quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Primeiros Passos de Jade el Jabel


Gente, é emoção PURA! Nossa entrevista de hoje é com uma Mulher (com "M" maiúsculo) de difícil apresentação! Ela já fez tanta coisa nesta vida e é uma figura tão admirável, que é difícil apresentá-la em poucas linhas. Jade nasceu artista! Antes do seu encontro com a Dança do Ventre, estudou música, literatura e outras formas de dança. Em 1991 surge então a Dança do Ventre no seu caminho, na casa de chá egípcia Khan el Khalili. Hoje é uma das grandes bailarinas desta mesma casa onde iniciou seus estudos. Sua primeira professora foi Layla. Em paralelo a Dança Oriental, Jade estudou Ballet Clássico e Moderno, além de ter aulas de língua árabe (o que prossegue até hoje). Jade desenha, esculpe, escreve, produz eventos.. tanta coisa que fica difícil enumerar. Em 2007, em parceria com Tony Mouzayek lançou seu primeiro DVD didáticoJade El Jabel – Interpretando Om Kalsoum”. Jade participou até de documentário sobre a Dança do Ventre na França. Leiam, leiam e leiam de novo a entrevista abaixo!! Existem mensagens muito boas nela, coisas que só podemos ver em alguém com maturidade, experiência, ética e amor ao que faz. Aproveitem, pois com vocês: Jade el Jabel!!
Porque você começou a dançar a dança do ventre?
Como é comum a muitos artistas, foi meio sem-querer. Eu demorei muito pra querer ser bailarina e, somente depois de 15 anos de profissão foi que decidi – por falta de tempo pra fazer as outras coisas, apenas! – “viver” de Dança do Ventre. Uma amiga de uma amiga, num jantar, comentou “Jade, fui num lugar q achei a sua cara! Tem Dança do Ventre!!!" – com muitos pontos de exclamação, já q era 1991 e isso era uma coisa da qual pouca gente havia ouvido falar – e eles têm aula” e me deu um cartão da Khan El Khalili. Fui fazer aula pra experimentar, me apaixonei pela professora, pela música e pela língua! Daí, como tinha meia dúzia de bailarinas no Brasil, funcionava assim: Se você tivesse figurinos, cabelo comprido, um corpo “em ordem” e soubesse fazer meia dúzia de passos mais, claro, um pouco de cara de pau, começava a trabalhar... Eu, inclusive, não queria, não... Tinha preconceito, porque eu me julgava “muito intelectual para trabalhar com o corpo”, mas minha Grande Mestra Layla me disse: “Você quem sabe... você pode fazer agora ou virar a ‘rainha do baile da terceira idade’ mas a dança tá em você e você não vai ter por onde fugir!”. O resto da história é esta que vocês têm acompanhado.
Como foram as primeiras aulas?
Sinceramente? Me lembro de ter achado tudo muito gostoso e fácil de fazer – doce ilusão de Iniciante!. Me lembro de tudo! Do perfume da Layla, do modo como ela se despia com naturalidade na nossa frente, como era possível ser linda aos 38, 39 anos (a idade dela na época), de como era lindo e bom ser mulher, ruiva, tatuada e sem filhos depois dos 30 (“coisa” na qual me transformei também), lembro-me da primeira música que ouvi (“We eh, Yani” do Amr Diab), do cheiro da Khan el Khalili... Mas, sequer passava pela minha cabeça “ser bailarina”, eu queria aprender a dançar e dançar muito bem! Foi instinto, intuição...
Quais eram as suas dificuldades e como você as superou?
A primeira profissão que me interessou na vida foi de “Chacrete” (RS...) eu nunca tive vergonha de aparecer, estive minha vida inteira envolvida com arte e artistas, minha família é cheia de violeiros (somos do Interior do Paraná) e o mundo dos adultos nunca foi proibido pra mim, trabalho desde os 12 anos, não tive tempo, nem oportunidade de ter medo de me expressar, estudei música, me apresentei (cantando!) em festivais e continuo cantando nas “festinhas de família”. Venho de uma família de homens (muitos homens...) e ser mulher sempre foi um valor, uso batom e salto alto desde que comecei a andar, meu pai achava lindo, etc. Então “demonstrar feminilidade” e coisas afins nunca foi tabu pra mim... As dificuldades que tive vieram no início da minha carreira. Em aula, nunca, porque eu tive a melhor professora do mundo e ela, simplesmente, não permitia q isso acontecesse, sabe? Era um outro tempo, uma outra dança, era tudo muito mais intuitivo, e coisas mais “complicadas” como, por exemplo, as vindas do ballet, não somente não eram comuns, como meio que “pegava mal” usar... Era “isso não é dança do ventre!”, diferente de hoje que, gostando ou não, tem q saber. Difícil foi lidar com a vaidade, fofoca, ciúmes, falsidades, etc, etc, etc... porque estas coisas não faziam parte do meu mundo e não falo das coisas só nos outros, não! Falo das coisas em mim! Me decepcionei demais comigo mesma e com as pessoas, ter gente que “mal conheço” achando isso ou aquilo a meu respeito, isso foi muito dolorido. Hoje em dia, 20 anos depois, claro que não! Já tenho antídotos, defesas e, principalmente, muito senso de humor pra lidar com isso. Dificuldades técnicas? TODAS! E ainda tenho, cada hora é uma coisa que tem que melhorar ou resgatar ou segurar...
Uma história peculiar sua com a dança do ventre.
A Dança do Ventre nunca foi pra mim uma coisa “terapêutica” ou “curativa”, sabe? Muito pelo contrário! Foi essa dança e suas peculiaridades que me mandaram pra terapia e não o contrário! Porque lidar com gente, com fama, etc, dá o maior trabalho! Eu sou uma máquina de trabalhar, sempre fui. Com tudo que trabalhei (e como trabalhei!!!) antes e durante minha carreira de Bailarina. Eu administro Dança do Ventre como administraria Odontologia, caso eu fosse dentista. É preciso aprender com quem tem mais experiência do que eu e, ao mesmo tempo, estar de olho em tendências, na direção que a Dança tem no mundo, então eu faço o que tem que ser feito: Estudo todos os dias, amo o que faço (e não “faço o que amo” que é bem diferente!) e faço questão absoluta de ser competente, muito competente, inclusive, como um modo de “compensar” o fato de não ser, nem nunca ter sido uma moça boazinha que faz o que as pessoas esperam de mim. A meta a ser quebrada é a minha, a maior concorrência, eu, os erros e acertos da minha carreira, meus. Então é isso: Competência, seriedade, profissionalismo e, sim, podemos dizer que é uma história “peculiar”, já que boa parte das bailarinas que conhecemos diz que faz e deixa de fazer isso ou aquilo , assim ou assado ou deixam de fazê-los porque o mercado ou sabe-se Deus quem “exige”. Mentira. De acordo com as prostitutas, ou boa parte delas “Qualquer mulher na sua situação também se prostituiria”. Mentira. A pessoa, simplesmente está ou não à venda, todo e qualquer tipo de “venda”. Eu? Não, obrigada!


