sexta-feira, 5 de junho de 2015

Tradução: Aho Da Kalam

Tradução da música Aho Da Kalam da Warda a pedido de Mari Pheula.


Aho Da Kalam - Eis as palavras

Eis as palavras, eis a paixão
Eis meu querido, a lua cheia
Eis as palavras, eis as palavras,
Aqui está a paixão, aqui está a paixão.
Aqui está meu querido, a lua cheia.

Quais são seus desejos?
Quais são suas paixões?
Quais são seus desejos?
Quais são suas paixões?
E a cor de seus olhos me capturam de repente.

Eis as palavras, eis a paixão
Eis meu querido, a lua cheia
Eis as palavras, eis as palavras,
Aqui está a paixão, aqui está a paixão.
Aqui está meu querido, a lua cheia.

Nem uma vez ele me deixou,
Ele não me disse quaisquer
palavras que me magoaram
nesta vida.

Apesar dele estar longe de mim,
Ele vem para mim
Com belas palavras, oh lua
Oh povo, quando o virem!
Oh povo, quando o virem!
Vocês alcançarão uma linda paz!

Eis as palavras, eis a paixão
Eis meu querido, a lua cheia
Eis as palavras, eis as palavras,
Aqui está a paixão, aqui está a paixão.
Aqui está meu querido, a lua cheia.

A mais bela história,
Eu estou a vivendo.
Os mais belos anos
Passaram por mim.
E nunca em minha vida
Irei esquecê-los.
E quem esquece o paraíso?

A mais bela história,
Eu estou a vivendo.
Os mais belos anos
Passaram por mim.
E nunca em minha vida
Irei esquecê-los.
E quem esquece o paraíso?

Por que quando ele vem para mim
Nós nos derretemos [de amor] um pelo outro?
Ele me tomou com seus olhos,
Sem quaisquer palavras.

Eis as palavras, eis a paixão
Eis meu querido, a lua cheia
Eis as palavras, eis as palavras,
Aqui está a paixão, aqui está a paixão.
Aqui está meu querido, a lua cheia.

Quais são seus desejos?
Quais são suas paixões?
Quais são seus desejos?
Quais são suas paixões?
E a cor de seus olhos me capturam de repente.

Eis as palavras, eis a paixão
Eis meu querido, a lua cheia
Eis as palavras, eis as palavras,
Aqui está a paixão, aqui está a paixão.
Aqui está meu querido, a lua cheia.

Letra:

اهو ده الكلام, اهو ده الغرام
aho dah elkalaam, aho dah elgharaam

اهو ده حبيبي بدر تمام
aho dah 7abibi badr temaam

اهو ده الكلام, اهو ده الكلام, اهو ده الغرام, اهو ده الغرام
aho dah elkalaam, aho dah elkalaam, aho dah elgharaam, aho dah elgharaam

اهو ده حبيبي بدر تمام
aho dah 7abibi badr temaam

اشواقه ايه وغرامه ايه, اشواقه ايه وغرامه ايه
ashwaa2o eih wa gharaamo eih, ashwaa2o eih wa gharaamo eih

ولون عينيه يخطف قوام
wa loun 3ineih yekhtaf 2awaam
and the color of his eyes seize [you] suddenly

اهو ده الكلام, اهو ده الغرام
aho dah elkalaam, aho dah elgharaam

اهو ده الكلام, اهو ده الكلام, اهو ده الغرام, اهو ده الغرام
aho dah elkalaam, aho dah elkalaam, aho dah elgharaam, aho dah elgharaam

اهو ده حبيبي بدر تمام
aho dah 7abibi badr temaam

لا سابني مرة ولا قال لي
la saabani marra wa la 2aal li

كلام يجرحني في عمره
kalaam yegra7ni fi 3omro

وان غاب علي يوصل لي
wa en ghaab 3layi yewasal li

كلام جميل ويا قمره
kalaam gameel wa ya 2mero
beautiful speech (words) and oh moon

لا سابني مرة ولا قال لي
la saabani marra wa la 2aal li

كلام يجرحني في عمره
kalaam yegra7ni fi 3omro

وان غاب علي يوصل لي
wa en ghaab 3layi yewasal li

كلام جميل ويا قمره
kalaam gameel wa ya 2mero
beautiful speech (words) and oh moon

ويا ناس ياه لما تشوفوه
wa ya naas yaho lema teshoufo

ويا ناس ياه لما تشوفوه
wa ya naas yaho lema teshoufo

تبلغوه حلو السلام
teblegho 7elo esalaam

اهو ده الكلام, اهو ده الكلام, اهو ده الغرام, اهو ده الغرام
aho dah elkalaam, aho dah elkalaam, aho dah elgharaam, aho dah elgharaam

اهو ده حبيبي بدر تمام
aho dah 7abibi badr temaam

أجمل حكايه انا عايشاها
egmal 7akaaiya ana 3aaishaaha

ّأجمل سنين مرت بي
egmal senein marret biya

ولا عمري أبدا حانساها
wa la 3omri ebadan 7a ensaaha

ومين بينسي الحنية
wa meen biyensi el7enia

أجمل حكايه انا عايشاها
egmal 7akaaiya ana 3aaishaaha

ّأجمل سنين مرت بي
egmal senein marret biya

ولا عمري أبدا حانساها
wa la 3omri ebadan 7a ensaaha

ومين بينسي الحنية
wa meen biyensi el7enia

قربني ليه دوبني فيه
2rabni leh douwebni fih

قربني ليه دوبني فيه
2rabni leh douwebni fih

خدني بعينيه من غير كلام
khedni bi3ineih min ghier kalaam

اهو ده الكلام, اهو ده الكلام, اهو ده الغرام, اهو ده الغرام
aho dah elkalaam, aho dah elkalaam, aho dah elgharaam, aho dah elgharaam

اهو ده حبيبي بدر تمام
aho dah 7abibi badr temaam

اشواقه ايه وغرامه ايه, اشواقه ايه وغرامه ايه
ashwaa2o eih wa gharaamo eih, ashwaa2o eih wa gharaamo eih

ولون عينيه يخطف قوام
wa loun 3ineih yekhtaf 2awaam

اهو ده الكلام, اهو ده الغرام
aho dah elkalaam, aho dah elgharaam

اهو ده الكلام, اهو ده الكلام, اهو ده الغرام
aho dah elkalaam, aho dah elkalaam, aho dah elgharaam

اهو ده حبيبي, حبيبي بدر تمام
aho dah 7abibi, 7abibi badr temaam

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Stefany Garcia

Passar aqui para vocês uma dica de dançarina para acompanhar: a Stefany Garcia! A conheci pessoalmente na minha passagem no Mercado Persa e desde então tenho acompanhado algumas coisas dela, acho que ela merece essa divulgação!
De Vitória da Conquista, que eu descobri que é a "Suíça baiana", Stefany foi precoce, iniciou a carreira artística no teatro aos cinco anos de idade ao lado da mãe e fez seu debut na dança do ventre aos oito anos de idade. Desde então realizou vários cursos, tendo estudado com Kahina, Amir Thaleb, Amara Saadeh, Tito, entre outros, além da sua maior inspiração, Soraia Zaied. Com tanto estudo e dedicação, ano passado ela obteve o selo de qualidade Khan el Khalili, mais um louro para a sua carreira que ainda promete muitas conquistas.

