terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Lendas do Oriente: Aladim e a Lâmpada Maravilhosa

Começamos hoje uma série de posts que contam um pouco do significado e da história de alguns dos símbolos e lendas que evocam imagens do Oriente Médio. Estamos falando de lâmpadas, gênios, esfinges, fênix, serpentes, dentre outros. A maioria das pessoas é capaz de reconhecer facilmente essas imagens, mas não conhece o significado e a história da cultura que lhes deu origem. Tais símbolos são muitas vezes relacionados e representados juntos à Dança da Ventre, visto que possuem um berço comum.

Falemos hoje de lendas. A primeira delas é Aladim e a Lâmpada Maravilhosa. Espero que gostem.


Bases

A imagem que conhecemos hoje de Aladim e sua Lâmpada Mágica vem do conhecido livro As mil e uma noites, uma coleção de histórias e contos populares originárias do folclore indiano, persa e árabe compiladas a partir do século IX. A obra é, aliás, tema de um dos posts que estamos preparando para mais adiante (aguardem!).

Como a maior parte dos contos populares, as origens de Aladim e a Lâmpada Maravilhosa são incertas. A sua inserção no livro As mil e uma noites, no entanto, foi feita pelo tradutor francês da obra, Antoine Galland, o qual ouvira a história de um contador sírio chamado Hanna Diab.

Ainda que Aladim seja um conto do Oriente Médio, a história original se passa na China. O próprio Aladim é explicitamente chinês. No entanto, a "China" da história é um país islâmico, onde a maioria das pessoas é muçulmana. Existe até um comerciante judeu, que compra algumas louças de Aladim, mas não há menção alguma sobre budistas ou confucionistas. Todos os personagens possuem nome árabe e o monarca do país se parece mais com um governante muçulmano do que com um imperador chinês. Alguns estudiosos acreditam que isso sugira que a história se passe no Turquestão (que compreende a Ásia Central e a moderna província chinesa de Xinjiang).

Para um narrador que desconhecia a existência da América, a "China" de Aladim representaria o "Extremo Ocidente", enquanto Magrebe, a terra natal do feiticeiro do conto, seria o "Extremo Oriente". No começo da história, o feiticeiro está se empenhando para fazer uma longa viagem, a mais longa viagem segundo a percepção de mundo do narrador, o que enfatiza ainda mais a determinação dessa personagem para encontrar a lâmpada devido ao incrível valor do objeto.

Quem era ou ainda é fã dos desenhos da Disney, como eu, conhece muito bem a história de Aladim. Eu já perdi a conta de quantas vezes assisti ao filme. Não exatamente por vontade própria, mas porque a minha irmã, Celia, já demonstrava desde essa época a paixão por tudo que era ligado ao Oriente Médio. Então, adivinhem: ela assistia ao filme da Disney quase todos os dias! Não que eu esteja reclamando. Afinal, quem ainda não viu não sabe o que está perdendo: uma das coisas que a Disney soube fazer como ninguém foi recontar essa lenda e, para isso, misturou cor, romance, humor e muita música, incluindo aquela do Robin Williams que não sai da minha cabeça desde que comecei a escrever este post. Antes de prosseguir, ouça a música no vídeo abaixo. Você vai ver como ela gruda na cabeça.


Agora que já entramos no clima, você está pronto para ouvir (ler) de novo a história de Aladim. Mas dessa vez, vamos nos aprofundar um pouco mais.

Sinopse

Aladim, um jovem pobre e malandro de uma cidade chinesa, é recrutado por um feiticeiro de Magrebe. Passando-se pelo irmão do falecido pai de Aladim, o esperto feiticeiro convence o rapaz e sua mãe de suas boas intenções ao demonstrar o desejo de criar o menino como rico mercador.

