domingo, 16 de outubro de 2011

Dança do Ventre e o Grande Público

Esta semana ouvi duas críticas à dança do ventre, feitas por pessoas de fora do meio. A primeira criticava a estética das bailarinas. Segundo a pessoa em questão, na dança do ventre só havia barangas (palavras da pessoa) e por isso a dança não era interessante. A segunda crítica estava relacionada à relativa facilidade de dançar: "é só mexer os quadris e os braços", foi dito com um tom de "é pura encheção de linguiça, não sei porque fazer aulas disso". Ok, vamos tentar não julgar, nem levar pro lado pessoal, mas pensar a partir disso, pois eu não vim para criticá-los, mas para nos criticar.
Penso que em qualquer local que uma dançarina vá se apresentar existe, ao menos, um alguém na platéia que é leigo em dança do ventre. Sempre existe UM. Está lá porque foi acompanhar uma amiga, é da família da bailarina, foi de curiosidade ou interesse em conhecer mais, ou caiu de pára-quedas: nem sabia que ia ter dança do ventre no restaurante/festa/show/etc. As respostas do contato leigo com a dança do ventre podem ser várias. Isso vai de encontro também com diversos aspectos que estarão envolvidos nesse contato: a dançarina dançou ou não como a pessoa esperava, adoraram ou não a música, a festa, ou melhor, o clima, estava bom ou não... Idéias anteriores, fantasias e preconceitos influenciarão também nas conclusões do “leigo”.

Enfim... As respostas negativas são o meu foco hoje. Não só porque são negativas, mas porque elas me entristecem. Afinal, enquanto estou levantando a bandeira da dança do ventre, afirmando o quanto é uma dança admirável, especial, única, sempre me deparo com essas situações que me fazem lembrar de mim mesma - de quando eu era uma leiga também. O que vim dizer é que eu ainda concordo comigo mesma (em alguns pontos). Confuso? Vou explicar...

A dança do ventre é linda: quando respeita os ritmos; quando está de acordo com os momentos de uma música árabe; quando a bailarina possui um mínimo de técnica; quando tem emoção no rosto de quem dança; ou seja, quando é bem executada. Não dá para ficar incólume à música e à dança árabe. São duas artes lindas e impossíveis de ignorar... Ah sim: quando há um mínimo de qualidade no que é apresentado.

Nunca gostei de dança do ventre. Meu contato com ela vem da época do “O Clone”. Não convém descrever todos os porquês, mas a resposta principal era porque o que a televisão privilegiava era muito “pobre”. Sei que muita gente foi “fisgada” pela dança naquele momento. Mas, para mim, o que foi mostrado não foi suficiente. Eu até assistia TUDO o que passava, pois como disse: não dá pra ficar incólume. Mas eu assistia criticando... Raramente via algo muito bom que me impressionava de verdade. No fundo, eu acredito que assistia tudo com a esperança de ver algo adequado às belíssimas músicas que ouvia com aqueles movimentos inusitados/exóticos. Dez anos depois, alguém da área me apresentou a dança e a música, li este blog dos pés à cabeça, me interessei por dançar e me apaixonei. Isso é UM ponto.

A dança do ventre é criticada muitas vezes por causa da pouca qualidade como ela é apresentada. As pessoas não têm consciência disso talvez, mas desgostam e criticam, com razão, em virtude da falta de seriedade que certos "profissionais" possuem com a dança do ventre. A dança do ventre não ganha o grande público como uma dança/arte, não por ela mesma (já que possui sua beleza), não (só) porque o público é "burro", insensível e preconceituoso, mas, principalmente, porque não é bem apresentada, porque está incoerente com a música, porque não tem sentimento.

Os leigos sempre estarão lá e acho que como representantes de uma cultura e de uma arte nós devemos procurar pelo melhor. O que nem sempre ocorre e acaba por corroborar certas críticas que não ocorrem em outras modalidades de dança. Isso passa por muito, muito estudo e organização, preparação, dedicação. Estou dizendo isso porque sinto na dança do ventre um certo desleixo. Não pense você (aluna, professora, organizador de evento, etc, etc) que porque eles não compreendem tudo a fundo irão “engolir” um trabalho “meia boca”. Sua mãe, seu namorado, seus amigos, enfim, podem te elogiar na sua frente, mas podem também esconder diversas opiniões não tão boas acerca da sua dança e da dança do ventre que não contribuem para engrandecimento de nenhuma das duas coisas.

