domingo, 19 de agosto de 2012

Música Clássica: Raks Mimi

A segunda música que vamos apresentar por meio do trabalho de diversas dançarinas é Raks Mimi. Essa música por sinal vai cair na prova do sindicato das dançarinas do ventre do Rio de Janeiro esse ano, e foi dureza de achar vídeos (alguém tem um vídeo de uma brasileira?).

Didem
A dançarina turca - que sempre faz o estilo femme fatale - apresenta uma leitura rica em acentos, mas atropela a introdução dançando na mesma, antes da chamada da bailarina (eu fico pensando se o respeito à introdução é uma obrigatoriedade, pois vejo muitas dançarinas famosas dançando nele). Eu prefiro respeitar porque a introdução me parece mais coerente pela própria estrutura da música clássica
A música da Didem tá bem editada, e não vemos a finalização da música, que é a repetição da introdução.


Arena
A dançarina inglesa entra depois da chamada da bailarina, demora um pouco pra se livrar do véu (para mim é se livrar mesmo pois ODEIO véu),  mas desenvolve bem, aproveitando bastante os giros, que são uma arma secreta quando você não sabe bem o que fazer entre um movimento e outro. No minuto 3:30, há uma variação na música, que primeiramente identifiquei como soudi e até há pouco tempo acreditava ser, mas agora me passaram que deve ser um malfuf. O que acham?


Grupo Shahdana
Achei muito lindo, e tem várias ideias para um solo: todas bem sincronizadas e limpas, algo raro de se ver em coreografias de grupo.


Lorena Sedran
Uma dançarina super leve, me lembrou a Aziza, americana como ela. Mostra que leveza e precisão independem de um corpo magro. Ela emenda a música com um derbake.


Zahira Razi
Uma brasileira, eureca! Obrigada Anisah, pela dica. Aqui temos uma preocupação maior em atender aos momentos da música: deslocar, parar, tremer, etc, bem como as dançarinas preciosistas gostam. Aqui ela leu o khaleege do soudi, acho que nessa versão da música ele está bem com cara de soudi. Oh céus, o que acham?

8 comentários:

Anônimo disse...

Poxa em nenhum dos videos leram com a intencão mwasharat que se repete tanto na música. E pelo sindicado não tem khaleege na música não :(

Celia Daniele disse...

Olá anônimo,

Muwashahat seria o masmoudi saghir que vem logo após a introdução?

No caso do khaleege, aos meus ouvidos parecia o DUM TAKATA do Soudi, quando passei para minha professora, ela disse que era, mas se é um Ayoub, eu conserto minha interpretação, só preciso ter certeza, com as opiniões das pessoas que passarem aqui.

Anônimo disse...

Oi flor! Isso msm , é um masmoud kebir, com o saghir nao pode haver mwasharat. Há uma subida na orchestra justamente nos últimos dums, aí lemos com a intenção mwasharat.
Sobre a outra parte que o sindicato não considera khaklege, a leitura recomendada sao passos que acompanhem a base 2, acompanhando com os bracos a leitura da flauta, ou com o corpo com movimentos sinuosos. ;) eu acredito que seja um malfuf, pq você pode escutar que o ritomo que continua na parte anterior se prolonga, porém com a flauta solando por cima.
Beijoss

Celia Daniele disse...

Ah sim, obrigada, seus comentários foram de grande valia.

Eu acreditava que era masmoudi saghir porque parece muito com o baladi, só q lento, enquanto o kebir dá uma taka taka ta a mais no final; mas é a vida, vivendo e aprendendo.

No caso da minha dúvida do khaleege, ele faz dum takata, aos meus ouvidos deu aquele feeling de fazer um movimento mais cadenciado, diferente do malfuf q me parece mais seco, q dá a sensação de andar mesmo.

Eu fiquei foi seca por uma dançarina brasileira pra ver aqui, até pq as brasileiras q parecem mais cri-cris com essas regras, e daria para explorar mais pra provas.

Celia Daniele disse...

Ah é, agora que pensei: se o muwashahat é um folclore criado nos anos 70 inspirado nas poesias de al-andalus, ele poderia ser aplicado a músicas clássicas compostas antes dele?

Anisah Parvaneh Bellydancer disse...

Oi, meninas! Então, tem uma amiga minha, que aliás é uma das bailarinas que mais respeito aqui no sul, dançando essa música, mas em outra versão:
http://www.youtube.com/watch?v=wHA4nqTWovU

Ela até faz uns trejeitinhos de khaleege, mas na MINHA opinião, não tem khaleege nenhum nessa música, pra mim é um malfuf ou coisa que o valha. Digo isso porque danço na terra dos Khaleeges e me parece, para o que meus ouvidos estão acostumados, que o khaleege tem uma pegada mais lenta e cadenciada, o pessoal dança "curtindo uma viagem", às vezes mal saem do lugar. Aliás, adoro khaleege. Talvez essa minha amiga, que é uma pessoa que respeito horrores, dançasse diferente se fosse hoje (o vídeo é de 2008). Não sei.

Bem, eu achei bem interessante a pergunta da Célia, sobre a aplicação do Mowashahat nas músicas clássicas mais antigas. Até porque de Mowashahat não entendo lhufas!

beijinhos

Marcela Castro disse...

Bem legal o post ...Amei...mas sobre a Didem "atropelar" a introdução não acho errado...até a Dária Mitskevich costuma fazer isso em algumas musicas...e acho q algumas músicas não têem essa exigencia de esperar a Intro acabar...no caso dessa música e da versão q Didem dançou a Intro é bem marcada...Então seria pecado deixar de lê-la...Na minha humilde opinião

Hanna Aisha disse...

Oi, Celia

percebi duas versões diferentes: o da Lorena e do grupo e o da Zahira. Nos dois primeiros, é um laff (malfuf) para mim e no outro me parece um soudi. Como o 3 comentário disse, é uma leitura de 2 tempos, que pode ser utilizado para deslocamento.

Baladi 2 = masmoudi saghir, por isso sua confusão.

Odiei a leitura da Didem, como quase sempre, mas não vejo problema em dançar na introdução. Mas eu mesa não faço porque o conceito da rotina não "permite" isso.

Beijos

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