Atualmente Stefany, além de se apresentar eventualmente na Casa de Chá e em demais eventos, também dá aulas de dança do ventre em seu espaço próprio, a Casa da Arte da Dança do Ventre.


Aqui Stefany e sua dança:

terça-feira, 14 de abril de 2015

Impressões: Mercado Persa 2015

Depois de dois anos afastada, resolvi voltar a fazer parte da dança do ventre. Comecei minhas aulas no dia 28/02, super recente, ainda estou destravando várias partes do meu corpo e eis que surgiu a oportunidade de conhecer e cobrir o Mercado Persa. Assim, as minhas impressões estarão muito mais voltadas a meu retorno e minha redescoberta da dança e meu ininterrupto contato com a cultura árabe do que exatamente uma análise crítica e técnica, mas vamos lá! 

Bicho do mato, eu! Nunca havia vindo para o Mercado Persa ou qualquer evento de dança do ventre fora do Rio, já vi algumas meninas participando deles, mas sem grandes envolvimentos. Então qualquer evento do Rio de Janeiro (que eu já tenha ido, quem sabe há surpresas por aí) não tem comparação com a grandiosidade do Mercado Persa

Falando do espaço:
O WTC é bem prático por causa do shopping. Era engraçado ir na praça de alimentação e encontrar várias pessoas com figurino, eu ficava imaginando o que pensavam os atendentes. Dentro do Centro de Convenções, a decoração estava impecável, os tapetes bem colocados (não tropecei em nenhum e não vi ninguém tropeçando) e as mesas do expositores pareciam até mesmo fazer parte da decoração. Eu que pude ir somente sábado e domingo, percebi que domingo por ser o último dia do evento, estava extremamente lotado! A parte da entrada estava muito difícil de transitar, acredito que os vendedores daquele espaço não tenham tido tanta sorte nesse dia, pois era impossível parar sem levar encoxadas e esbarrões. Na área dos palcos a lotação também era máxima, mas acho que o que complicou mais foi a falta de educação de algumas pessoas: gente em pé atrapalhando a visão das apresentações, bolsas espalhadas pelo chão (altos malabarismos e alongamentos para pular todas elas), mesmo havendo lugar para guardar essas coisas.

Falando da organização:
Nesse momento faço uma ode de graças à Iolanda, que me salvou inúmeras vezes. De fato, num evento de grande porte, a organização é a área mais trabalhosa, e que devia ter pessoas melhores selecionadas. Não falo sobre educação, boa vontade ou atenciosidade, mas exatamente pessoas que deveriam ser responsáveis, mas não assumem qualquer responsabilidade. Não só eu, mas outras pessoas ficavam minutos preciosos (no domingo fiquei 1h30) esperando alguém liberar a sua entrada porque ou não achavam o envelope com seu nome, ou não encontravam no arquivo do computador, e queriam que outra pessoa - que nunca estava na recepção - assumisse a responsabilidade de liberar quem estivesse com este problema, mesmo que a pessoa tivesse comprovantes para entrar. Em relação a parte das bailarinas, por eu não estar envolvida nem pessoalmente ou com alguém que fosse participar, a minha visão foi de que tinha muita gente gostando da experiência, apenas com reclamações sobre o local de se trocar ser muito exposto e pequeno, e os banheiros serem sempre escolhidos como segunda opção! Além de dificuldades para saber onde entrar e sair dos locais de apresentação, aqui pontos positivos para os seguranças, muito simpáticos, que guiavam as meninas perdidas com cordialidade.

Falando das mostras, concursos e palestras:
Ficar presa na entrada me impediu de acompanhar decentemente essas atividades, até porque chegar no meio delas me deixava perdida no que estava acontecendo. Tentei ver alguma coisa, mas não foi bem meu foco durante o Mercado Persa. De fato a grande maioria das dançarinas seguia o estilo alongada, carão, giros e poses, isto é, buscando limpar o máximo possível a dança. Como disse uma amiga minha, Sarah, dava pra sentir o nervosismo delas da platéia, mas isso não diminuía sua qualidade da dança, muitas me surpreenderam positivamente. Ah, sobre surpresas, o grande diferencial desse evento foi ver homens em todas as modalidades de concursos e danças. Não apenas no folclore, mas no meio de coreografias em grupo, em solos, em apresentações DI-VI-NAS! Adorei não só a participação deles, como também o acolhimento da platéia que os assistiu, pois no Rio já vi situações bem tensas quando um homem entrava no palco dançando o tradicional estilo feminino. Sobre as palestras, eu fiquei deslumbrada na barraca de prata (nada de ouro, inshallah) do Magdy Basha e quando me dei conta, a Jade el Jabel já tinha falado a tão comentada e famosa palestra. #chateada

Falando dos expositores:

Digo que foi aqui que fiquei, foi aqui que me senti acolhida! Não por estar torrando dinheiro (quem me dera!), mas por encontrar gente muito bacana: Ahmed e sua barraca tipicamente egípcia, e sua esposa Vanessa, na barraca de henna, Carlos Karan e sua impressionante sensitividade, e ainda caligrafia árabe com o Abdelaziz Bahsain, que realizou meu sonho de ter em quadro a frase "Eu tenho um coração árabe". Ainda pude tocar um pouco de derbake, um pouco de snuj, brincar com as espadas com a Sarah, falar todo meu árabe reprimido (em clássico e rir do Ahmed me zoar dizendo "árabe clássico é F***A"), e as pessoas que não soube o nome, mas ficaram na minha memória e no meu coração!
Domingo ainda tive a alegria de ter a companhia da Sarah Ghuraba, muçulmana e blogueira, na minha visita "antropológica" e daí foi só diversão! Lá naquele cantinho acolhedor, havia um mini palco onde vimos apresentações de dança do ventre e dança cigana, uma moça inspiradíssima por sinal (geralmente só vejo gente pulando e sacudindo a saia, essa lacrou!) e derbakistas com Carlla Silveira, diva divônica! Com ela eu paguei meu máximo mico extreme: chorar, oh! Ansuya já teve essa experiência comigo, haha. Como havia falado no post passado, voltar à dança é como voltar pra casa, se sentir na sua tribo e a minha inspiração era a Carlla. Tava eu olhando as barraquinhas distraída, quando olhei pra cima e pá!, estava lá ela, e só foram lágrimas e lágrimas que me rolaram. Como comentei com umas meninas da dança, não sei como ela é enquanto pessoa, eu a conheço pela sua dança; o povo ainda diz que ela não bem saiu da dança do ventre porque ela continuou vendendo seus produtos, mas ora, eu também mantive o blog no ar, por um tempo até com as contribuições da Lívia, e isso não deslegitimou minha distância no corpo e no coração. Voltar, deixar pra trás medos, preconceitos, mágoas, é um passo muito grande, é falar: "é isso que me faz feliz, na sua essência, eu quero de volta!". Então Carlla é minha inspiração e vê-la num momento icônico como esse (estar no maior evento de cultura árabe do mundo com o espírito de iniciante) foi algo emocionante para mim! (espero apenas que não tenha sido assustador para ela, haha).

