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terça-feira, 12 de junho de 2012

A Escolha da Professora de Dança do Ventre


Muitas vezes damos dicas de professoras para muitas meninas, e vemos outras fazendo escolhas absolutamente contrárias. Algumas na verdade escolhendo professoras que a princípio seriam as mais perfeitas opções, mas não se sentindo felizes com elas. O que afinal faz a nossa escolha ideal para nós mesmas?

Dividindo um pouco (muito) da minha experiência com vocês, quero contar a minha saga até então. Eu encontrei a minha primeira professora de dança do ventre por um folheto entregue por uma vendedora da Mundo Verde, a mesma aluna da tal professora. Não vou falar nomes para a coisa ficar mais genérica. A minha primeira professora me passou uma excelente base, esse foi o lado bom dela, mas o lado ruim é que ao mesmo tempo que ela dava aula de dança do ventre, ela trabalhava com sexualidade e afins (não junto com a dança do ventre, ela separava as coisas), só que isso dava margem a boatos e meio que queimava o filme dela; resultado: eu não tinha contato com o meio da dança do ventre, só com a minha escola, era como viver numa bolha, e no final a professora acabou abandonando de vez a dança do ventre para se dar bem com o pole dance. Fiquei órfã, sem professora, sem contatos, sem nada, só com a paixão pela dança e com o desejo de um dia poder voltar a dançar.

Com meus estudos das aulas, pois a prof trazia muito material do mundo árabe, e também pelas pesquisas na internet, além da minha facilidade por ler árabe, criei o blog para ter mais um contato com a dança do ventre, eu nem esperava que o blog florescesse assim, tanto que coloquei meu nome mesmo, e nem botei o nome de dança (Soraya Noor), o blog me trouxe os contatos que eu não tinha, e decidi fazer aqueles workshops com professoras "boas". Sinceramente, queria mesmo aprender com coreografia! Dá um chute, pá, pum, tchááá! Faz carão! Uhhhh! 2 dias depois... (mesmo tendo anotado), o que era mesmo pra fazer? Eu lembro do pá! Eu peguei também as professoras que querem que você aprenda pelo método derrotista: "você não sabe dançar". Acho o cúmulo da falta de profissionalismo alguém chegar e dizer para uma pessoa que ama a dança - seja o que for, dançarina iniciante a intermediária, ninguém tá no Ídolos pra ser esculachado - que ela não sabe dançar, assim na cara, sem ao menos conhecer a pessoa, acho que quem faz isso na verdade está querendo é ferir alguém e não ajudar.

Passando da fase jogar dinheiro fora, decidi fazer aula perto de casa, não importa com quem fosse! Primeiro encontrei uma professora legal, mas ela não tinha espaço, era aula em clube, que numa só turma tem iniciante, intermediário, avançado, e ela fica na frente, bota a música, você a segue e vamô que vamô. Não sei, mas depois de alguns anos nessa indústria vital, essa fórmula começa a encher o saco. Acabou que acabou mesmo, a professora também abandonou a dança, mas porque achou outra coisa interessante para fazer (comecei a pensar se o problema estava comigo, ai meu Deus, hahaha).

Quem adora a dança, não consegue ficar muito tempo longe, e eu estava já muito ocupada trabalhando (meu marido brinca: minha mulher tem dois empregos!!!, porque eu tenho mesmo, e eu ainda tenho o blog, a casa e meus filhos caninos) e tinha a monografia, precisava relaxar, e veio uma professora com uma fórmula que parecia interessante: super combo dança do ventre, yoga e pilates! Que beleza! Então eu ia, o alongamento de yoga era super bom, e até soltou meu quadril (sério), só o pilates que era meio complexo, e a dança do ventre, bem, a dança do ventre se tornou um problema, quando a professora se mostrou super empolgada com shows e eventos e apresentações e coreografias quando entrava o assunto de dança do ventre, sendo que não me sentia preparada para isso, e nem tinha tempo para isso.

Voltei à estaca zero, pensei em desistir da dança do ventre, fiquei exaurida mesmo. Então parei para me ouvir. As professoras que busquei foram indicadas por outras pessoas. Todas me deram seus motivos para que eu as visse, para que eu fizesse aulas com elas, e eu quis fazer também por um motivo que estava longe daquilo que me atraía na dança do ventre: comodismo. Eu pensei no conforto somente quando fiz minhas aulas depois da minha primeira professora, até mesmo quando fiz os workshops. As professoras estavam perto, umas trariam algum retorno extra (relaxamento, eram pessoas divertidas, rapidez - no caso dos workshops), mas elas me fariam ser aquilo que eu queria ser?

Dessa forma eu decidi passar por cima de conforto, praticidade, amizade, como eu ando brincando, decidi ser DIVA! Fui buscar quem pudesse me me trazer vontade de continuar na dança do ventre, de fazer aula e mais ainda: que me desse a sensação que eu estava aprendendo, que eu estava sendo corrigida, e não apenas criticada, ou levianamente elogiada, ou ir para uma aula e sentir que não fez diferença no seu aprendizado. Busquei minha professora pelo meu ponto de vista, e não pelo ponto de vista dos outros.

