sábado, 5 de novembro de 2011

Ballet - o detalhe que faz a diferença

Recentemente, surgiu uma polêmica na internet em virtude de um movimento anti-ballet na dança do ventre. Alguns blogs se manisfestaram e no facebook também houve bastante comentários. Fiquei de espectadora da discussão e formei minha opinião a partir do que li. Uma opinião frágil, é claro, pois não estava baseada na vivência, mas somente no convencimento.

O texto de hoje é o resultado da reflexão sobre a discussão com a vivência de um workshop realizado com a Suheil, cujo tema foi "Técnicas do Ballet aplicadas à Dança do Ventre". Quando vi o tema do workshop não tive dúvidas, tinha que fazer. Suheil veio confirmar minha opinião: Qual o problema de aplicar a técnica clássica quando estamos falando de Dança do Ventre? Outras modalidades de dança fazem isso, e, melhor, outras culturas (leia-se países) utilizam a técnica do Ballet na Dança do Ventre sem descaracterizá-la.

Ter consciência do que está fazendo é o grande diferencial de uma dançarina para outra, é o detalhe que faz a diferença. A dança deve vir do coração? Claro. Mas, de que adianta você estar lá se movimentando apaixonadamente toda torta, sem postura, desorganizada espacialmente, se essa não era a intenção do seu coração? Seu coração imaginou uma coisa, mas você está fazendo outra. Seu público (seu pai, sua mãe, seu namorado, também estão inclusos nessa categoria) está percebendo e não está recebendo a mensagem que você quis transmitir. Tanto isso é verdade que você estuda dança do ventre. Você poderia ver uma dançarina e simplesmente imitá-la, mas você escolheu fazer aulas para aprender a correta movimentação que uma dançarina "do ventre" deve demonstrar, ou, ao menos, do que se espera de uma, com a finalidade de ao estar dançando fazer o melhor possível para que seu sentimento ao ouvir uma música se transforme numa projeção em "3D" no espaço através do seu corpo.

Suheil nos deu pequenos conhecimentos básicos do Ballet, mas que agregam muito para uma dança mais consciente. De onde deve partir o movimento, conhecimento básico do seu corpo para entender a postura certa, o eixo, os encaixes, como iniciar e terminar um movimento, enfim... Nem sempre isso é explicado e enfatizado em aula e os detalhes passam batidos. É por isso que aquele movimento que você se esforça todo dia pra sair, ainda não está 100% ou sai feio quando você vê suas fotos, ou sua filmagem, isso depois de quase 2, 3 anos de dança do ventre. Um dia você vai ter um estalo e lá pelo quinto, sexto ano dançando, essas coisas podem aparecer (ou não!!).

Por que não saber dessas pequenas preciosidades desde o início e praticá-las diariamente na sua rotina de exercícios? Você irá interiorizá-las e passará de movimentos desorganizados e desconexos para a dança do seu coração, aquela que você realmente almejava.

Não necessariamente você precisa de Ballet (ou qualquer outra dança) para dançar bem a Dança do Ventre, não é disto que estou tratando. Meu objetivo é apontar que a técnica do Ballet pode sim ser incorporada de uma maneira a potencializar a sua dança se assim você achar que é necessário. Que implicância é essa com uma técnica que só vem agregar conhecimento?

Agora, veja bem: Ballet é Ballet, Dança do Ventre é... Se você não faz um shimme, um oito, um redondo, na sua dança, então o que você está fazendo linda e bela lá só com aqueles developets, chassés e pivots? Utilizar uma técnica, vencer o preconceito na dança é uma coisa. Desrespeitar, descaracterizar, é outra. Os passos tem seus momentos musicais adequados. Utilizá-los com consciência não pode ser tão difícil assim, afinal seu coração não queria Dança do Ventre? Se joga nos camelos, no básico egípcio, troca de peso num tanlié e arrasa cheia de técnica, emoção e estilo.



Esse post não poderia ser feito sem a "ajuda" da Suheil. Ainda que ela não tenha escrito nada e que talvez o que eu tenha escrito não condiga 100% com o que ela nos proporcionou em seu workshop, já que absorvemos informações de acordo com quem somos e nossas vivências, sem ela esses pensamentos não estariam aqui. Além disso, não poderia deixar de falar que a Suheil merece mil elogios. Sua maneira de ensinar, os detalhes preciosos que ela não escondeu, a energia gostosa, ela é cheirosa, é solicita, divertida, criteriosa, enfim: façam aulas com a Suheil. É gente como a gente e é diva!

13 comentários:

Vanessa Veiga disse...

