domingo, 11 de março de 2012

Dança do Ventre não é Culto à Deusa!!!

Estou fazendo um alerta muitíssimo sério: cuidado com os workshops que rolam por aí de dança do ventre! Dança do ventre não é religião, nunca foi, ela é uma modalidade de dança com regras, estilos e ritmos próprios. Acredito que todas saibam perfeitamente disso, mas tenham cuidado para não encontrar pessoas "super gabaritadas" que vão soltar o maior papo de matriarcado e deusa-mãe para deturpar toda a ideia que a dança do ventre tem como arte.

Hoje eu tive uma prova inefável disso: meu pé torcido, beleza, fui num workshop de uma dançarina das antigas, que estava morando no exterior. Falaram tanto dela, e como era barato, me matriculei para fazer, mas ninguém sabia de nada do conteúdo do workshop. Eu até mandei mensagens pros organizadores, mas nada. Ok, pensei, ruim não deve ser, no máximo algo descartável. Eu tive foi uma surpresa bem desagradável!

Primeiro que, me irrita profundamente falarem de orientalismo sem saber o que é orientalismo! Gente, orientalismo está longe de ser uma coisa boa, é uma visão preconceituosa do Oriente, uma visão que pega várias culturas de diversos povos, países, e junta num saco só e diz: Oriente! Que imagina esses mesmos lugares como fantásticos, misteriosos, esotéricos, sendo que não são! É a visão do explorador europeu, que usava a argumentação de que o Oriente era primitivo para justificar a sua dominação.

E ora, ora, não é isso que a muitas dançarinas ainda fazem? A dança do ventre não pode ser cultura árabe ou mesmo uma construção ocidental, mas um culto à deusa-mãe na era do matriarcado (primitividade). Só que uma dança vista como parte da cultura de países islâmicos e cristãos, poderia ser uma dança pagã de culto à Deusa?! Cara, é claro, óbvio, que não!!! Se formos olhar a origem da dança de maneira geral, poderíamos dizer que TODAS as danças surgiram na pré-história e foram moldadas ao longo do tempo. Por que só a dança do ventre precisa ser algo primitivo? Tá na cara que é uma visão orientalista do Oriente! O Oriente primitivo, selvagem, sensual, esotérico, e por aí vai.


Também é sabido que a dança do ventre veio até nós por meio do orientalismo, e que ela surgiu no séc. XIX mais ou menos da maneira que a conhecemos hoje em dia. Mas já está na hora de superar isso, não? Está mais que na hora dela ser prestigiada como modalidade de dança e cortar essas amarras que a associam a uma imagem preconceituosa do Oriente, esquecendo e negando a cultura em que a dança se desenvolveu, que é a cultura árabe, e buscando uma origem totalmente nebulosa da pré-história. Além disso, todos podem ter a sua religião, mas divulgar como conhecimento científico e comprovado que a dança do ventre é um ato religioso, um culto à deusa-mãe - como ouvi hoje: "a minha deusa interior seduzindo você" ui - é falta de respeito! A dança do ventre não é ritualística e nunca esteve ligada a isso desde que surgiu no séc. XIX. Se antes havia uma dança ritualística, em quantas facetas ela se dividiu e como ela chegou até nós? Será o tango ritualístico? Ou o samba? Por que insistem na dança do ventre?

22 comentários:

Lívia disse...

Eu particularmente sempre enxerguei a dança do ventre como uma modalidade de dança, nada além disso. Alias acho bem chato esse papo. Mas, msm sendo uma modalidade de dança, tbm não descarta a possibilidade de vc usá-la terapeuticamente, religiosamente...só acho ruim vc divulgar isso como A verdade da Dança do Ventre... Tipo, criticar ouras pessoas que nao acreditam ou usam a dança como terapia/religião/rito/sei lá mais o q. Na verdade é bem complexo isso se pensarmos em cada desdobramento desse assunto de culto a Deusa-Mãe e a dança do ventre... Qm defende isso tem q ser coerente tbm.. EUUUU acho esquisitissimo ver alguem falando q DV é uma forma de culto a Deusa e sei lá, participar de concursos. Pra mim isso é incoerencia total, nao combina...

