (para adquirir um vocabulário e uma leitura diferentes), cursos ou aprendendo novas modalidades, como folclores (dabke, saidi, khaleege dos Emirados, algo que aborde especificamente cada um deles).

Quem ama de paixão essa arte, vai querer de todo coração investir num aprendizado que acrescente à sua formação de dançarina do ventre, mas isso exige dinheiro!! No Rio de Janeiro, um workshop sai em média R$50 com professores locais. Se o profissional tiver algum renome, o workshop fica em média R$150. Agora, se quiser fazer um workshop com alguém de fora (Brasil ou Estrangeiro) em média se gastará R$500. Somando todos esses investimentos, a dançarina deverá desembolsar uma boa quantia para continuar estudando.

Vale a pena gastar? Claro que sim! Uma bailarina que estuda se aperfeiçoa cada vez mais. Mas nem todas, por mais talentosas que sejam, conseguem fundos para se manter estudando, o que geralmente acaba em muitas abstenções para o mundo bellydancer...

Além disso, a dança do ventre exige uma "aparição", a bailarina ganha muitíssimo se apresentando em mostras de dança, participando de concursos, dançando em shows, isso tudo não só faz bem à autoestima, como também acrescenta experiência, maturidade e, claro, conhecimento. Novamente gastos!! Não só com as inscrições, mas também com a roupa! Ela conta pontos, de carisma e para avaliação de sua performance também (assim como cabelo, maquiagem, unhas, dançarina do ventre tem que ser diva!)! Eu tentei fazer uma roupa pra mim, mas quem disse que tenho talento pra isso?! E paciência! Aff!

Reconheço que não é só a dança do ventre que necessita de dinheiro para o aperfeiçoamento, mas é uma prática que estudar muito não necessariamente garante um retorno. Muitas das vezes, as dançarinas pagam - e caro - para fazer diversos cursos e workshops, que no final não se traduzem em reconhecimento para elas mesmas. Aí começamos a pensar realmente se vale a pena tanta dedicação para algo que não temos certeza se levaremos adiante. Isso ocorre porque a concorrência é cruel, nem todas as dançarinas famosas são as melhores, como mesmo mostrou a Amar el Binnaz sobre a Rania nos EUA. Mas quem não tem os tubos para gastar, deve desistir?

Nesses últimos dias eu estava dando "adeus" à dança do ventre, mas novamente me puxaram de volta. Coisas típicas que acontecem comigo: estava eu numa festinha, pediram pra dançar. Tentei fugir (começo a pensar que vou carregar ao menos um xale de medalhinhas na bolsa quando for a uma festa, nunca estou preparada!!), mas lá fui eu dançar "Ya Helou Ya Zein" do Tony Mouzayek, todo mundo se animou, meu amigo, Karif Savah, que faz dança árabe e cigana foi dançar comigo (primeira vez que danço com um parceiro!), foi um encantamento geral! No final, Karif me disse: "Celia, não desista! Olha como eles gostaram!". Isso me comoveu, acho que vai demorar uns séculos para eu estudar tudo o que quero, com o Tito do Egito, com a Lulu From Brazil, com a Orit Maftsir, mas vou continuar na área, eu quero continuar...

O foco passa a ser, portanto, a determinação. Infelizmente não tenho como investir na minha formação como gostaria, mas vou fazer de pouquinho em pouquinho. Não tenho a intenção de ser uma estrela mesmo, acho que não fará diferença se eu alcançar meu objetivo em 20 anos, hehehehe. Pras meninas em crise como eu, espero que possam se motivar a permanecer na dança do ventre, vamos estudar coisas novas por DVDs, aprender passos novos no youtube (sou expert nisso!), pois se a dança te faz tão bem, te faz feliz e deixa as pessoas ao seu redor encantadas, não desista!


Se alguém tiver me filmado, coloco aqui!

7 comentários:

Vera disse...

Célia, vc não precisará ir até o Egito pra fazer um work com o Tito. Ele virá a São Paulo em novembro para o FIEL, um festival de works e shows promovidos pela Escola Luxor. Entre no site da escola. Não tenho o link, mas vc acha no Google. E aproveite para fazer uma aula avulsa com a Lulu. Estou em uma turma avançada dela às sextas-feiras. É claro que não vai desistir... Bjos.