Um recado para quem está começando ou continua estudando.
Estude, estude, estude, estude... Não escolha nada de acordo com o que está na moda porque a moda passa. Acredite no que você gosta, não se abandone, não desista, não saia da frente do espelho, não perca seu tempo vendo bizarrices no YouTube, não tente entrar no mercado “pela portinha dos fundos”... não existe “esquema” nenhum e os que existem não prestam, o preço é muito alto e não precisa. Comporte-se, tenha classe, elegância, sempre, deixe seus pais orgulhosos de você, alongue-se, cuide da pele, do cabelo, do corpo, alimente-se e durma bem, o melhor possível. Sinta por você o que você espera que o público sinta! Acredite: DÁ, SIM!!!
Muito obrigada! Com amor e Com Deus! Jade El Jabel.
*
Visitem o site da Jade que é um arraso de lindo e saibam mais sobre esta artista do nosso país: www.jadedancadoventre.com.br

O antes e depois de Jade el Jabel
(Não sabemos a data)
2011
Para conhecer mais, o documentário que Jade el Jabel participou. Aproveitem.

6 comentários:

Teacher disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Teacher disse...

Amei saber sobre estas coisas! A Jade é uma das grandes mestras sem dúvida!

gicosta disse...

Celia..... amei o post....

Anônimo disse...

Ela é perfeita, esteve no espetáculo da minha escola de dança como convidada,além de uma bailarina divina é muito simpática e tem muiita classe ! Parabéns pelo post.

Hanna Aisha disse...

ADOOOOOOOOOOOOORO!

Danyellen disse...

Que lindo *-* Sempre tive vontade de estudar dança do ventre , mas sempre existiu quem fosse contra, dizendo isso e aquilo da arte. --' Agora vou correr atrás =)

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