Tem espaço pros dois como disse e o negocio é o pessoal ver q nenhum dos dois é ruim, desde q haja respeito e coerencia pra nao ficar esse balaio doido que é a dança do ventre ate hoje. Quem está dentro até entende as diferenças..mas qm está fora sempre fica sem saber de fato o q é o q...e ai sim isso me incomoda em relação a DV. Pq ja esta mais q na hora de isso ser resolvido. E isso começa com todas as praticantes.

Celia Daniele disse...

Sim, Lívia, infelizmente as próprias dançarinas insistem nesse modelo de dança do ventre misturada a religião e misticismo, o que só a desprestigia. Quando nós nos apresentamos como dançarinas do ventre, a imagem que todos trazem é essa malfadada do orientalismo e por mais que nos esforcemos em construir uma imagem sólida e profissional, outras dançarinas insistem em fazer o contrário. Lamentável.

Aline disse...

Bom, que a dança do ventre é foco de preconceito isso todos sabem. Ela merece respeito assim como qq dança étnica! Faç parte de uma grande escola de dança do ventre e tbm de uma escola de dança espanhola.....e sempre me pergunto....qual a diferença das duas?? E chego a conclusão...nenhuma!!! As duas são danças movidas de cultura de seus países de origem, porém a dança espanhola ganhou um expressão absurda em concursos de dança, ganhando título e a dança do ventre parece q ficou estagnada. Ao ver uma boa bailarina mostrando a arte da DV em um programa de TV brasileiro onde escolhesse bailarinos p uma competição eis q tomo um susto ao ver um dos jurados falando: "nossa sua vestimenta é linda, seus movimentos tbm, mas não é isso q queremos p o programa" eliminando assim a mesma. Minha pergunta é...PQ? Vemos muitos professores conceituados mesclando ritos a dança e de fato em alguns casos isso pode ser válido, mas religião não pode ser confundida com ritos. Uma coisa não tem nada haver com a outra. Exemplo...os ancestrais dessa querida terra brasileira, já se utilizavam da dança p cultuar, festejar, mas não era tido como religião, e sim rituais. Um grande equivoco q vejo, muitas vezes é trazer a cultura pagã p a dança do ventre com o intuito de "cultuar a Deusa" mas na verdade (o q entendo), é q tentam resgatar a cultura da mulher e seu íntimo, conhecendo seu corpo e sabendo analisar o q ele diz, e muitas vezes as pessoas se perdem no meio do caminho e misturando tudo com ose fosse uma massa de bolo e vai desandar.....e desanda mesmo. Danças culturais vem atreladas a cultura de origem, incluindo a religião, porém com coerência, mas esse "bundalêlê" de dança do oriente e cultura pagã não vejo a ligação. Dança é técnica, disciplina e empenho, religião é crença e fé.

BrunnoBoy™ disse...

Eu discordo. A dança do ventre é mais que uma dança, é um estilo de vida, e creio que muitas bailarinas e bailarinos que a praticam, a tem, praticamente como uma religião. Enquanto outras a tem apenas como um hobby. A dança, seja qual for, tem seu 'nível' de importância e densidade na vida daqueles que a praticam. É uma dança primitiva, ritualística, introspectiva, e MUITO de sua arte tem se perdido ao longo do tempo, perdendo muita característica, história e informação.

Já dancei vários estilos de dança, e percebi que a dança do ventre 'exige' algo mais, em relação às outras danças.

É muito importante e essencial resgatar muito de sua religiosidade, sedução, sensibilidade e feminilidade.

Eu acredito que você pode simplesmente não ter gostado ou aproveitado o workshop, mas pelo que percebi não foi de total desproveito. É só questão de saber assimilar.