Falando do espetáculo:
Sábado à noite houve o Espetáculo Oásis, com a Banda Mouzayek. O Tony continua a mesma coisa das minhas lembranças, um pouco mais velho, claro, mas o mesmo "ahhhhhh" - o tarab infinitivo que ele fica fazendo - em todas as músicas, especialmente no início do show. Nesse evento eu tive a companhia de uma senhorinha extremamente animada e fofa, a dona Leatrícia, Lia para os amigos. Dona Lia tem uma neta na dança do ventre e já sabia diferenciar estilos e qualidade de apresentações. Uma fofa mesmo! No show, a presença masculina foi bem forte, especialmente folclórica, mas tendo representantes da dança tradicional com Pablo Acosta com a música Habibi Ya Eini (finalmente uma música que pude cantar, percebi que meu repertório de músicas está desatualizado!). Ele foi uma das apresentações mais cativantes!
Das novidades, tivemos o indiano Sunny Singh, que deixou as mulheres no cio na plateia. Músculos e gingado, meninos, anotem a dica! No dia seguinte ao show, até fui conhecer esse tal indiano, como deu pra perceber, ele é excelente dançarino, mas como pessoa... Ok, talvez eu tenha enfiado o dedo na ferida, mas começou com: "você dança bem e é bonito, parece aquele ator do filme Krrish (Hrithik Roshan).", resposta: "não, não pareço". Daí o dedo na ferida foi perguntar sobre a questão racial na Índia, ele sendo um indiano com "fair skin", pele clara, nossa, ele me chamou de ignorante! Ok, me disseram que a palavra "ignorance" em inglês não tem o mesmo peso em português, mas ele foi super grosseiro no resto da resposta, e ainda disse que apenas o sul da Índia tem a pele escura, o resto é tudo branco e por isso os filmes só tem atores brancos (aquelas fotos de Mumbai com pessoas de todos os tons de pele é ilusão de ótica, vlw flw).
Falando de coisa boa, que maravilinda é a Mahira Hasan! Todas as dançarinas profissionais foram divinas, mas ela foi, para mim, a mais perfeita. Claro que Ju Marconato foi a sensação no palco (ela é a cara da minha amiga Virgínia Njainne!). O que ainda reparei nelas é como as roupas de dança do ventre estão ganhando ares modernosos: bustiês fechados, cortes incomuns nas saias, mostrando shortinhos do mesmo tecido, minissaias com cauda, foi uma boa surpresa para mim.
Falando de coisas não tão boas, algumas dançarinas não profissionais estavam bem aquém da qualidade que vi nas apresentações das mostras e concursos no sábado e domingo. Será o nervosismo? O fato é que achei até estranho elas ali. Outra coisa meio estranha foram umas dançarinas vencedoras tendo que dançar pela primeira vez com banda ao vivo com as medalhas no pescoço! Gente, é uma experiência única, a gente quer estar linda e perfeita, e aquela medalha rodando no nosso pescoço te tirando a atenção. Ruim, não?
No fim, claro, veio o dabke que sempre termina em bagunça boa. Já havia tido um maior contato com o público com os dançarinos descendo do palco, começando pelo Tarik e fechou nessa interação com a galera subindo no palco para fazer a roda de dabke. Eu gosto, mas não arrisco não, haha, eu não tenho coordenação motora para isso! Fato comprovadíssimo é que homens dançando dabke são muito sexy, meu maridinho está intimado a aprender para me seduzir, haha.

Então essas foram as minhas impressões do evento. Sinceramente, considero que há impressões diferentes dependendo do que você está buscando e como você se insere nele. Eu estava passeando, basicamente, e também pesquisando. Para mim foi uma forma de experiência antropológica, e como historiadora, eu fiquei mais admirando e analisando pessoalmente que criticando tecnicamente. Talvez eu estando mais envolvida com a dança do ventre, quem sabe até competindo (será?!), eu tivesse uma postura mais analítica, eu visse outros aspectos e detalhes que me chamariam mais a atenção e pesasse mais na hora de narrar minha experiência. Agora eu já inseri a comunidade muçulmana de São Paulo para passar por lá, primeiramente com as impressões da Sarah - que amou tudo! - e também já deixei avisado o meio acadêmico árabe e islâmico da USP, o qual ano que vem deve estar lá para deixar seu olhar. Acho que pelo próprio caráter do evento, ele não se limita a ser um entretenimento e uma atividade puramente para envolvidos diretamente com a dança do ventre, mas para todos aqueles que gostam ou querem conhecer a cultura árabe, e a partir daí, ter acesso a outras culturas orientais, como a cigana e a indiana. Apesar de não ser barato, pela sua grandiosidade, é uma ótima oportunidade para se divertir e conhecer esse meio, e pensando no significado de seu nome, a construção deste evento me remeteu à imagem de uma Isfahan medieval abrangendo diversos povos, trocas e riquezas, uma representação da comunhão de culturas que foi, uma vez, o império árabe.

"Tenho um coração árabe" S2

sábado, 28 de março de 2015

Eventos: Mercado Persa 2015


Tradição no meio bellydancer brasileiro!

Mais informações aqui.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Não sei mais dançar... E agora?

Todo mundo que começa a fazer dança do ventre e se dedica por algum tempo vai "subindo de fase". A gente começa como iniciante, vai para o intermediário, algumas chegam ao avançado e outras poucas se profissionalizam. É seu corpo se adaptando à dança e, claro, seu esforço em estudar e vencer seus próprios limites.

Mas a vida nem sempre segue uma linha reta em tudo que fazemos. A gente pode chegar até o último estágio, outras prioridades tomam a vez e, quando vemos, a dança do ventre não faz mais parte da nossa vida! Geralmente é um intervalo, conheço pouca gente que realmente abandona a dança do ventre (ao menos se chegou ao nível intermediário), mas quando passa MUITO tempo?

Talvez aqueles passos bem básicos vão estar ainda na sua mente, e seus braços ainda vão se manter na posição, sem retroceder às "garras" da época iniciante. Mas e o redondo?! Eu faço uma maravilha pra direita, agora pra esquerda parece que estou usando um bambolê. E principalmente: o shimmie!! Me diga alguma pessoa que tenha ficado 2 anos sem dançar, voltar e shimmar que nem Soraia Zaied! É um festival de solavancos!

