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sábado, 20 de agosto de 2011

Project Belly Dance - um Reality Show


Project Belly Dance foi um Reality Show que ocorreu no início deste ano nos Estados Unidos. Segundo os próprios produtores, é uma mistura de "So You Think You Can Dance" e "America's Next Top Model". A vencedora ganhou uma turnê pela Europa e pelo Oriente Médio, com todas as despesas paga, pôde dar e ter aulas com artistas famosos do Egito e da Turquia, além de ter recebido um bom prêmio em dinheiro para alavancar sua carreira e um DVD didático em seu nome. O programa está dividido em 4 episódios, todos disponíveis no site oficial: Top Belly Dancer.

Tenho uma quedinha por reality shows temáticos! Nunca assisto todos os episódios, mas são legais porque sempre têm dicas bacanas e interesses sobre a área em questão. Você pode aprender mais sobre música, sobre moda, sobre dança...Eu que sou uma pessoa curiosa acabo sendo atraída.


Considero a criatividade uma característica marcante das americanas, então, vale a pena assistir para observar, aprender e se inspirar. Conhecimento nunca é demais. Claro, tem algum drama e "coisas de divas", mas é um reality show! As pessoas estavam competindo e o prêmio, como puderam perceber, não era pouca coisa. Aliás, as seis últimas finalistas também participaram de um DVD didático sob produção da Cheeky Girls Production, produtora responsável pelo programa e por diversos DVDs especializados em dança do ventre.

Não pude rastrear todas, mas as participantes "sobreviveram" ao programa e, pelo que notei, fazem sucesso. Isso inclui as não finalistas, como no caso de Kasia, que no momento faz parte do grupo "Belly Dance Evolution" criado pela Jillina.


No reality aparecem as angústias e os sonhos de mulheres e dançarinas. Quem decidiu a vencedora foi o próprio público através do voto via internet. É um programa feito para a "comunidade" belly dancer que toca em vários assuntos como workshops, a inserção do balé na dança do ventre, montagem de coreografia, entre outros, mas que provavelmente atingiu leigos interessados (tendo em vista que está disponível na internet) e de algum modo promove e divulga mais a dança do ventre.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Entrevista com Dalia Carella

Aqui temos uma entrevista com a dançarina americana Dalia Carella, traduzida do site The Hip Circle. Ela é referência no estilo turco de dança do ventre nos Estados Unidos e também pelo mundo. Além da dança do ventre, Dalia também se dedica a outros estilos, como a dança cigana e o flamenco. Atualmente ela se apresenta pelo mundo inteiro e promove workshops em seu espaço de dança em Nova York.

Qual é a origem e a motivação da sua dança?

Dalia Carella: Eu danço desde que nasci. Sou de uma família muito musical, e meus pais eram dançarinos - não profissionais, mas eles amavam dançar. Meus tios fizeram turnês com Frank Sinatra, Peggy Lee, Mel Tomei, Glen Campbell, Jimmy Durante, e Sammy Davis Jr. Eles eram grandes músicos.

A música e a dança sempre estiveram presentes em minha casa. Minha preparação começou aos oito anos com o jazz. Minha família era muito pobre e não pôde pagar minhas aulas depois de um tempo, o que foi desolador para mim. Acredito que se eles não tivessem me tirado das aulas, eu iria querer seguir carreira na Broadway, mas não era para ser.

Então comecei a dançar para as crianças do bairro. Eu dançaria as últimas músicas do Motown. Assim, fiz meus próprios "shows" na vizinhança. Fiz minha primeira aula de dança do ventre aos 17 anos e acabei sendo fisgada. Desde então, estou envolvida com a dança étnica e tenho estudado todas as suas formas: egípicia, tunisiana, argelina, marroquina e libanesa. Também estudei dança indiana, latina, caribenha, Flamenco, Bomba e Plena de Porto Rico, todo tipo de dança étnica.

Quais foram seus professores mais influentes na dança oriental?

Dalia Carella: Bobby [Ibrahim Farrah] foi uma grande influência em minha vida. Mas Elena Lentini foi minha maior influência.

Como você vê a evolução de sua dança?

Dalia Carella: Eu sinto que sou mais como uma dançarina étnica contemporânea, embora minhas origens estejam na Dança Oriental. Eu tenho estudado e pesquisado sobre a Dança Oriental por mais de 34 anos. Se eu não conhecesse a dança tradicional tão bem quanto eu conheço, eu não seria capaz de fundir e manter a integridade que acompanha a Dança Oriental.

Meu estilo incorpora muitos elementos da dança do Oriente Médio, Flamenco, Dança Indiana, Latina, Caribenha e movimentos da dança contemporânea. Vivemos na idade contemporânea e a nossa dança continua mudando com a influência das pessoas e das diversas culturas.