Debora Hathor disse...

Oi Célia!
Eu acho que ocorre mais ou menos o seguinte:
Muitas alunas entram na Dança do Ventre exatamente por causa desse orientalismo, que é sedutor, esotérico, mágico... Mas acabam se vendo num mundo completamente diferente, já que aquele que cercava a imaginação delas não existe (nem nunca existiu). Algumas alunas assimilam a realidade, outras infelizmente não, entram numa espécie de "negação", se agarrando a tudo que reforce esta ideia, disseminando ainda mais esta visão errônea.
Para mim, isso demonstra um pouquinho de imaturidade, pois mesmo que seja um hobby, você deve tratar qualquer arte com respeito e estudá-la. Ninguém vai para o Japão achando que se souber falar mandarim vai se dar muito bem lá, e o mesmo devemos trazer para a dança.
Infelizmente vivemos num mundo capitalista, que VENDE a dança do ventre da forma que lhe é mais lucrativa, nesse caso o mundo de magia que nunca existiu...

bethe disse...

É UMA DANÇA TÂO MARAVILHOSA QUE É UMA TBÉM DE PREPARAR A ÚTERO FUTURAMENTE GERAR FILHOS!!!

Celia Daniele disse...

Aline,
Vc disse tudo, a dança do ventre não cresce porque ainda se prende aos seus próprios estereótipos! A dança espanhola, no caso específico, o flamenco, até o início do séc. XX estava relegada à periferia, era vista com os mesmos maus olhos que a dança do ventre, e ao longo do séc. XX, graças ao trabalho de diversos dançarinos e estudiosos, como Carlos Saura, ela ganhou um status de arte, valorizada por diversos países e culturas.

BrunnoBoy,
Vc faz dança do ventre? Achei estranho um homem defender a associação da deusa-mãe à dança do ventre, pois essa visão exclui automaticamente qualquer dançarino do sexo masculino (afinal, a dança acaba virando rito, e sem ventre, onde entra o homem?).
Sinceramente, é difícil conversar com uma pessoa envenenada pelo orientalismo, ainda mais uma pessoa que não consegue verificar o quão preconceituosa é por pensar no "Oriente" como esse "Oriente". A única coisa que posso fazer por vc é te dar uma dica: por que vc não estuda Edward Said? Falar de orientalismo é conhecer o trabalho deste cara! Vc não consegue perceber o quão ofensivo é destituir da cultura árabe a sua importância para a dança do ventre, criando ideais utópicos na pré-história, que nunca foram comprovados. É papo de esquisotérico (esquisito com esotérico)! Falar/Pensar assim dá a mesma garantia de se dizer que o samba não é brasileiro, ou o frevo, danças que trouxeram aspectos da África e de Portugal, respectivamente.
Eu sempre gosto de fazer relações para facilitar o raciocínio das pessoas, vc gosta quando dizem que o Brasil é um país da sacanagem? Quando um apresentador de tv entrevista algum artista estrangeiro e coloca na mesma frase se ele comeu feijoada e (...) uma mulher brasileira? Isso é pensar de forma "orientalista", é olhar uma sociedade pelos seus estereótipos, e no caso do "Oriente" pelo misticismo.

Débora,
Realmente, tem gente que não consegue abandonar essa visão esotérica e preconceituosa com a dança do ventre, e literalmente fica cega mesmo! No mesmo dia que eu estava no workshop e critiquei essa visão pagã da dança do ventre, uma mulher veio defender a professora dizendo que eu não estava aberta ao conhecimento! Eu não estou aberta ao conhecimento? Ou será elas que preferem viver na escuridão da pré-história?

Bethe,
Já vi dançarinas do ventre de décadas de carreira que tiveram partos super difíceis, e outras que nem conseguiram ter parto normal. Sem contar que há quem não pode ter filhos, acredito que a dança pode ajudar, mas ela não é fundamental para o útero se preparar para o parto! Isso já é genético!

Tina disse...