Pode bater um desânimo, na verdade, nem exatamente desânimo, mas pensar: caraca, eu desaprendi a dançar! Como isso aconteceu?! Eu ouvia música árabe toda vez que faxinava a casa e ainda dava meus passinhos! Meu corpo devia ainda estar meio acostumado, não?

Pois é, não. De repente aquelas meninas que faziam balé desde a infância e tem todos os seus músculos do corpo naturalmente alongados possam ter menos dificuldade para voltar, mas e daí? Por que não voltar e entrar numa turma iniciante? Rever todos aqueles movimentos que fizeram a sua alegria por muitos anos? Ou então arrumar uma professora particular para fazer seu corpo sofrer desafiar novamente seus próprios limites. Por que desistir antes mesmo de começarDançar é muito prazeroso! Dançar um estilo de música que a gente gosta é "mais melhor de bom" ainda! Não é para a gente fazer aquilo que gosta? Então se joga! :D
Fico aqui com um vídeo de uma diva bellydancer que chegou a deixar essa arte, mas voltou para nos brindar com seu talento: Carlla Silveira!


quarta-feira, 4 de março de 2015

Tradução: Min Hob fik ya Ghari

Tradução da música Min Hobi fik ya Ghari de Morse Gamal a pedido de Vanessa Raithz.


Min Hobi Fik Ya Ghari - Meu amor a você, oh vizinha

Meu amor a você, oh vizinha
Oh vizinha, meu desejo
Escondo meu desejo por você
Para que os vizinhos não descubram

Quando acontece de nos encontrarmos nas escadas,
Você não diz bom dia ou um olá.

Meu coração dança com alegria,
E o mundo gira ao meu redor,
Eu não sei para onde vou
Ou de onde venho.

Escondo meu desejo por você
Para que os vizinhos não descubram

E a vida amorosa acontece de janela para janela
Nossos olhos percebem e se olham diretamente,
Meus olhos se derretem de amor, mas você é difícil de se conquistar
Nossos olhos percebem e fazem contato,
Eles se cumprimentam, mas você parece negar.

Escondo meu desejo por você
Para que os vizinhos não descubram


Letra:

Min hobi feek ya gari, ya gari men zaman
Akhaby el sho wa dary le arafo el geran
Akhaby el sho wa dary adary le arafo el geran

Youm netsadef al selem, la tesabah wala tesalem
Youm netsadef al selem, la tesabah wala tesalem

Alby beyoros bel farha wal donia ter hawelaya
Marafash fein kont rayah ya habeby wala gay

Akhaby el sho wa dary adary le arafo el geran

Wa hayat hobak mashabak men shibak le shibak

Wa aiyoun tefham wa teshawar
Wa daweb sho wa gafak
Wa aiyoun tefham wa tehawer
Wet salem waya nesa

Wa akheby el sho wa dary adary le arafo el geran

domingo, 1 de março de 2015

Para começar a fazer dança do ventre!

Muitas meninas (ou meninos, Tito está aí pra mostrar que eles podem arrasar também na dança do ventre) sonham em fazer sua primeira aula de dança do ventre, mas sempre bate aquela dúvida: será que levo jeito? Meu corpo é ideal para a dança? Tenho que ter algum material específico para dançar? Onde posso fazer aulas?
Começando de trás pra frente, sim, buscar uma boa professora e/ou uma boa escola é fundamental para se iniciar na dança do ventre, não vá querer parecer uma múmia paralítica dançando por ter postura errada, braços errados e, pior ainda, causar lesões sérias no seu corpo! Para isso disponibilizamos aqui já algumas dicas de escolas e professoras (que pretendo atualizar, prometo!). Mas lugar escolhido, data e horário marcados, o que mais devo me preocupar?

1 - Com que roupa, eu vou!
Use roupas maleáveis e leves! Você vai se exercitar bastante! Em geral as calças de ginástica são as mais comuns em aulas de dança do ventre, mas shorts, saias, bermudas de tecidos elásticos e leves são bem vindos também. É sua escolha também deixar a barriga de fora ou coberta, tops, regatas, mas é importante apenas marcar o tronco com a roupa - se o cobrir - para que possa ver os movimentos. Alguns locais possuem xales de medalhinhas e frufruzetes para emprestar durante as aulas e você marcar seu quadril e ouvir se está fazendo os movimentos dentro do ritmo, eles são bem úteis para quem está começando, mas com ou sem eles, você vai aprender a dançar!

2 - Devo ser gorda para dançar? Ou devo ser magra? Ou devo ser jovem?
Vamos dançar e nos divertir, não ser paniquetes!hehe. A aula segue aumentando a intensidade dos movimentos, mas você não é abrigada a fazer o que não se sente bem ou tem ainda condições físicas de fazer. Gordura nem magreza são impeditivos de dançar, muito menos idade! Vejo senhoras muito mais desenvoltas que muitas menininhas numa mesma aula, e o mais importante: elas estão felizes consigo mesmas! Não há um corpo ideal para a dança do ventre se você quer praticar como um estilo de dança, um hobby. Certamente nas profissionais a maioria é magra, mais por uma questão cultural do que por uma imposição ou condição da dança, mas isso não impede também que tenhamos lindas e poderosas dançarinas do ventre de todos os corpos e idades.

3 - Para fazer dança do ventre tenho que investir em algum material?
O xale de medalhinhas é bem legal de se ter para quem está começando e com o tempo, você pode adquirir materiais que fazem parte do universo bellydancístico, como: snujs, bastões, espadas, véus e principalmente roupas! Nada disso é imprescindível para quem quer dançar, mas conforme o tempo passa, nós vamos querendo adquirir certas coisas mesmo, principalmente a roupa se nossa escola e/ou professora organiza/participa um evento de dança do ventre. Mas tenha em mente que ninguém é obrigado a se apresentar ou comprar objetos da dança só porque a pratica! Isso deve ser uma iniciativa da própria pessoa, se ela quiser ter algo, como vemos em tantas outras modalidades de dança por aí.

4 - O que a dança do ventre pode me trazer?
Primeiramente, acho que toda praticante é unânime em dizer que traz uma melhor autoestima! Afinal, você precisa ser sensual, né? Precisa mexer partes do seu corpo que talvez nem conhecesse (assoalho pélvico!), daí além do autoconhecimento, rola também uma maior aceitação, você perceber o quanto pode ser bonita e graciosa apenas com movimentos. Além disso, uma coisa que te garanto: dança do ventre vai te viciar em música árabe! Olha que pessoa eclética você vai ser, haha! Não tem coisa melhor que sair da mesmice?

