sexta-feira, 25 de junho de 2010

Lola e o Egito: Tá a fim de dançar no Cairo?!

Finalmente consegui assistir ao filme "Tudo que Lola Quiser", que já comentamos aqui. Para quem não sabe, o filme fala sobre uma americana que vai para o Egito e se encanta com a dança do ventre. Apesar de mostrar tanto o lado bom quanto o ruim da dança do ventre por lá, a sensação que temos no final do filme é: AHHH, eu quero dançar no Egito também!!

Bem, a partir de agora, vou tentar ser o menos possível SPOILER, mas quem não quer saber nadica de nada do filme, NÃO LEIA!

O Egito de Lola não é plenamente fantasiado, como muitos críticos apontaram. Nós vemos o submundo da dança do ventre, a clara associação da dançarina do ventre à prostituição, a pobreza do Egito e, sobretudo, como a sociedade egípcia é conservadora e repressora com a mulher. A personagem de Ismahan, professora de dança de Lola, mostra perfeitamente como os erros ou os desvios de conduta de uma mulher jamais são esquecidos, independente de quem ela seja, uma famosa artista ou uma simples qualquer.

Isso me refletiu o que a Nawal Al Saadawi, médica egípcia e autora de diversos livros sobre a mulher muçulmana, fala sobre a situação das mulheres egípcias. É exatamente o que me causava a estranheza ao ver dançarinas tão bem-sucedidas por lá, como a Soraia Zaied e a russa Noor. A palavra feminina vale menos que a do homem, e uma mulher respeitável está sempre sujeita à sua família, seu corpo não é sua propriedade, mas a propriedade da sua família, sobretudo de seu pais e de seus irmãos. Qualquer suspeita de desvio de conduta, a punição não se resume ao ostracismo, mas à morte.

Claro que Nawal fala de uma sociedade egípcia dos anos 70, mas algumas coisas ainda refletem como essa "liberdade" feminina não é acessível a todas as camadas sociais. É o que vemos no filme, na baixa camada da sociedade, as únicas mulheres que vemos independentes, atuando na sociedade, são prostitutas/dançarinas, agora na alta camada, quanta diferença!

Nessa parte, o affair de Lola, Zach e sua família demonstram muitíssimo bem como a mulher rica se coloca na sociedade. A prima de Zach e sua irmã saem sozinhas, fazem compras, mas são extremamente ingênuas, é como se vivessem numa redoma de vidro. E a dança do ventre?! Menina, a dança do ventre para os ricos é arte, só que quem dança não são todas as mulheres. Isso me lembrou muito os meus amigos egípcios, eles adoram a dança do ventre, mas a sua noiva/esposa/namorada/amiga dança pro seu respectivo cônjuge ou numa festa privada de mulheres, nada de exposição da figura! Eles não se incomodam de ver uma mulher dançando, desde que não seja a sua!

Pelo que vemos no filme, existe a nata da dança do ventre, que a dançarina é reconhecida, é festejada, não só por turistas, mas por egípcios mesmo, pela alta sociedade. E existe o submundo, a dança do ventre para o povão, em que a dançarina se não se prostitui, corre o sério risco de ser confundida como tal. Será que todas as dançarinas que vão para o Egito têm acesso à dança do ventre como arte mesmo?

Ser dançarina do ventre pra mim já é o máximo, eu adoro! Mas ver no filme uma dançarina do ventre tão festejada como um astro pop, nossa dá mó vontade de ser igual! Quem não viu o apart-hotel da Soraia Zaied no Fantástico? Que escândalo, muito chique! Ela casou com um egípcio ainda! E ela ainda fala em como é seguro andar pelas ruas do Cairo de madrugada. Pelo visto, o problema não é dançar no Cairo, mas onde dançar no Cairo! E como a Soraia falou: você tem que criar seu estilo para fazer sucesso. O dela foi misturar axé, funk e samba à dança do ventre... Tem gente que canta, tem gente que fica seminua, tem gente que chora dançando, o que podemos fazer? Recitar poemas de Ibn Said?!

Aqui a entrevista de Soraia Zaied no Fantástico, para quem não viu. E aí? Alguém interessada em ser bem-sucedida dançando?

11 comentários:

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Eu também vi o filme e adorei, até comentei um pouquinho no meu blog.
O problema é que a única versão que encontrei não era legendada. A versão que vc assistiu era? Vc pode me passar onde encontrou?
Eu consegui entender o filme, mas gostaria de ficar mais por dentro dos diálogos, perdi muita coisa porque só sei o basicão do francês e a versão que vi era nesse idioma...

Bjus

Celia Daniele disse...

Eu vi com legenda em espanhol. Tem aqui: http://www.4shared.com/file/OZzLhCi9/196324.html

disse...

Também assisti...muito gostoso assistir filme sobre dança do ventre!
E a Soraya, vida chata a dela, neh? rsrsrs

disse...

Ah! Mas o melhor na minha opinião é "Minha mãe é uma dançarina do ventre" filme chinês...Não tem uma visão tão romantica, mas é lindo!!!
Ótimo!!!

PriX disse...

Meninas, onde eu acho esse filme para assistir????

Celia Daniele disse...

Olá Prix, desculpe a demora! Olha, eu consegui o filme com uma amiga, mas perguntei a ela, e ela disse que foi de outra amiga, hauha. É um ciclo interminável!

DRICCA disse...

Olá

Fiquei curiosa para assistir o filme então sai a busca, meu marido depois de uma grande procura achou na internet, está baixando para mim e está demorando! outra coisa ele só achou com legenda em espanhol.
beijos

Clair de Lune disse...

Já procurei pra locar na minha cidade que é no interior de SP e nada! Pra baixar só achei em sites pagos, nenhum free ...por isso ainda não me aventurei!! Se alguém puder ajudar ...

Celia Daniele disse...

Veja nos comentarios deste blog: http://kheralah.blogspot.com/

Rubi disse...

contar uma fofoquinha.
conheci uma bailarina brasileira q fez muito sucesso no Libano, ela me dizia que uma tal cantora famosa do Libano era doidinha, eu a forçava mas ela nunca me dizia que tipo de doidinha era, mas minha impressão "estilo Madonna", isso me fez ter a impressão da mesma da matéria, a sociedade é muito mais conservadora nas classes pobres.

Rubi disse...

contar uma fofoquinha.
conheci uma bailarina brasileira q fez muito sucesso no Libano, ela me dizia que uma tal cantora famosa do Libano era doidinha, eu a forçava mas ela nunca me dizia que tipo de doidinha era, mas minha impressão "estilo Madonna", isso me fez ter a impressão da mesma da matéria, a sociedade é muito mais conservadora nas classes pobres.

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