A intenção do feiticeiro é, na verdade, convencer o jovem a buscar uma lâmpada maravilhosa numa carverna mágica e repleta de armadilhas. Após ser enganado pelo bruxo, Aladim acaba preso na caverna. Felizmente, Aladim possui um anel mágico emprestado pelo feiticeiro. Quando o rapaz esfrega as mãos, num gesto de desespero, esfrega também o anel, fazendo aparecer um gênio, que o leva à casa de sua mãe. Aladim ainda segura a lâmpada quando sua mãe tenta limpá-la e, nesse momento, um segundo gênio, muito mais poderoso, aparece, o qual é obrigado a conceder desejos à pessoa que está segurando a lâmpada mágica. Com a ajuda do Gênio da Lâmpada, Aladim se torna rico e poderoso e se casa com a Princesa Badroulbadour, filha do Imperador. O nome "Badroulbadour" (badru l-budur), aliás, significa "lua cheia" em persa. A lua cheia é uma metáfora muito usada no livro As mil e uma noites para descrever a beleza feminina. Continuando a história, o Gênio constrói para Aladim um grande palácio - ainda mais maravilhoso do que o do próprio Imperador.

Neste ponto, o feiticeiro retorna e consegue por as mãos na lâmpada, depois de enganar a Princesa Badroulbadour, que desconhecia a importância do objeto e o troca por outra lâmpada. Ele ordena que o Gênio da Lâmpada transfira o palácio de Aladim para sua terra, Magrebe. Felizmente, Aladim ainda possui o anel mágico e consegue chamar o Gênio menos poderoso. Ainda que o Gênio do Anel não possa desfazer nenhum dos pedidos realizados pelo Gênio da Lâmpada, ele consegue transportar Aladim para Magrebe e o ajuda a resgatar sua esposa e a lâmpada e a destruir o feiticeiro.

O irmão do feiticeiro, mau e muito mais poderoso, tenta se vingar de Aladim disfarçando-se como uma velha curandeira. Badroulbadour cai na armadilha e convida a "mulher" para viver em seu palácio, sendo-lhe útil em caso de doenças. Aladim é alertado do perigo pelo Gênio da Lâmpada e mata o impostor. Todos vivem felizes para sempre, com Aladim sucedendo, mais tarde, o trono de seu sogro.

Os Gênios

Gênios ou Djins (emboras as duas palavras possuam origens diferentes) são criaturas sobrenaturais do folclore árabe e dos ensinamentos islâmicos que ocupariam um mundo paralelo ao da humanidade.

Segundo a mitologia, os Djins são criaturas feitas de "fogo sem fumaça" por Allah (numa referência ao vento escaldante do deserto da Arábia), que teriam sido criadas dois mil anos antes da criação do homem. Dotados de livre arbítrio, recusaram-se a se prostar diante de Adão, liderados pelo orgulhoso Iblis. Por desobedecer Deus, Iblis foi expulso do paraíso junto aos demais Djins e passou a ser chamado de Satã (ou Satanás).

Os Djins são geralmente invisíveis aos olhos humanos, mas os humanos também não aparecem claramente para os Djins. Essas criaturas teriam o poder de viajar longas distâncias a uma rápida velocidade e viveriam em lugares remotos, montanhas, mares, árvores e no ar, em suas próprias comunidades.

As histórias de Gênios são encontradas em vários países de cultura muçulmana. Muitas dessas lendas descrevem os Gênios como sendo de ambos gêneros, feminino e masculino, e se vestindo com coletes, túnicas e faixas.

Embora alguns acreditem que os Gênios possam ajudar os seres humanos quando lhes é conveniente, a literatura e o folclore geralmente os retratam como seres que se divertem em punir os homens por quaisquer atos que considerem nocivos. Dessa forma, muitas moléstias e acidentes são atribuídos à obra de Djins. No entanto, acreditava-se que quem conhecesse as artimanhas necessárias para se lidar com os Gênios, poderia utilizá-los em causa própria ou prender essas criaturas em anéis, lâmpadas ou garrafas especiais. O maior dom de um gênio, no entanto, seria o de influenciar o comportamento das pessoas, sussurrando pensamentos em seus ouvidos.

O livro As mil e uma noites cita vários tipos de Gênios, como os Ghul, os Ifrit, os Si'la e os Marid. Os Ifrit seriam os mais fortes, enquanto os Marid estariam ligados aos mares e oceanos. Em um dos contos do livro, há uma narrativa a respeito de um príncipe que é atacado por piratas e se refugia junto a um lenhador. O príncipe encontra uma câmara subterrânea na floresta, a qual o leva a uma bela mulher que havia sido raptada por um Ifrit. O jovem dorme com a mulher e ambos são atacados pelo ciumento gênio, que transforma o príncipe em um macaco. Mais tarde, uma princesa devolve ao príncipe sua forma original e luta arduamente com o Ifrit, que se transforma em vários animas, frutas e fogo, até ser reduzido a cinzas.