Então gente, acho que são os pensamentos e questionamentos básicos, no resto é correr atrás. Fica aqui a dança de uma das minhas musas no início da minha trajetória na dança do ventre: Ansuya!

sábado, 26 de abril de 2014

O "uniforme" da Dança do Ventre

O que faz uma dança é o cabelo? É o peso? A altura? A atitude? As habilidades? O quê?
Hoje, conversando com um amigo que tem uma namorada super fofa de cabelos curtos, surgiu a seguinte pergunta: "Não existem dançarinas com cabelo curto, né?"! E eu, prontamente, disse "nãaao" e lembrei logo de uma bailarina pouco convencional, a Rosa Noreen, que tem DVD lançado e tudo. Ela tem umas coisas bem interessantes!
De fato, pesquisando no google o termo "Dança do Ventre", os resultados mostram dançarinas de cabelo longo, a maioria magra. Acredito que há crenças sobre como uma dançarina deve mesmo "parecer", assim como também há variações desses esteriótipos. Tenho um exemplo que gosto de usar, pois no Studio onde trabalho há duas perguntas constantes e que são divertidas porque são contrastantes: "tem que ter uma barriguinha pra dançar, né?" contra "tem que ser magra pra dançar, né?; às vezes essa última varia assim: "fica mais bonito quem é magra, né?", ou "quem é gordinha pode dançar?". Essas perguntas me mostram que o "uniforme" varia, mas existe na cabeça de muitas pessoas um uniforme, um esteriótipo, um jeito de ser melhor, ou mais adequado pra dançar. É engraçado porque a Dança do Ventre por si só já é tão contravencional, não é mesmo? 

Mas eu mesma já me surpreendi vivendo isso. Na minha primeira apresentação eu queria me vestir do meu jeito, mas me convenci que, além do meu jeito ser super sem graça, eu tinha que "parecer uma dançarina do ventre". E como elas são? Bom, na minha cabeça, elas usavam unhas vermelhas, batom vermelho, olho super preto, cabelo solto e a roupa tinha que ser bonita e chamativa e ter alguma fenda mostrando a perna. Ah, e usam muito strass!!! Conclusão: eu odiei. Eu que sempre fui tão fiel a mim mesma prometi que dali em diante só iria dançar do jeito que EU sou. Já na segunda apresentação, eu fui com uma roupa mais simples que a anterior, bonita, fiel ao meu estilo de ser, esmalte clarinho, de trança, maquiagem menos marcada e bijuterias discretas. Eu me achei LINDA e sai muito, muito feliz dali. Reflete comigo: a gente dança pra quê?
Não quero me alongar, mas vou te fazer um pedido muito importante, caso tenha mais tempo pra ler um texto super interessante que tem TUDO a ver com esse tema. É muito bom e está em inglês, mas se você se interessa pelo assunto, vale o esforço. Acessa vai? Por favor, clica aqui e depois volta: http://www.gildedserpent.com/cms/2010/07/18/andrea-deagon-belly-dance-in-patriarchy/
Voltando às lindas dançarinas de cabelo curto. Não existe só a Rosa Noreen, ainda bem. Fui lembrando de tantas outras e vim compartilhar por aqui. Porque, o que faz uma dança é o cabelo? É o peso? A altura? A atitude? As habilidades? O quê? Vem comigo assistir Dança? Dança do Ventre? (siiiiim \o, porque é bom demais, né?) Vambora!

Quer acrescentar alguém? Fique à vontade pra comentar!
Esmeralda Colabone
 Mariana Quadros
Lalitha
Nadja el Balady
Isete Najla
Sera Solstice
 
Zeinat Olwi
Samia Gamal
Tahya Karioca
Nadia Gamal

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Primeiros Passos de Samara Nyla

Samara Nyla é formada em Geografia e pós-graduada em Psicopedagogia. No entanto, estuda Dança do Ventre desde 1999, quando tinha apenas 12 anos de idade. É uma bailarina conhecida por sua leitura musical refinada e performances de improviso. Atualmente, mantêm-se em constante estudo com diversos profissionais internacionais e nacionais, mas seus principais professores são Samra Sanches e Nami Hanna. Já participou de diversos programas na televisão como Big Brother Brasil, Fantástico, a novela "O Astro", entre outros. Em 2012 abriu seu próprio espaço de dança, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro, o Studio El Said de Dança, onde ministra aulas (entre outros locais). Ela também possui um atelier especializado em figurinos para Dança do Ventre e de moda fitness que leva seu nome como marca em parceria com sua mãe Gilda Marques. Vamos conhecer um pouco do seu início?
Samara Nyla ainda loira em 2003
Porque você começou a dançar a dança do ventre? 


Meu primeiro contato com a dança do ventre foi em 1998 quando fui assistir a CIA de danças Yahliw com Luciana Midlej e Adriana Almeida em uma feira cultural no RJ. Me apaixonei pela dança mas não iniciei meus estudos naquele ano. Eu comecei a dançar aos 12 anos de idade devido a um problema de saúde (ovário policístico) e minha médica me indicou fazer dança do ventre 2 vezes na semana para dissolver os cistos do meu ovário. Achei aquilo muito interessante pois não sabia que a dança era bom para esse tipo de problema. Com 1 ano de aula a minha médica constatou a eficácia da dança e eu já não tinha mais nada. Mas a esta altura eu já estava apaixonada por essa arte tão magnífica que nunca mais parei e indico a todas as mulheres que tem ou venham a ter qualquer tipo de problema parecido com o que eu tive.

Como foram as primeiras aulas? 
A primeira aula foi muito engraçada! rs Eu achei todos os movimentos muito estranhos no corpo, mas ao mesmo tempo achei leve, bonito e comecei a gostar do que vi que meu corpo podia fazer. Com o tempo, e claro com treinos, que a gente percebe como os movimentos ganham mais formas e se tornam mais fáceis, muito bons!
Quais eram as suas dificuldades e como você as superou? 
Minha maior dificuldade era parar as mãos! rs Eu fazia todos os movimentos e os braços e mãos ligados no 220V! rs Eu acho a coordenação de mãos e molduras de braços a parte mais difícil da dança, estudei muito sobre isso e tive uma mestra maravilhosa, que até hoje está presente em minha vida, que é a Samra Sanches. Com ela aprendi a ter mais calma para dançar e a coordenar melhor os braços e mãos. 
Uma história peculiar sua com a dança do ventre. 
Sempre me achei muito baixinha!!!! rsrsrs e com isso, quando eu comecei a dançar com véu de seda eu sempre me embolava nele. Daí o véu parecia mais uma burca colorida do que um elemento de dança. Meus braços sempre foram muito curtinho devido também a minha altura e eu tive que trabalhar muito a questão do véu na minha dança.

Um recado para quem está começando ou continua estudando. 


Para quem esta começando a dançar agora eu digo siga em frente e mergulhe de cabeça nessa arte milenar tão rica e encantadora que é a dança do ventre. Estude sempre, se aperfeiçoe cada dia mais, treine e busque seus objetivos, não se deixe levar por decepções do mundo da arte, viva intensamente a sua emoção ao dançar!

