sábado, 31 de outubro de 2009

Instrumentos Musicais: Derbake

Música árabe sem derbake? Até existe, mas o som deste instrumento é a essência de uma música árabe, ao menos para nossos ouvidos ocidentais!

Este instrumento proveniente do Oriente Médio (alguns dizem que do período neolítico!), possui variações de nomes e de estrutura dependendo da região e do país em que se situa. Segundo o derbakista Pedro Françolin, por exemplo, derbake, derbak, durbak ou dirbakki são nomes utilizados na Síria, Jordânia, Líbano e Palestina. Já Tabla é o nome egípcio, sendo um instrumento semelhante ao derbake. Na Turquia seu nome é Darbuka, também diferente do derbake original em sua estrutura, por ter aros e parafusos de afinação em seu interior; e por fim, no Iraque, ele é o Dunbug ou "tabla iraquiana", que diferentemente dos demais que possuem 15 cm de comprimento de pele, ele possui 3 cm, servindo para entoar o soudi, ritmo tradicional iraquiano.

O derbake pode ter o corpo de madeira, barro ou madrepérola. Os primeiros são os tradicionais, forrados com pele de animais, entretanto esse tipo de pele possuía o inconveniente de necessitar aquecer o instrumento para afiná-lo quando o clima estava frio. Hoje existem derbakes com forro de pele artificial de nylon ou então com estrutura de alumínio, ainda assim é possível encontrar com pele de carneiro ou de peixe.

Cada região do derbake é específica para um som: DUM é no centro, TA ainda é na pele, mas no canto, e o KA é no corpo, na borda, seu som precisa ser o mais estridente. O derbake, como todo instrumento de percussão, é quem dá o ritmo da música, essencialmente todo derbakista deve conhecer os ritmos, mas ele também pode florear, isto é, entre uma frase e outra, o derbakista pode inovar com frases mais elaboradas, alterar o tempo da batida e até mesmo inserir batidas sem se atrelar a qualquer ritmo.

Quando a dançarina está num solo de derbake, ela e o derbakista precisam ter uma conexão, algo como "pergunta e resposta". O ritmo que o derbakista "produzir" precisa ser interpretado pela bailarina, e eles podem tanto estar em sintonia como estarem se confrontando. Eu digo isso porque já vi muitas bailarinas sendo realmente "desafiadas" num solo de derbake! Como minha professora dizia: "Se o derbakista não for com a sua cara, você está 'perdida'!" (não exatamente com essa palavra...)." O que ele tocar deverá ser automaticamente lido, então ele pode desafiar a bailarina com as nuances e os ritmos mais escabrosos. Para não passar por um momento "no limite", é bom conhecer os ritmos para saber identificá-los e dançá-los corretamente, assim como ter calma e saber "disfarçar" com aquela tremidinha lenta básica ou uma paradinha charmosa quando o ritmo não estiver evidente, ou for um floreio. Nada de cara de "ai meu Deus", o sorriso dá a impressão que você está linda, leve e solta, mesmo que esteja querendo esganar o derbakista.

Aqui abaixo o derbakista Joussef Bichara em um solo extremamente floreado. Tentem dançar ouvindo o vídeo pela primeira vez, e percebam se o ouvido de vocês está afiado nos ritmos e nos floreios! Boa Sorte!



E claro! La diosa: Saida! Abalando no solo de derbake!

2 comentários:

Melissa Souza disse...

Confesso que antes das aulas de Derbake começarem eu detestava esse ritmo! (até porque tem uma garota da minha sala que consegue dançar perfeitamente, o que faz com que nós parecemos umas velhinhas com formigas na bunda).
Mas depois que a professora nos ensinou os movimentos, a importância de acompanhar a batida e nos mostrou algumas dançarinas de derbake profissionais, nossa, adorei!
É quase que um desafio dançar ao som de derbake (isso que me anima).
Mas, pessoalmente, ainda prefiro um ritmo mais lento.

Celia Daniele disse...

Olá Melissa! O derbake não é um ritmo, ele é um instrumento de percussão usado para marcar qualquer ritmo na música. Todas as músicas árabes tradicionais e clássicas possuem um instrumento de percussão marcando o ritmo, o que indica a variação da música (deslocar, parar, taqsim, etc).
Um solo de derbake não é um ritmo, na verdade são variações de vários ritmos mais floreios (improvisos do derbakista) que a dançarina deve ler e interpretar com a dança. Para cada ritmo há um tipo de leitura diferente, você pode ver mais sobre isso aqui: http://www.dancadoventrebrasil.com/2010/02/ritmos.html

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