O que mais tenho visto ultimamente é como o preconceito nos impede de enxergar a verdade e até a viver melhor. São ideias tão entranhadas na mente das pessoas, que as vezes fica impossível até abrir uma simples discussão sobre o assunto. Acredito que a razão para "o desejo de permanecer nas trevas" é o medo de aceitar o novo. O novo que trata-se apenas do velho encoberto por uma visão simplificada e mais fácil de digerir. Uma pena...

Anônimo disse...

Célia, voce afirma que a dança surgiu no sec. XIX? Antes disso não havia nenhuma manifestação de dança do ventre?

Carol M disse...

A dança do ventre como vemos hj sem dúvida é algo inventado e até relativamente recente (pouco mais de dois séculos), mas com alguma pesquisa é possível encontrar conexões entre os movimentos básicos e danças antigas feitas por mulheres. Acho que por isso algumas se atraem mais pelas danças "folclóricas" (tb inventadas) do que pela DV clássica.

Acho que as duas abordagens podem ser válidas de acordo com o objetivo e pesquisa feitas para tal. Pessoalmente acho que um estudo cultural atrelado às técnicas de dança deixa a coisa toda mais interessante.

Religiões são coisas tão inventadas quanto danças e por isso mesmo permitem variadas releituras.

Celia Daniele disse...

Olá Carol,
Concordo com você, acredito que tanto a dança quanto as religiões permitam variadas leituras, e também que a dança do ventre é uma criação recente, que pega elementos de danças antigas, as quais anteriormente não eram conhecidas e nem se reconheciam como "dança do ventre".(esse parágrafo responde a vc, "anônimo").

O que me incomoda nesse sincretismo entre dança do ventre e paganismo é exatamente o fato de remeter ao pensamento orientalista, que estigmatiza e deprecia o Oriente Médio, assim como o Oriente Próximo (onde se encontra o Egito, o expoente da dança do ventre) e o Extremo Oriente. Eu vejo esse pensamento como limitador, reducionista e sobretudo preconceituoso.

Mas aqui é o meu blog, e aqui de minhas palavras as pessoas vão encontrar aquilo que eu acredito. Acho que às vezes algumas pessoas colocam esse blog como uma enciclopédia para a dança do ventre, eu fico até envaidecida, mas por esse mesmo motivo, outras pessoas encaram como críticas pessoais aquilo que não curto. Gostaria que essas pessoas relaxassem e fossem buscar em outras pairagens o que querem ler!

Desculpe, esse comentário final nem foi pra vc, é que, por exemplo, nesse workshop aí que citei e q falaram dessa coisa de "deusa", a professora dançava muito bem, mas a parte que eu achei interessante (dançar, agitar o corpo, fazer uns shimmies =p) eu não pude fazer por causa do meu pé torcido (que inchou horrores só por fazer uns redondos), algo q me fez ficar sentada o resto do workshop emburrada. Agora como vim aqui criticar o ponto de vista do orientalismo, ficaram espalhando q eu tava "zicando" a mulher! Pode?! Tem gente velha com maturidade de 3 anos!!! As pessoas não conseguem disassociar críticas construtivas e a própria realidade daquilo - sombrio - que passa em suas cabeças!

A. Paula disse...

Oi Célia.

Achei muito interessante o título e o tema do seu post, todavia, me perdoe dizer (afinal, no comentário acima você disse que o blog é seu, portanto são suas opiniões), você me pareceu tão radical quanto as pessoas a quem você criticou.

Eu acredito que quando nos apaixonamos por algo, devemos buscar suas origens, para conhecimento mesmo, afinal as mudanças ocorrem ao longo do tempo e isso é um fato inegável.

Em algum momento, não lembro se no post ou nos comentários, você falou sobre tango e samba as quais foram comparações infelizes. Existem danças de origem ritualística, como o flamenco (de origem cigana), as danças indiana e havaiana; assim como existem as que não são, como o samba, forró, tango...