Primeiramente quero agradecer a Jesus, que me deu esse dom que tanto amo que é dançar e por ele fazer a minha vida muito mais colorida devido a dança. Quero agradecer também a Luciana Midlej e Adriana Almeida por terem sido, sem saber na época, as grandes motivadoras do meu sonho se tornar realidade, porque foi as vendo dançar que eu me apaixonei pela arte. Agradeço a minha médica na época, Drª Sandra Barcelos, que me mandou fazer a dança para melhorar minha saúde. Mas agradeço mesmo imensamente a minha mãe, Gilda Marques, por ser a maior fã e parceira que eu tenho, por ter me dado força desde primeira aula, por ter sido ela a me levar para ver meu primeiro show de dança do ventre e por ela ter batalhado junto comigo a minha melhora de saúde na época, obrigada minha heroína! Agradeço também ao meu marido Rick Araujo por todo o carinho e empenho de trabalhar junto comigo e de ser tão compreensivo com a minha dança e por fim, ao meu avô Lino Marques que era contra a dança no início, mas logo mudou de ideia quando descobriu a cultura e o quanto estudamos para fazer bonito no palco.

*
Vamos ver o Antes e Depois dos vídeos da Samara?
(2008)
(2012)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Primeiros Passos de Kiania Lima

A linda Kiania Lima tem se destacado no meio da Dança do Ventre pelo seu talento, domínio técnico e simpatia. Inclusive, já contribuiu aqui no nosso blog com um "guia" sobre improvisação que nós amamos e recomendamos fortemente a leitura. Ela conheceu a dança do ventre com 10 anos de idade, após assistir duas bailarinas na televisão. Este foi o click do encantamento e o início da busca pelos estudos. Dentre suas professoras podemos destacar Rita Ferraz, Málak Alaoani e Aziza Mor-Said. Hoje, integra o quadro de bailarinas "Noites no Harém" da famosa casa de chá paulista Khan el Khalili. Sua maior fonte de estudo é a bailarina egípcia Dina. Vamos conhecer um pouco do início de todo esse percurso agora?
Porque você começou a dançar a dança do ventre?
Eu não tenho nenhum motivo considerado especial para ter entrado no mundo da dança do ventre. Não tenho descendência árabe e não me lembro de ter tido contato com alguém da cultura até realmente começar a dançar profissionalmente, muitos anos depois. Me apaixonei pela dança quando, aos meus 10 anos, assisti uma apresentação de duas moças, na TV. Era uma apresentação com taças, e há 16 anos atrás, a dança não tinha todo o glamour que vemos nos dias atuais. Eu sempre tive contato com os esportes. Tentei jogar basquete, handball, fiz natação. Não me dei bem com nenhuma dessas modalidades. Paralelamente a isso, tinha meu contato com a dança. Iniciei meu aprendizado no jazz. Tão pequena que nem consigo me lembrar quantos anos eu tinha. Gostava muito do jazz. Fiz uma aula de ballet clássico e odiei. Nunca mais voltei. (Coitada da minha mãe que tinha comprado todos os acessórios, se assim posso dizer). Bom, aos meus 10 anos eu decidi que queria fazer dança do ventre de qualquer jeito, pois tinha ficado fascinada pelas moças da TV. Um dia, na minha escola, organizaram um show de talentos, onde qualquer aluno poderia apresentar qualquer coisa que quisesse. Fiquei espantada quando uma das minhas amiguinhas de sala fez um número de dança do ventre. Era muito difícil encontrar informações, locais de aulas, ainda mais com a minha idade.  Bom, tive a oportunidade de fazer a minha primeira aula com a professora dessa minha amiga de escola. Rita Ferraz. Ela dava aula na sala de estar da sua casa. Entrei em uma turma de duas pessoas. As duas meninas do meu colégio. Nem preciso dizer que eu não parei nunca mais e as duas desistiram, né?! Fiz aulas regulares com a Rita até meus 20 anos.

Como foram as primeiras aulas?
As minhas primeiras aulas foram uma delícia. Sinto muita falta daquele cheirinho da sala de estar da Rita. Não só por ser onde tudo começou. A minha vida, os meus sonhos, mas também porque foram os anos mais acolhedores que vivi, no meio da dança. Naquela época a dança era só amor. Eu nem sonhava um dia estar onde estou (estar, por exemplo, escrevendo para vocês, contando sobre o meu início). Me lembro de a minha primeira aula ter sido uma delícia. Eu estava tão ansiosa. AHHHH..COMO ESTAVA! Lembro que na primeira aula aprendi os oitos verticais (oito para cima e oito para baixo) e me lembro que consegui fazer os dois de primeira, e que me senti super confortável fazendo aquilo. Me lembro que a Rita ficou meio abismada e me encheu de elogios. Eu fiquei me achando horrores e me senti em um sonho. Fazendo o que eu tanto queria. Me sentindo a menina das mil e uma noites. Por alguma razão que eu só tenho a capacidade de entender nos dias de hoje, eu acredito que estava destinada àquilo. Foi uma coisa muito forte que senti. Por incrível que pareça, eu sinto mais dificuldades hoje do que no início do meu aprendizado. Talvez por toda a cobrança que toda bailarina profissional carrega consigo.

Quais eram as suas dificuldades e como você as superou? 
Minha maior dificuldade na dança sempre foi a de me apresentar em público. Sempre fui estudiosa. Sempre tive um certo talento, que era o que algumas pessoas diziam, mas eu saía correndo de qualquer tipo de apresentação. Sempre fui muito tímida. Dancei apenas para mim mesma por 13 anos e, ainda hoje, tenho isso como minha principal barreira a superar. Sempre busquei a perfeição. Nunca achava que estava pronta para nada e, por isso, demorei tanto tempo para dar início a minha carreira de bailarina e, ainda assim, por um empurrão da minha mãe, que me inscreveu na pré-seleção de bailarinas Khan el Khalili.

Uma história peculiar sua com a dança do ventre.
FATO 1: Sempre me achei muito dura na parte do tronco. Tinha o sonho de ser modelo e ginasta, ao mesmo tempo (hahahaha). Fui daquelas garotinhas que andavam com livro em cima da cabeça e tudo. Cheguei a trabalhar um pouco como modelo de passarela, mas tenho como uma das minhas frustrações na vida, a de nunca ter conseguido fazer a minha aula de ginástica olímpica e também a de nunca ter sabido dar uma estrelinha... Por toda a minha vida na dança ouvi diversas pessoas falando que eu era muito travada, muito durinha. Me cansei disso e decidi encarar como meu estilo na dança. Não ligo. Sou durinha e nunca consegui fazer aquele passo de soltar os bracinhos molinhos, de um lado para o outro, passando o peso. É idiota, mas só faço isso do jeitinho durinho da Kiania.
FATO 2: Eu não ia ser Kiania, no momento em que estava dando minhas primeiras engatinhadas no mundo das bailarinas profissionais. Ia ser Paola. Tinha vergonha de me chamar Kiania, sei lá por que.Graças ao Jorge Sabongi e Aziza Mor Saidi escolhi o melhor nome para me acompanhar na minha jornada. O MEU!