Olá, gostaria de lhe convidar para conhecer meu blog www.marketingparabailarinas.com.br. Bjs e parabens pelo blog!

Marcia Valeria disse...

Tudo o que penso sobre esta "fusão"
O jeito da Suheil ensinar é algo realmente impar!!
Dá pra perceber só pelas video aulas dela como essa mulher é mestra em ensinar!!

Blog show!! Parabens!!

Nyh! Marinho. disse...

Olá...sou nova na dança do ventre, faço aulas a 3 meses e antes de decidir me matricular jah visitava seu blog...Parabéns, acho q é isso mesmo q vc escreveu...acho q uma coisa ajuda a outra, a tecnica tem sim sua importância!
Bjos!

Amar el Binnaz disse...

Oi Celinha!!!

Eu sou do movimento "Contra" o ballet do ventre... ahahah, esta história rendeu.

Estou tendo um maior contato com a Suheil, e é incrível como esta bailarina tem "A" didática da dança, mas isso não é coisa que se adquire rapidinho não. São mais de 20 anos de estrada e estudo.

O que acho mais bacana é que ela incentiva a bailarina a encontrar seu estilo mesmo ensinando os movimentos do ballet, e mesmo sendo ela própria uma intérprete de um estilo de dança onde o ballet tem um espaço grande. Porém, se observar vários vídeos dela, tem pra todos os gostos: repertório árabe, "ballet fusion", folclore bem feito, tem de tudo. Admiro muito!!!!

Beijocassss

Verinha
www.amarelbinnaz.com.br

Lívia disse...

Vera (amar el binnaz), mas é mais ou menos o que você falou aí! O que eu estou tentando esclarecer aqui é que uma técnica de dança, não pode ser ruim, afinal de contas vc dança do ventre e não a outra dança. A técnica vem só agregar, e não contaminar como aparece em seu post =)
De fato só movimentos do ballet é chato, pq vc espera dança do ventre e aí eu tbm sou contra. Mas o work da Suheil me mostrou o qnt podemos agregar com as bases do ballet, não há nenhum mal, só contribuição para ficar mais consciente.

Manu disse...

Livia, gostei do seu post!Não entrei muito nessa discussão do ballet ou não ballet, acho que é uma técnica a mais e conhecimento sempre agrega. Mas o que andei vendo por ai é um excesso de ballet na dança e isso me incomodou... Vi apresentação de "dança do ventre" que contei nos dedos de 1 mão (sem exagero) os movimentos típicos de DV, era muito mais ballet contemporâneo do que DV. Mas tinha música árabe, e roupa meio árabe, e deram o nome de DV. Não gosto também quando o ballet é usado pra corrigir a DV, acaba polindo demais movimentos que precisam ser um pouco mais vivos. Mas conhecer sua técnica base ajuda muito para o trabalho de eixo, giro, postura e essa contribuição é inegável.

Lívia disse...

Isso aí Manu, esse é o espírito do post. De fato confesso que existem renomadas bailarinas no nosso cenário que não me emocionam, não me prendem, exatamente pelo uso do ballet excessivo ou da postura rígida demais. Me incomoda. Não sei até onde vai o meu gosto pessoal e o que deveria ser DV de um modo geral. Mas é o que você disse, é inegável a contribuição, mas fique claro que ela pode vir de outras danças, ou de um conhecimento elaborada dentro da DV msm, só buscar o conhecimento.

Bjs!

Lívia disse...

Não pude deixar de compartilhar com vocês o que li recentemente numa entrevista de Nadia gamal que está disponível traduzida no site:http://arabesc.multiply.com/journal/item/53

"Nadia Gamal defende que não há necessidade de certos acessórios como candelabro e sua opinião parece bastante respeitável, tendo em vista sua brilhante carreira e conhecimento profissional. Depois das aulas do colégio, primeiramente na Alexandria e depois no Cairo, Nadia pontualmente ia para suas classes de ballet clássico. Além dos 11 anos de ballet, a “primeira-dama” da raqs sharqui estudou ainda com um dançarino de sapateado americano que lhe ensinou ainda acrobacias. Ela estudou piano por 3 anos e coreografia por 2. “Qualquer mulher pode balançar o esqueleto e chamar isto de dança do ventre. Contudo, eu sei o que estou dizendo quando afirmo que ficar entre as melhores do mundo exige muito estudo e dedicação”, ela ressalta"

O post é sobre isso, sobre estudar, e não necessariamente descaracterizar uma dança.

Zahira disse...

Valeu pelo coments!!