Preocupação com organização, estética, habilidade e muito treino para uma boa apresentação, nem sempre existe em todas as apresentações, principalmente dependendo do objetivo desta. Mas você já parou para pensar no quanto isso é quase uma regra na dança do ventre? Boa parte das apresentações não tem, nem procura, uma boa qualidade para ser apresentada ao grande público. E acredite: os leigos são os críticos mais ferrenhos.

Quando assisto alguns shows fico sempre pensando no público leigo que com certeza está presente: se ele entendeu e apreciou aquelas apresentações ou se uma boa impressão foi realmente trasmitida. A dança do ventre, ao meu ver, ainda tem muito para caminhar e finalmente "cair no gosto" do público. Não sei como é lá fora (apenas ouço notícias), mas sei o que se passa aqui no quintal mais próximo. O que me deixa feliz, é que a dança está caminhando e evoluindo, apesar dos pesares. Um dia, quem sabe, tudo o que falei aqui poderá ser passado.

10 comentários:

Wanessa Carvalho :) disse...

Dança do ventre é tudo de bom!
quando eu tiver uam oportunidade perto de min eu vou voltar a fazer !
é maravilhoso ! *-*



http://www.wanessacarvalhoem.blogspot.com/

Heloísa Caridade disse...

Dança do ventre é como tudo, tem de tudo, nós é que temos que nos centrar mais em quem realmente somos para irmos nos afinando conscientemente com algo que nos afine, identificação mesmo, afinidade. Uma relação mais consciente com a dança e com o corpo tem a capacidade de nos levar a um caminho, ou melhor de nos conduzir a todas para/ por um caminho mais artístico e reflexivo.

espaço de natenka disse...

meu Deus...como pode exitir gente tão mesquinha e de opiniões tão pobres. amei o que voce postou.
voce tem toda razão fofa, a televisão ignora muita coisa relacionada a cultura...mostra apenas o capa do livro, e não o conteúdo. na minisérie "sansão e dalila" apresentada na record aqui no rio de janeiro eu vi a mel lisboa dançando para seduzir o rei e por último sansão...horrível e sem nenhuma naturalidade...sem a sensualidade...ela teria que fazer mais ou menos uns 5 meses de oficina, a mini-série foi linda e muito bem contada, pois eu faço um programa na radio aqui de são gonçalo católica 91.1 delta fm td de seg a sexta das 8 as 10 da manha faço estudos bíblicos para as mulheres em geral, e tenho em meu blog o estudo de sansão e dalila. mas o que eu quero falar aqui é sobre as pessoas que nem estao ai para a dança do ventre...muitas julgam mal e falam mal,no sbt ninguem fica classificado no quadro se ela "dança eu danço", nenhuma dançarina do ventre até hoje foi classificada...aquele careca outro dia comentou assim: voce é muito bonitinha mas essa sua barriga é horrível...e sua dança não nos interessa, não é isso que buscamos...poxa! muitas mulheres saem dali com a alto estima lá em baixo...ninguem sabe o quanto é difícil para uma bailarina ou dançarina os terríveis treinos diários para chegar-mos a perfeição tão sonhada! eu amo! não quero ser famosa e nem uma pop star da dança...apenas eu curto e busco passar isso para quem gosta. dou aulas de graça na minha paróquia para a terceira idade, sou uma boneca nos hospitais infantis (me visto de bonequinha) de 15 em 15 dias, arrecado brinquedos pela net para dar a elas dentro dos hospitais...se voce quiser ajudar basta me ligar ou enviar no endereço da radio no blog. preciso muito de ajuda! sou feliz fazendo isso! isso tudo foi a dança quem me deu! bjs e continue assim...
www.deltafm.com.br fala comigo online no chat e pede o seu louvor! sou a celinha

DaniZide disse...