Fora dos palcos, você improvisa apenas com a dança do Oriente Médio ou você também se utiliza de coreografias?

Eu adoro o improviso. Eu sou daquele tempo em que tudo era improvisado, porque nós crescemos nas boates de dança oriental em Nova York, dançando com música ao vivo. Fomos muito privilegiadas.

Muitas dançarinas pelo país têm que usar CDs na maior parte do tempo. Eu realmente acredito que a dançarina que consegue improvisar é uma artista de verdade. É como se você se tornasse parte dos músicos. E para mim, esse é o maior desafio e expressão artísitca.



Qual é o seu tipo de música oriental preferido?

Dalia Carella: Eu amo música egípcia clássica, Roma turca, Saidi, assim como Rai da Argélia. Estou muito envolvida com a música do Magrebe ultimamente. A música e a dança têm sido grandes amores meus por muito tempo e agora eu quero me aprofundar mais nisso. Estou coreografando para um trabalho da minha Dança Coletiva chamado "A Composição de Magrebe no Tempo", que funde vários ritmos do Norte da África com algumas danças e ritmos contemporâneos.

Como a dança influenciou o seu estilo de vida?

Dalia Carella: A Dança do Oriente Médio é o meu estilo de vida. Eu morei no Egito em 1987 e em 1988 eu fazia dança egípcia clássica. Eu fazia o estilo tradicional, quando estava lá. Mas, quando me foi oferecido um contrato no Marriott, no Cairo, eu decidi não aceitar. Eu percebi, com meus 30 anos naquela época, que se eu ficasse, a minha carreira me levaria a fazer dança egípcia clássica. Eu soube, então, que aquele não era o rumo que eu queria tomar. Eu tinha muito a mostrar na dança em muitos estilos e decidi voltar para a América e me focar nos estilos que estavam mais no meu sangue.

[...]

Qual é o seu conselho para quem quer se tornar uma grande dançarina?

Dalia Carella: Em primeiro lugar, a dançarina tem que realmente conhecer a música. Se elas não tiverem uma boa musicalidade, isso vai ficar claro. Em segundo lugar, elas têm que saber dançar em frente ao público, ainda que reservem algumas partes da dança apenas para si mesmas. Quando crescemos como dançarinas, somos treinadas para sempre agradar a plateia, e nós o fazemos, mas à medida que fui amadurencendo como dançarina, comecei a dançar mais para mim mesma. Não importa se as pessoas gostam de mim ou não, mas você tem sempre que saber que há uma plateia lá fora assistindo você e pagando para vê-la. Então, há uma tênue linha aí. É muito importante vestir uma roupa que caia bem para você e para a sua música. Além disso, você precisa praticar muito os movimentos.

Para ser uma boa dançarina, você tem que estar comprometida com a dança. Você precisa ensaiar, praticar e ter aulas. Dança é comprometimento. Mas a coisa mais importante de todas é: sentir-se grata e abençoada por ter sido dado a você o dom da dança e nunca se esquecer disso.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Dança do Ventre Gótica

Pegando carona no post que vi no blog da Luana Mello e me chamou bastante a atenção, o que seria a dança do ventre gótica (gothic bellydance)?

À primeira vista podemos perceber que é uma faceta da dança do ventre tribal, tanto que aqui no Brasil não há uma distinção clara entre estes dois estilos, as dançarinas assumidamente tribais investem em elementos comuns ao estilo gótico, mas não se posicionam como dançarinas puramente góticas. Muito diferente do que acontece nos Estados Unidos, berço do estilo tribal e do estilo gótico, este último é visto como um estilo independente, já com uma produção própria de dançarinas, vídeos e shows. Todas essas variações criadas no berço norte-americano, em sua maioria, se caracterizam pelo termo Bellydance Fusion, e não só encontramos o estilo gótico, mas também cigano, nipônico, indiano, entre outros, associados à dança do ventre.

O estilo gótico já existe há quase 10 anos, tendo se definido melhor há uns 5, proveniente das tribos urbanas góticas dos EUA, combinando música indiana e do Oriente Médio com música ocidental, especialmente Metal Gótico, Metal Punk e recentemente techno. As bandas que contribuíram para compor o repertório dessas dançarinas, por exemplo, foram The Sisters of Mercy, Dead Can Dance, Vas e Faith and The Muse.