Celia Daniele disse...

Eu seiii, snif snif! Vou começar o quanto antes a jogar meu charme pro meu marido para ele ser mais generoso, pois gostaria muitíssimo de ir ao FIEL esse ano! Estou desempregada, terminando a faculdade, infelizmente essas coisas de dança do ventre são "luxos" pra mim, por mais desejosa delas eu esteja!! O problema é que não pago só o FIEL, mas a passagem, a hospedagem, várias cositas!
A Lulu vem 1 vez por mês ao Rio, no Espaço Mosaico, eu soube já! Pensei seriamente em fazer aula, vamos ver se convenço o maridão a me "dar de presente", hehehe.
Inshallah!!

Hanna Aisha disse...

Querida Celia
enquanto somos alunas, essas crises não são nada comparadas às crises quando se é profissional pois daí vc tem alunas, algum reconhecimento, trabalho.
Sim, a DV é uma arte cara, todas nós sabemos disso. Então, pq continuamos fazendo? Pq simplesmente amamos o que fazemos.
Portanto, relaxa; a melhor coisa que eu fiz foi ser despretensiosa desde o começo.
Beijos mil

Virginia Njainne disse...

Poxa Célia, em primeiro lugar sei que todas nós temos esses momentos de crise na dança do ventre e acontece da mesma forma com todas: quando a gente pensa em largar, algo nos puxa de volta exatamente como aconteceu com você. O que tenho a lhe dizer pois lhe conheço e conheço de perto sua dança é que não deixe que a pior parte da dança do ventre, que é a parte material e comercial impessa sua jornada. Você tem um talento intrinseco e nunca me abstive em te falar isso. Nào desista pois apesar das dificuldades você tem mais talento do que muitas sem dificuldades e na mídia por aí! Palavra de quem já quase desistiu várias vezes. E lembre-se: o reconhecimento daqueles que estão no meio nem sempre é a palavra certa sobre a qualidade da sua dança, pois infelizmente uma série de egos estão envolvidos na dança do ventre hoje em dia. Estudar pelo youtube é uma boa opção e barata! Continue sim e saiba que será sempre bem vinda à nossas aulas!
beijinhos

Celia Daniele disse...

Oi Virgínia! Obrigada de novo! Eu já te disse que você é um anjo, não é mesmo? Hoje estou em crise porque não vou ao show da Orit Maftsir, mas creio que vou superar isso...
Pode esperar que eu voltarei à nossas aulas!hehe. Mas antes acho que vou fazer yoga pra ganhar alguma elasticidade, fiquei de cama dois dias por um jeito na lombar! Bailarina enferruja, só parar de dançar que tudo trava, hehehe. Bjos!

Heloísa Caridade disse...

Chega uma hora que nenhuma aula, nenhuma professora, por melhor que seja, nem workshop algum, nem mesmo nas raras exceções com profissionais diferenciados e poucos alunos, nem mesmo assim vem algo de novo, ou que absorvamos e que vá mudar nossa dança! Será que esta responsabilidade está mesmo em algum lugar fora de nós mesmas??? Será que algum mestre vai construir em mim uma arte e estilos próprios, que quando alguém veja duga: Isso aí é "fulano de tal" isso tem a assinatura do artista tal. Como quando vemos um grupo de dança brasileiro e não precisa saber o nome, pela dança vc diz: é Débora Colker, é grupo corpo, é cia quazar, etc....Isso é um trabalho pessoal do ARTISTA, CONSTRUIR SEU ESTILO, E DEPOIS QUE VC JÁ TEM ISSO, COMO FATIMA FONTES e ansuya, POR EXEMPLO, vem o mais difícil, se renovar dentro do seu próprio código !

Heloísa Caridade disse...

Se vc já está assim, assuma essa responsabilidade, pegue o que já sabe e recrie, dê sua leitura, experimente de várias maneiras e vá assim construindo sua linguagem cênica! Boa sorte, o caminho é muito prazero tb! Acredite, pode ser! E é barato, aliás, de graça!

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