FATO 3: Uma vez, na aula da Aziza, ela pediu que fizéssemos uma seqüência de forma despojada. Eu fiz, achando que estava arrasando (Hahaha), aí quando terminou a minha seqüência a Aziza falou: "Legal, Ki! Agora faz a despojada." Eu fiquei com aquela cara de "Ué?! Morri!!! Hahahahaha. Isso marcou a minha vida eternamente.

Um recado para quem está começando ou continua estudando.
Eu acho que o mais importante é ter certeza do seu amor por essa arte. Se não tem muito amor, não vai longe. Se você acha as roupas bonitas, se acha que tem algum glamour em vesti-la e é simplesmente isso, tudo vai dar bem errado. Bailarina de dança do ventre é quase uma sem vida. Óbvio que tudo depende do quanto você vai se dedicar e querer se entregar para este mundo. E é aí que mora a palavra AMOR.
Siga seus princípios.
Seja você, mesmo que seu você seja "menos legal" do que o você de outra pessoa.
"Tente" falar pouco.
Dance. Dance. Dance.
*
Vamos ver o antes e o depois dos vídeos da Kiania?
(2010)

(2013)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Tradução: Law Saalony

Tradução da música Law Saalony do Mustafa Amar a pedido da Nádia Cristina.


Law Saalony - Se me perguntarem

Se me perguntarem
Eu vou dizer que você é minha querida
Você e eu fomos feitos para amar um ao outro
A paixão vem me atormentando há anos, querida
Esconda seus olhos
Não os deixe encontrar os meus
Eles poderiam me deixar sem palavras
Como quando eu me apaixonei por você
Eu superei, mas eu ainda estou sofrendo de saudade
Você docemente falou comigo até o meu coração se apaixonar por você
como posso esconder meu carinho de seus olhos
o fogo neles fez meu coração se render
Anos se passaram, mas eu ainda estou sofrendo de saudade

Letra:

lw salwny lw salwny ant hbyb 'eywny ant hbyb 'eywny
ayyyyyyyyyyyyyyh awwwwwwwwwwwwwwh lw salwny
lw salwny ant hbyb 'eywny
ant wana mktwb lna ayyyyyyyyyyyyyyh ayyyyyyyyyyyyyyh ghyr hbna
kam snh dwbt ana mn alshwq ly ana fyh
ayyyyyyyyyyyyyyh awwwwwwwwwwwwwwh lw salwny
dary 'enyk 'elya yasaqyny alghram ltshwfk 'enya wytwh alklam
qlbk lma khdny twhny fy hwah balashwaq w'edny ah mn narh ah

kam snh dwbt ana mn alshwq ly ana fyh
ayyyyyyyyyyyyyyh awwwwwwwwwwwwwwh lw salwny
klmh fy klmh qlby at'elm ytwh wazay bs akhby w'eywnk ndwh
rmshk lma slm khdny wjabny lyk
qlby bnzrh slm ah mn nar 'enyh

kam snh dwbt ana mn alshwq ly ana fyh
ayyyyyyyyyyyyyyh awwwwwwwwwwwwwwh lw salwny
ayyyyyyyyyyyyyyh awwwwwwwwwwwwwwh lw salwny

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Vem aí o 5º Zahra Sharq com Esmeralda no Rio de Janeiro - RJ

O Zahra Sharq do ano passado foi excelente (confira aqui). Aposto que o deste ano não vai ser diferente. Hanna Aisha dessa vez vai trazer a bailoca Esmeralda! Sem falar das convidadas conterrâneas: Aisha Hadarah, Elaine Rollemberg, Eliza Fari, Natália Trigo, Nilza Leão, Rayza Telo, Samara Nyla, entre outras.  Eu já garanti meu ingresso pro show e o workshop, cujo tema vai ser "os quatros pontos cênicos na dança e seus respectivos movimentos". Não dá pra perder, galera!

Quem quiser mais informações, passa lá no blog da Hanna!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Espetáculo "Elis Pinheiro - Passagem"

O espetáculo Passagem, de Elis Pinheiro, com certeza deixou muitas marcas no coração de todos. A escolha do tema foi muito pertinente, já que estamos sempre vivenciando transições, mudanças, transformações... Afinal, a vida, em resumo, é isso. E na dança, quantas vezes experimentamos isso? De quantas formas? Tanto como bailarinas, estudantes, espectadores, produtoras, etc?
Não é segredo para ninguém que eu sou fã do trabalho da Elis Pinheiro. Vibrei diversas vezes com as conquistas de todos ali envolvidos e me emocionei tantas outras. Um projeto realmente cuidadoso e que por isso eu abri outra exceção em falar de eventos aqui. No entanto, todos os comentários feitos aqui provém não dessa minha relação com a Elis, mas de um show feito com profissionalismo verdadeiro e comprometimento. Para mim, essas são as palavras que sintetizam o que foi o Passagem. Primeiramente, porque Elis e o corpo de baile alcançaram desempenhos incríveis em coreografias majestosas. Tudo coreografado pela internet, à distância. Como a Elis agora reside na Inglaterra, o acompanhamento foi todo virtual e só deu certo porque claramente todas as meninas envolvidas possuíam um senso de grupo muito forte, de união mesmo, força de vontade de fazer o melhor para estar a altura do que foi propositado para aquele dia e porque tinham orgulho de serem parte daquilo. A coreografia que abriu o espetáculo é um exemplo disso. Eu tive a sensação de estar assistindo um "lago dos cisnes", versão Dança do Ventre. As roupas me lembraram a entrada dos cisnes e a apresentação da bailarina principal, sem o príncipe, sem o drama, com outra pegada... até porque na metade do baile rola um said, que arrepiava. Emocionante.


Esse espetáculo me fez várias vezes me sentir no céu, transportada para outro tempo - sensação de fazer a "passagem". E a dança/arte é para isso, né? Nos tirar do mundo comum. Um desses momentos foi com a cia. da Vanessa Castro e seus lindos Fan veils, perfeitas com a iluminação. E mais a frente com um solo da Mariana Quadros, sexy, intenso, foda. Ainda não achei os vídeos dessa apresentação, uma pena. Achei interessante que boa parte das músicas lembravam algo indígena, tribal, o que imediatamente me remetia aos ritos de passagem que tanto estudei em Antropologia. O duo entre Elis e Mariana é um exemplo. Elas pareciam "mensageiras da mudança", como se estivessem participando de alguma cerimônia especial que visava marcar de fato algum momento de transição.