Os Gênios foram ainda muito recriados em produções da cultura ocidental, como no caso dos filmes Aladdin e Shazzan. E quem não se lembra de Bárbara Eden no seriado "Jeannie é um Gênio"? Jeannie era um gênio super atrapalhado e ao mesmo tempo apaixonada pelo Capitão Nelson, que a havia encontrado numa ilha, dentro de uma garrafa.



Impossível de esquecer a trilha sonora também. :)


Os Djins também foram tema de alguns episódios da série Supernatural (eu não podia deixar de falar disso aqui, já que sou fã incondicional dessa série!). Em um deles, Dean (Jensen Ackles) caça um gênio que não concedia desejos propriamente ditos. Ao invés disso, fazia com que suas vítimas dormissem profundamente e lhes dava um sonho no qual seus grandes desejos se realizavam.


A Lâmpada


O uso de lâmpadas a óleo é comum em muitas culturas há milhares de anos. Eram, em geral, utilizadas para a iluminação doméstica mas seu uso também tinha propósitos religiosos, ritualísticos e fúnebres.

Na Índia, durante o período védico, o fogo era sempre mantido aceso nas casas e levado junto às pessoas enquanto estas migravam de um lugar para outro. Mais tarde, a presença do fogo numa casa ou construção religiosa foi assegurada pelas lâmpadas a óleo. Ao longo dos anos, vários rituais e costumes foram sendo realizados continuamente em torno desses objetos.

Mas segunda a crença, os Gênios podiam habitar qualquer objeto inanimado como pedras, garrafas vazias, árvores e ruínas.
Embora algumas lendas do Oriente não estejam diretamente ligadas à Dança do Ventre, achamos válido trazer essa série de posts porque acreditamos que todos que se interessam verdadeiramente por essa arte deveriam se aprofundar seriamente na cultura em que ela está inserida. E quem sabe as lendas sobre gênios, lâmpadas e a história de Aladim ainda não lhe rendem ideias para uma coreografia super inspirada? Logo abaixo um vídeo do belíssimo espetáculo de Dança do Ventre "Aladdin - Uma história de amor".



4 comentários:

Nina Nassif disse...

Amei! adoro lendas do tempo de criança e tçao bom ..rever histórias cheias de magias...amei! Parabéns!

Lívia disse...

TINAA!! Arrasoooooou!
arrasou no tema e no post! Adorei!

Aladdin era meu segundo desenho da disney em preferencia. Eu amava demais a pequena sereia, era um sonho ser sereia (ainda é rsrsrs). Mas achei demais vc citar a Celia que desde pequena gostava de coisas relacionadas ao oriente! Nunca faria essa ligação, legal perceber q talvez daí tbm venha minha admiração pelo oriente como um todo, na verdade faz mt sentido tbm relacionar isso a dança do ventre na minha vida, apesar da minha relutancia dps de O clone rs.
Muito bom também as informações sobre os gênios. jeannie é um genio tbm foi pra mim um marco! Eu amava demais demais esse seriado e brincava de ser a Jeannie em casa, na epoca q eu conheci ngm gostava ou conhecia entao eu me sentia no meu mundo paralelo rs.

Amei Tina! Parabéns!

Tina disse...

Ah, obrigada, Lívia! Eu sou apaixonada por esses mitos e achei que seria legal falar do Aladim. Eu tb amava a pequena sereia, mas a Celia era ainda mais fã que eu. Pede pra ela cantar as músicas pra vc, hauahuah. :D

Melissa Souza disse...

Eu realmente me interesso por folclore, lendas e tal!
O post me fez relembrar das histórias que eu lia quando criança... Eu tinha um livro bem grande e bem grosso todo ilustrado com uma porção de histórias... Fiquei super tristonha quando minha mãe deu ele para minha prima, mesmo que eu já tivesse lido e relido tudo até decorar.

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