Cabe a nós também, como bailarinas, exigir dos organizadores de eventos dessa área mais seriedade e direção de arte. Vejo muito evento que não respeita os horários, coloca som de péssima qualidade para reprodução das músicas e sequer tem a preocupação de iluminar de forma correta o palco e a bailarina. Sem contar o despreparo e desconhecimento do staff da festa. Todas essas "falhas" somadas se transformam em um grande ruído para o leigo... Para nós, interessadas em conhecimento técnico, muitas vezes essas faltas passam em branco. É preciso sim cuidar da técnica de apresentação! Contudo, precisamos exigir mais dos espaços e eventos nos quais fazemos nossas apresentações... bjs

Debora Hathor disse...

Eu acho que a dança do ventre é bem democrática e, pelo que observo, é largamente usada como instrumento de realização pessoal, mais pela própria forma que as pessoas do meio se tratam: não é como no Ballet, em que há uma enorme competição e só as melhores é que são consideradas bailarinas. Mas o problema é quando o instrumento de realização pessoal passa a ser A Apresentação, muitas vezes sem qualquer prática, preparo ou técnica. Neste ponto concondo com você. Não vemos dançarinas de ballet, Jazz ou Tango fazerem coreografia ou apresentações "meia boca", e acho que isto precisa ser algo que temos que trazer para a Dança do Ventre. Sou otimista em relação à isto. Um beijo a todas e tenham em mente que o que fazemos é uma forma de arte, e, acima de todos, NÓS devemos respeitá-la como tal.

Melissa Souza disse...

Quando O Clone passou pela primeira vez, me apaixonei pela música, pelo estilo e tudo mais, mas não me senti atraída pela dança do ventre. Tinha aquela ideia de que a dança era meio cafona, e quando uma professora veio na minha escola oferecer aulas gratuitas às garotas me peguei pensando "será que alguém vai querer?".
Eis que, a um pouco mais de um ano atrás, minha mãe me "forçou" a ir numa aula de dança do ventre com ela. Nunca mais parei de dançar, até hoje. Depois que conheci as origens, cada movimento e tudo mais, me encantei com a dança.
Confesso que no início eu fiquei com vergonha de falar que era dançarina, com receio de que me criticassem e tal. Mas hoje eu bato no peito e demonstro meu orgulho em dançar!

Parabéns pelo post, Lívia! Sei bem do que você está falando. Mas, voltando a atenção para o outro lado do público, aqueles que é leigo mas não são preconceituosos: Não é uma delícia quando a gente consegue encantar alguém que desconhece a dança?

Sobre a organização do grupo. Saí do meu último grupo por que não suportei a falta de seriedade, compromisso, dedicação e tudo mais nos treinos e, consequentemente, deixei minha professora (Mas ainda danço em casa).

Lívia disse...

Legal meninas, que bom que compreenderam o objetivo do meu post.
Claro que a dança serve como realização pessoal. Eu mesma me beneficio disso. Mas também quero que ela seja reconhecida como arte e acho que determinadas atitudes do meio não auxiliam nesta missão, apesar da dança em si ter tudo para cair no gosto do público como uma dança.

Um beijo

Hanna Aisha disse...

Sou muito otimista com relação à visão das pessoas sobre a DV. Vejo muita gente lutando ara popularizar a dança com qualidade e respeito.

Mas como somos muito jovens aqui no Brasil, o retorno é demorado mesmo.

Ânimo!

Lu** disse...

É realmente uma pena que a dança do ventre seja pouco mostrada... e nas pouquissimas vezes q é exibida, ainda é deturpada... Mas mesmo assim, sabemos que existem dançarinas de verdade, que levantam a bandeira dessa BELÍSSIMA ARTE com coragem, e arrancam aplausos, tanto de leigos como de profissionais. :)
VIDA LONGA A DANÇA DO VENTRE!!!

Larissa Domingos disse...

Eu sempre tive vontade de dançar, mas relutei por muito tempo porque todas as apresentações que eu ia pareciam coisa de escola. Até que achei uma escola que tava mesmo preocupada em ensinar a dancR :)

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