Tenho um sobre esse tema que vc escreveu... olha só a polêmica hein?

Mas acho q faz tda diferença sim, e temos que ter expressão corporal, postura e meia ponta alta! E isso o balé nos ajuda muito, não tem jeito.

bjo

Samantha Monteiro disse...

Realmente é um assunto polêmico, e deixarei a minha modesta opinião: não sou contra dança do ventre com ballet, mas sou sim contra pessoas que acham que dança do ventre só tem qualidade se tiver arabesques, chassés, passés, e etc...
Tenho dez anos de DV, e sabe porque até hoje não tirei o meu DRT? Porque aqui no Rio, por mais que o sistema de avaliação do Sindicato para a dança do ventre seja infinitamente mais justo, estruturado do que outros sindicatos de outras cidades, e todo processo sendo coordenado por uma bailarina respeitada no meio, VOCE NÃO PASSA SE NÃO FIZER UNS DOIS ARABESQUES BEM FEITOS NA MEIA PONTA IMPECÁVEL!!! Pode ter o quadrilzão que for, ser boa em reconhecer ritmos e ler uma rotina clássica como ninguém. Sem o background do ballet por trás, voce leva o provisório, se der sorte. Tenho consciencia da qualidade da minha dança, mas só penso em me submeter a prova depois de me aprimorar nesse ponto... Contra essa "obrigação" de ballet na DV, sou contra, com certeza!!!

Lívia disse...

Hm, bom ponto Samantha. Isso é um outro assunto que não abordei: a "obrigação" de certas coisas do ballé na DV por parte de um grupo do nosso meio. Isso é bem complicado de fato, pq como falei vc nao precisa do ballé pra dançar bem, é só algo que deveria agregar e não ser o principal né.

Natália Kozan disse...

É inviável pensarmos em uma dança que não sofra influências de outras danças, visto que a essência da Dança é única e comum a todas elas. A dança existe para nos conectar a vida, e a energia divina que existe em tudo e em todos. Uma dança influencia outra que por sua vez influencia outra e assim por diante como tudo no universo.
Vale esclarecer que historicamente falando quem surgiu primeiro fora a dança oriental e esta por sua vez, durante muitos anos e de maneira bem significativa influenciou a existência e a consolidação da técnica do bale clássico, contribuindo de maneira infinita para o bale ser tão encantador e duradouro; infelizmente poucas bailarinas sabem disso_ a história da Dança é tão rica quanto a própria dança, mas são poucos que estudam. Isso nos remete a pensarmos afinal quem está influenciando quem? O balé complementa a Dança oriental ao passo que a dança Oriental inspira o balé, e etc...
Além disso, não devemos esquecer que a dança é um veículo para comunicação, expressão de idéias, protestos sociais, e não para ficar mostrando técnica apenas. Vejo que isso vêm cada vez mais sendo dissolvido e as pessoas preocupam-se mais com a técnica e com a aparência do que com a expressão do sentimento de seus corações. Sou bailarina clássica formada e também bailarina do ventre e digo que o ballet pode melhorar a dança bem como piorá-la. Depende de como se usa!!! Valeriam mais ensinamentos que trouxessem valores do que técnicas. O mais importante é não depender de nada disso para dançar bem e ser feliz. E outra coisa, deveríamos unir a energia das pessoas que dançam não para protestos contra ou a favor do balé, pois isso cada um decide por si só, mas sim para questionar coisas a respeito do preconceito sofrido, das baixas remunerações, da falta de valorização social. Estes sim são temas necessários e urgentes!!!

Lívia disse...

Olá Natália Kozan, bem vinda!
Concordo plenamente com o que você disse. O post, como enfatizado nele msm, é produto de uma experiência que tive. A discussão em torno disso (do Ballet e a DV) existe e acho que é um processo natural...
Você citou a história da dança e nós sabemos que nela, nas diversas modalidades, discussões semelhantes ocorreram. A diferença é só o tempo de duração ou a época em que ocorre. O que eu quis trazer no post foi mais ou menos a sua mesnsagem. O Ballet pode agregar e o que quis trazer pra discussão é "Existe uma diferença entre você achar que estão usando passos de ballet demais na dança e uma técnica de dança (mas não a única, nem a melhor - quem decide é você) que pode te ajudar a dançar, expressar o que seu coração deseja"

É claro que sei que existem bailarinas que "contaminam" sua dança ao invés de acrescentarem idéias e propostas..mas acho que isso não é dança do ventre e sinceramente nem recebe meu ibope.
Obrigada pelo seu comentário. Beijos!!

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