Pratico DV, amo essa arte e não busco ali religião, e para esclaracer não sou uma seguidora das religiões pagãs. Sempre me interessei em estudar o 'feminino' (inspirada por Simone de Bevoir). Na universidade, pesquisei sobre Sagrado Feminino, numa visão bem antropológica e psicológica mesmo e é perceptível como os primórdios da DV estão ligados a isto. A questão é: por que negar? Por que negar que a arte que praticamos é uma exaltação ao feminino? Veja, é uma daça cujos movimentos são claramente benéficos à mulher, e lembretes ao que os antigos diziam ser característicos dela.

Obviamente, sou contra qualquer tipo de generalização e não gosto do "orientalismo". Sei que ao entrar em contato com os povos 'árabes', muita coisa modificou-se na Dança Oriental, até um pouco da sua filosofia. Mudanças que chegaram ao extremo com a chegada ao Ocidente. Pricipalmente agora que vivemos em uma época de 'dessacralização' do mundo.

Minha opinião: quer religião, vá para uma igreja, pratique rituais. Haverá dança? Talvez, dependendo do que você pretende. Dançar é obrigatoriamente religioso? Não. Claro que não. Posso dançar por vontade de desenvolver uma técnica, ou parecer bonita, ou por pura auto estima. Agora negar completamente suas origens, negar essência eu acho que é negar um pouco da dança.

E só para esclarecer mesmo: quando pratico DV entro em contato com o "feminino" em mim, exaltando minha feminilidade que é tão massacrada pela sociedade que vem transformando mulheres em objetos. Eu falo e defendo o feminino e não o Sagrado Feminino. Negar isto é trasformar a DV em algo seco e de pura técnica. Porque, afinal, dança é emoção e subjetividade.

Samra Ohallem disse...

Bem como podemos afirmar o passado? Estudo de antropologia, sociologia, etc. Simples assim. Ter coragem de estudar de fato mais doque somente o universo da dança do ventre e mais sobre o universo da humanidade e como ela se desenvolveu. Sim a dança do ventre é muuuuuuuito antiga e estava sim ligada a cultos religiosos de fertilidade, mas com o tempo de invasões de outras religiôes e etc e tal ela se marginalizou e sobreviveu graças aos "marginais" e sheiks que conseguiam alguns privilégios ante as leis. Assim como em várias culturas em diferentes épocas. Tirar isto da dança do ventre é como tirar a raiz de uma árvore. Sou bruxa seguidora da antiga religião, a mais tempo ainda sou profissional de dança do ventre. Aliá a dança me levou ao paganismo. Não misturo as duas, mas em hipótese alguma critico quem o faça, pois há alunas que fazem dança do ventre por "enes" motivos. Há aquelas que nem sabem o que estão fzendoe com o tempo "encontram-se" através da dança. O mais importante é que vivemos em uma época livre podemos escolher que caminho seguir.
Quando se fala no sagrado feminino falamos em algo muito mais do que técnica, falamos de alma e não tem como falar de alma sem transcendência de técnica. E esta esperiência se torna puramente emocional. Não tem como separar isso. O alívio da alma a libertação.
Na verdade você, eu, as demais professoras sacerdotisas fazemos o mesmíssimo papel de formas deiferente que levam ao mesmo fim. Pois técnica é importante para não prejudicar o corpo e alma é importante para "dar toda luz e todo o brilho" a dança.
Creio eu que o que mata a dança é só resumila a técnica.
Meu nome é Samra Hohallem estou emvolvida com dança do ventre a mais de 29 anos, estudiosa da humanidade e religião, pagã, terapeuta holística e massoterapeuta e taróloda. Meu lema sempre foi "Dança do ventre expressão da alma" ou meus dizeres sempre foram. A música encanta a alma a alma move o corpo.

Daniella Sarah disse...