Olívia Zarpellon, Erica Seccato e Patrícia Saad foram um destaque a parte. As coreografias idealizadas por elas revelavam a verdade de cada uma e se integrava totalmente na proposta mágica da noite. A sinceridade corajosa delas me fez saltitar de felicidade. Sem falar do coleguismo evidente entre as meninas que abraçaram com carinho a coreografia de cada uma com linhas estéticas tão diferentes. Foi muito legal. Vi um grupo entrosado, unido, comprometido, envolvido, mergulhado. A coreografia de Dabke da Paty empolgou a galera e foi feminino e forte na medida certa. A coreografia romântica da Erica tinha lindos passos, formações e deslocamentos legais. As duas me lembraram o post sobre coreografias em grupo, claro, como bom exemplo. Mas, pra mim, a coreografia contemporânea da Olívia é a que mais põem em relevo o que estava dizendo sobre o espetáculo em si. A sensação era de renascimento, rito de passagem mesmo, crescimento. E Zahira Nader entrou no jogo, embarcou na viagem dela com a música, foi um bálsamo para os olhos.


Aquela noite foi um suspiro de prazer. No fim Elis ME brindou com uma música que só tinha visto a Orit Maftsir dançar (veja o vídeo aqui) e que babava eternamente. Quando a música começou e eu soube que era o fim do show, eu pensei "Meu deus, isso é pra mim! Só pode. Obrigada!!". Eu achava que só a Orit era capaz de dançar Amarein, mas... era uma noite de mudanças, certo? Um momento inesquecível.
(O youtube não quer me deixar incorporar o vídeo ¬¬)

A Elis é visivelmente uma profissional muito exigente e as meninas responderam a isso. As trocas de roupa eram muito rápidas, porque percebi que várias delas participavam quase em sequência de diversas coreografias, com pequenos intervalos entre uma e outra. Aliás as roupas e a maquiagem eram de muito bom gosto. Um luxo, sem economia nenhuma na beleza, digno de gala. A iluminação foi cuidadosamente ensaiada. Só havia profissionais de qualidade ali. Ao vivo era indescritível. Uma experiência que muitos vão se lembrar dizendo "Foi naquele espetáculo, Passagem".

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Mar Mediterrâneo e a Dança do Ventre

Compartilharam no meu facebook a apresentação da bailarina Ariella (KK-SP) no programa da Ana Maria Braga e fui assistir, claro. Não dá pra incorporar aqui, então vai o link: http://globotv.globo.com/rede-globo/mais-voce/t/editorias/v/pimenta-polemica-ana-maria-conversa-com-vinicius-sobre-decisao-de-fazer-prato-especial/2602331/

O vídeo consiste em um trecho de um quadro do programa, que nada mais é que uma disputa na qual os participantes fazem de tudo para mostrar quem é o melhor anfitrião de um jantar. Isso inclui a recepção, diversão, comida, etc. A dança começa em 1:55, enquanto o anfitrião prepara uma carne de cordeiro. Após, aparece uma pessoa dizendo ser descendente de árabes e que apreciou muito a apresentação, mas que como o tema do jantar era "Mediterrâneo" achou meio "nada a ver".

ALÔÔÔÔÔ??? Tive comichões! Seu moço, deixa eu te explicar uma coisinha: o Mar Mediterrâneo banha nada mais, nada menos que 3 continentes e dentre os países temos Egito, Líbano, Síria, Marrocos, Tunísia, Turquia, Grécia... enfim, não vamos ficar contabilizando né? Vamos olhar o mapa e pensar antes de abrir nossas bocas.

domingo, 28 de abril de 2013

Coreografias em Grupo

Minha ideia hoje é discutir sobre o que torna uma coreografia em grupo realmente boa, já que eu, particularmente, acho as coreografias de grupo em Dança do Ventre, em sua grande maioria, chatas, sempre aquela mesmice: cada uma das bailarinas executa no seu quadrado uns movimentos que se encaixam na música, cumprem seu dever de estarem sincronizadas, com uma técnica X e é só, abraços pra quem fica. É pouco artístico, sabe?. Não me comunica nada.
Não é a dificuldade dos passos que me chama a atenção. O fato de estar em grupo, a meu ver, tem uma magia por causa de um elemento: a quantidade de gente junta .

Só que, pra ficar realmente interessante, diferente de uma apresentação em solo ou dupla, tem que utilizar esse elemento a seu favor, com formação de desenho, variação entre eles, interação entre os participantes do grupo, exploração do espaço e criatividade, claro! A maioria das coreografias não tem intenção nenhuma. Ok, sabemos que isso é algo que a Dança do Ventre toda passa e todo mundo reclama. Mas isso fica pior ainda quando vejo os grupos dançando. No caso de coreografia em grupo de iniciantes, então (já que grande parte desse nível técnico dança somente em grupo), o que dizer?


Não tive exatamente um tempo para reunir coreografias pra mostrar aqui, mas a vontade de escrever veio depois de ver o vídeo acima: uma coreografia de véus, super simples, sem movimentos difíceis tecnicamente, mas com significado pra quem assiste. Poderia ser facilmente a coreografia de final do ano de uma turma de iniciante, por quê não? O que diferencia é a ideia - isso inclui escolha do figurino, da iluminação, da música - e a entrega à essa proposta. Só isso.


Outra coreografia tecnicamente "suave". A dificuldade fica por conta dos alinhamentos, coordenação, posicionamento, sincronismo de tantas pessoas, e, novamente, a ideia. Ficou ótimo. Eu adoro espetáculo temático também. As coreografias do "Mitológico Feminino" são super legais. Recomendo assistir também o vídeo do Grupo Hob Salam (Deusa Éris), o da Nesrine (Oxum) e o da Aziza-Mor (Deusa Durga), fiquei em dúvida sobre qual colocar aqui. Quem tiver tempo, assista todo o show, que está muito bem feito, alta qualidade profissional.


Tenho que confessar também uma tendência por gostar de coreografias nas quais cada bailarina faz uma coisa diferente. Deu pra perceber com os exemplos anteriores? Acho que a leitura fica inusitada. A Chrystal Kasbah tem umas ideias bem bacanas nesse quesito.


Mas não precisa ser sempre daquele jeito pra me conquistar. Todo mundo executar os mesmos passos, mas em posições/tempos/formações/níveis/etc diferentes, também é super interessante. Adorei essas russas e o figurino. Coreografia sonho! Muito fofinha.


Pra finalizar, meu sonho de consumo em danças de grupo, o Arabesque Dance Company. É cada coreografia de cair maneiríssima. Quero muito os DVDs deles, quem tiver pra trocar/vender, ou quiser me dar, estamos aí, porque o frete pro Brasil fica muito caro.

*UPDATE 13-05-13*
A Nilza Leão fez um post muito bom sobre a questão do "nós" nas coreografias em grupo, algo que toquei de leve aqui, quando falo das pessoas se prestarem a agarrar a proposta da coreografia para aquilo realmente ganhar significado e ficar algo deleitável ao público e não um monte de gente executando técnicas X ou Y. Se você gostou do assunto, vale super a pena conferir, achei que complementou o nosso post: 

http://www.blognilzaleao.com.br/bailarina-ou-artista-o-que-voce-quer-ser/

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