O estilo gótico se divide em duas subcategorias: a dança profundamente fundamentada na cultura gótica, seria o puramente gótico, e a outra seria a de inspiração gótica, isto é, que agrega elementos, mas não se estrutura em estudos e composições desta cultura. Podemos dizer que a primeira é para os aficcionados, aqueles que mergulham e trazem na dança elementos percebidos por quem é do meio, e a segunda é para quem busca o entretenimento simplesmente. A dança do ventre gótica não visa parecer "estranha", ou um "filme de terror caseiro", ela tem como finalidade transformar em arte o lado obscuro da alma (profundo, não?). Para isso a bailarina, sozinha ou em grupo, procura desenvolver um vocabulário de dança que mostre compenetração, sedução, sofrimento, usando até mudras (posições sagradas indianas) para evocar uma aura de encantamento e mistério. As apresentações são sempre coreografadas, trabalhadas, toda a dança segue um objetivo: criar uma dimensão nova, que exprima dança e sentimento unidos em uma densa interpretação.

O figurino das bailarinas não fica atrás das dançarinas tribais, mas alguns elementos se destacam: o preto, as peças metálicas e as roupas feitas de materiais plásticos. As bailarinas investem em maquiagem drag e um penteado elaborado, assim como no estilo tribal, mas todo o visual tem um quê dark, podem usar meias arrastão, couro, espartilhos, tudo preto, beeeem preto! Maquiagem para ficar bem pálida também é o objetivo, resumindo: o visual é vampiresco mesmo!

Aqui abaixo ficamos com a música Cantus da banda gótica Faith and The Muse (já pensei numa coreografia para ela!) e também uma compilação/trailler do DVD Gothic Bellydance Revelations. Realmente é um outro mundo!



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Diferentes Estilos de Dança do Ventre - Estilo Americano

Ao longo do século XX, surgiram casas noturnas de imigrantes do Oriente Médio onde vários deles se reuniam para apreciar a música e a dança de seus países. Geralmente, eles eram um grupo misto formado por árabes, armênios, turcos, gregos e persas. A música seria uma mistura de canções populares de todas essas diferentes culturas. As dançarinas eram as próprias imigrantes e, mais tarde, seriam americanas que se apaixonaram pelo Oriente Médio após conhecerem sua cultura, música e dança. Elas aprenderam através de filmes, postais, pinturas e qualquer outra coisa que chegasse às suas mãos. E assim surgia um estilo único de Dança Oriental que misturava influências de diferentes países do Oriente Médio e muita imaginação.

Algumas das características que diferenciam o Estilo Americano, além de uma grande mistura de elementos de várias culturas do Oriente Médio, incluem uma maior utilização dos snujs, danças com véus, espadas e cobras. Alguns nomes importantes desse estilo incluem Nejla Ates, Ozel Turkbas, Semra, Morocco, Serena Wilson, Ibrahim Farrah, Bert Balladine, Jamila Salimpour, Nakish, dentre muitos outros. Da nova geração, Ansuya e Piper são grandes representantes do Estilo Americano.

Estilo Americano Contemporâneo

Muitas dançarinas americanas e outras dançarinas em todo o mundo dão continuidade à eclética tradição do Estilo Americano de Dança do Ventre, fundindo vários elementos de diferentes culturas do Oriente Médio. Muitas delas levaram a coisa mais adiante e incorporaram elementos como Jazz, Balé, Dança Moderna, Dança Latina, Dança Espanhola e Flamenco, Dança Cigana, Hip Hop, Dança Indiana, etc. Além disso, as dançarinas procuraram viajar para o Oriente Médio para saber o que as comunidades de dança do Egito, Líbano e Turquia estão desenvolvendo atualmente.

Enquanto as dançarinas continuam tendo um forte vocabulário com base árabe ou turca em seu repertório, uma grande variedade de fusões é aceita sob o título de "Dança do Ventre". Dessa forma, há também uma tendência maior de apresentações no estilo teatral.

Ainda que existam estilos definidos de Dança do Ventre, uma constante troca de elementos entre todos eles. Muitas dançarinas que poderiam se encaixar na categoria de Estilo Americano podem ao mesmo tempo se encaixar em outro estilo. Por exemplo, a dançarina Jillina, coreógrafa do Belly Dance Super Stars, inclui uma boa dose de fusões em suas coreografias em grupo, mas como dançarina solo utiliza um estilo próximo do que pode-se chamar de Estilo Egípcio Moderno.

Algumas notáveis dançarinas e alguns grupos que realmente representam as tendências da Dança do Ventre Americana Contemporânea incluem: Suhaila Salimpour, Belly Dance Super Stars, Bellyqueen, Dalia Carrella (para sua "Dunyavi Gipsy"), Elena Lentini e Tamalyn Dahlal (para as suas apresentações teatrais), para citar apenas alguns nomes.





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