Desde quando aprendi a dançar e conhecer profundamente a Dança do Ventre,aprendi que na antiguidade antes de Cristo,essa dança era praticada pelas sacerdotisas para celebrar a deusa Ísis,elas escondidas no palácio e com o passar dos anos houve a invasão de outros árabes e os mesmos levaram a dança para outros países e com o passar dos tempos a dança deixou de ser somente considerada como ritual religioso,hoje é vista como arte mesmo,terapia, profissão etc. Isso vai muito da visão das praticantes de como a Dança do Ventre representa para cada uma.

Dança do Ventre Brasil disse...

Bem, gente, resumindo a coisa toda: aqui falamos de pesquisas, de fontes, de análises historiográficas, não de achismos, de lendas sem fundamentação teórica. Somos chatas? Não, somos historiadoras.

No blog quem quer viver de RPG na dança do ventre, não vai encontrar sacerdotisas num templo de Ísis sendo raptadas por árabes (total anacronismo, por sinal), nem uma parede de alguma pirâmide com imagens que comprovem que havia dança do ventre por ter mulheres com braços pro alto, pro lado e um adorno nos quadris, nem o véu wing da deusa Ísis), mas isso não impede que outras pessoas usem tudo isso para "comprovar" que a dança do ventre é um rito religioso.

Eu sou católica, eu não cultuo deusas, eu só tenho 1 Deus pra mim. Quando eu danço, jamais em toda a minha existência irei cultuar uma deusa, pela minha religião, e conhecendo a dança do ventre enquanto arte e estilo de dança (como qualquer outro estilo de dança, ballet, flamenco, samba), eu ser dançarina do ventre não me faz de nenhuma forma uma adepta de uma religião pagã.

Eu jamais defenderei que uma arte não é genuína, que ela tem que se atrelar a um passado orientalista para ser válida. Eu não estou no séc. XVIII, eu sou inteligente o suficiente (acho que todos, mas é difícil dar o braço a torcer pra uma opinião contrária) para separar as coisas e saber que mesmo que sacerdotisas egípcias dançassem algo com movimentos de quadril, hoje eu não sou uma delas, e nem serei.

AMY disse...

CELIA, ACHEI MARAVLHOSA SUA MATERIA. SOU COMPLETAMENTE APAIXONADA PELA DANCA DO VENTRE, CONFESSO QUE ME REFREEI DE FAZE-LA POR CAUSA DESSA HISTORIA RELACIONADA COM A DEUSA ISIS. SOU CRISTA E NAO QUERO TER NADA A VER COM PAGANISMO. MAS PESQUISANDO NA INTERNET EU NAO ENCONTREI UM CONSENSO. NENHUM SITE DIZIA CONCERTEZA QUE A ORIGEM DESSA DANCA ERA PAGÃ, A MAIORIA DIZIA QUE NAO SE SABE AO CERTO A ORIGEM DESTA DANCA QUE DATA ANTES DE CRISTO. QUE ESSAS ERA TODAS SUPOSICOES.
AMEI SEU BLOG!

Anônimo disse...

Olha, me desculpem mas não encontrei nenhum fundamento teórico até hoje que comprovasse essa história da dança do ventre ser um culto para a Deusa Mãe. Em relação a esse papo de comparações do desenvolvimento histórico da dança, esse papo dá muito pano para a manga historiadores, antropólogos e outros estudiosos que possuem como objeto de estudo o homem não conseguiram chegar no "X" da questão, quem dirá uma esotérica que utiliza como base o senso comum recheado de achismos!
Bem em relação aos exemplos utilizados como o samba e o flamenco, gente vamos parar com esse negócio de esoterizar as culturas! O samba veio da cultura africana, negros utilizaram (e ainda utilizam) dos mesmos passos em seus ritos de adoração, mas com toda certeza o povo que vejo sambando na laje e na porta do bar não está focando em nenhuma divindade! A dança é tão antiga, tão multifacetada que acredito ser burrice de nossa parte tentar explicá-la como verdade única através de achismos. Genealogia Já!


E parabéns ao DV Brasil por abordar essa questão tão importante!

Anônimo disse...

Existem tese que fundamentam sim a suspeita de que a dança do ventre teria tido origem no culto em agradecimento a Deusa pela fertilidade. História ilustrada do Egito Antigo. 2.ed. Paul JOHNSON.

Nesses tempos a dança nem mesmo tinha esse nome "Dança do Ventre".

É claro que a dança do ventre hoje não tem mais o mesmo objetivo (isso é óbvio), foi transformada, não é a mesma.

Por outro lado, acho que incutir espiritualidade na dança é um direito de cada um (ainda mais quando tem relação com a sua criação). Isso não desprestigia, enriquece!

Claro que não deve ser imposto, nem pregado como verdade absoluta, mas nada, absolutamente nada contra aquelas que buscam além da arte, a busca pelo divino.

A espiritualidade, como sou livre de qualquer paradigma religioso, está em todos os aspectos da minha vida, inclusive na dança. Danço pela arte, danço para Deus (ou Deusa, Deus tem sexo?), danço para o universo!!!

Beijos

Anônimo disse...
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Larissa M disse...

Pratico a chamada dança do ventre há 16 anos, sou formada em antropologia pela Unicamp. Em paralelo, desenvolvo diversos estudos relacionados a cultos femininos ao longo dos séculos. O seu texto - encontrado por mim no google, por acaso - rescende a preconceito.Não me surpreendi ao ler em um comentário que sejas cristã. A dança do ventre tal como conhecemos e praticamos hoje tem RAÍZES em cultos tidos como "pagãos" (a religião dos outros sempre é paganismo aos olhos cristãos.) Isso nada tem a ver com orientalismo, mesmo porque os primeiros registros da dança mais antiga que conhecemos (da qual deriva-se a dança do ventre) foram encontrados na África e até mesmo na Grécia. Sua visão colonizada e cristã subestima ilustrações de povos antigas como documentos. Sua visão colonizada e cristã tem nojo das mulheres antigas, para quem a ideia de deus não era um homem, mas várias e diversas divindades. Para praticar qualquer dança não é preciso ter uma crença, como para praticar o yoga não é preciso ser hindu. Porém, não use de retórica pobre para impor sua visão sobre uma das mais lindas heranças que nossas ancestrais nos deixaram. Espero sinceramente que este comentário não seja covardemente apagado pela administração do blog.

Dança do Ventre Brasil disse...

Olá Larissa, tudo bem? Olha, tirando sua dúvida, não sou cristã (acho que você quis dizer crente, algo do tipo). Se eu tenho uma religião, ela não entra na minha visão crítica das coisas, sei separar bem. É exatamente isso que peço em relação à dança do ventre: que ela seja vista como uma modalidade de dança moderna, sujeita a incorporações, apropriações, releituras - o que já acontece - e não apenas um rito pagão. A dança precisa e deve ser respeitada como arte e não apenas reduzida a uma cultura primitiva, como se realmente o que se dança hoje fosse igual ao que se dançava em culturas gregas e africanas da Antiguidade.

Se você escreve como antropóloga, fico surpresa pelo tom extremamente passional e pouco acadêmico que responde a este post. Eu como historiadora não ignoro que toda dança tem raízes da antiguidade, mas deixar a dança do ventre relegada a um primitivismo eterno, isso é muito orientalista, é pensar que toda cultura e artes orientais se expressam e se valorizam pela sua ancestralidade e não pela sua riqueza atual.

"Colonizada e cristã", achei curiosa essa sua definição de minha pessoa. Acho que esse deve ter sido o único post que leu em todo blog, outra coisa muito curiosa de alguém que se define como "antropóloga".

Ademais, nenhum comentário é apagado neste blog, sendo ele inteligente ou não, apenas aqueles de baixo calão, que ofenderia outras pessoas. O seu comentário é apenas uma opinião de alguém que se sentiu ofendido em suas crenças pessoais.

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