Então de todas as dicas que eu possa dar sobre uma professora, a minha dica do momento é: escolham quem vocês admiram em cada detalhe da dança.

 Aqui abaixo a minha professora, Samara Nyla.



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tabu: Gosto // Não Gosto

Estava lendo um texto muito engraçado indicado pela Lívia neste blog, sobre como devemos agir quando percebemos que não seremos dançarinas famosas. É bem divertido porque ela usa os exemplos daquilo que é extremo de acontecer, aquelas pessoas que viram caricaturas humanas, literalmente! Tenho que admitir que já vi umas alunas fanáticas pelas professoras, e digo: elas realmente dão medo!heheh

Mas aí eu comecei a pensar e pensar, dois dos exemplos dela são relacionados a críticas e gosto pessoal. Claro, não se pode chegar para uma pessoa e odiá-la gratuitamente, mas será que a gente não pode ter opinião de nada, sair falando que tudo é lindo, o amor é lindo, a la Caetano Velloso? Me pareceu o que já comentei antes, que criticar é coisa de mal-amada, de invejosa, de quem sabe que não vai chegar lá e por isso destrói o trabalho alheio. Mas será que é só isso?

Nem vou dizer que todas as pessoas que criticam estão imbuídas no mais sincero espírito de expressar sua opinião. Eu, por exemplo, não sou uma diva, nem bellydancer superstars, danço para me alegrar e já ouvi que não sei dançar. Será que foi uma crítica construtiva? Saber dançar pra quem, como quem, de que forma? Acho que as justificativas fazem toda a diferença quando queremos expor o que pensamos, seja algo bom ou ruim. Claro que em certos locais - como um blog acessado diariamente por centenas de pessoas - é perigoso dar seus motivos, pois pode parecer que você está fazendo campanha contra determinado estilo, pessoa, escola, etc. Mas por isso devemos nos calar e nos resignar ao "tudo é lindo"?. Olha aqui a minha pinta de Revista Caras!!

Então, gente, não se anule! A dança do ventre é para a gente se divertir, se alegrar, se unir, mas não acredito que temos que ficar engolindo sapos por aí a todo preço. Se não me engano isso é um dos motivos que muita gente se desilude com a dança do ventre: a falta de espaço para se exprimir. Não to falando de lugar pra dançar, pra fazer o seu estilo de dança, pra isso antes de espaço é preciso coragem, reconhecimento não é algo que a gente pode calcular para ter, ele simplesmente acontece! Eu falo de espaço, até mesmo dentro da companhia que fazemos parte, de sermos ouvidas quando achamos "isso não é legal". Tememos ser rechaçadas sem antes tentarem nos compreender, e muitas vezes tentamos nos adaptar ao que não gostamos. Resultado: decepção.

Eu quero e posso enumerar o que gosto e o que não gosto, e desejo que muitas outras dançarinas queiram e possam fazer o mesmo! Eu adoro a Suellem Morimoto, gosto de saias com babados laterais, gosto da coreografia da Orit Maftsir da música Ana Keda, gosto do Tito Seif, amo Mowashahat (me sinto em al-Andalus tomando um chá de hortelã com meu amado Ibn Hazm no Califado de Córdoba)! Não gosto de danças super técnicas sem emoção ou de dançarinas que fazem super requebrados sem sincronia com a música (só pra aparecer); não gosto da Karla Tem Tem, não gosto da Didem, nem da Dondi, e não gosto de dança do ventre com minissaia. E aí? Minha opinião!

Para quem gosta de tudo, fica aí esse vídeo (dica da Débora Hathor). Gosta, nêga?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Vergonha e a Dança do Ventre

O post de hoje é direcionado para quem não pratica dança do ventre. Rotineiramente, ouço a frase clássica: “Ai, eu acho lindo dança do ventre, mas eu não faço porque sou gordinha/tenho barriga”. Apesar da minha propaganda positiva e tentativa de convencimento de que isso não tem nada a ver, segue-se deste comentário mil desculpas para a não prática da dança. Essas desculpas, às vezes, me fazem pensar que na realidade a pessoa não quer dançar, ela só demonstrou uma admiração. Sabe quando você acha liiindoo uma ginasta dando aquelas piruetas? Ou acha um máximo o estilo da Beyoncé/Rihanna/sei lá mais quem? Então, você admira, mas não busca aquelas coisas pra sua vida. Contudo, tem uma diferença entre estes exemplos e a dança do ventre.
Falando sério, a dança do ventre não é nenhum bicho de sete cabeças. Ela é bem acessível às variadas idades, corpos, mentes, etc. Mesmo que aquele comentário tenha sido só a expressão de uma admiração, a verdade é que me assusta o fato dela nem conhecer a sensação de dançar e se interditar desta sensação por causa de um impedimento que é muito mais social do que pessoal, convenhamos. Se não fosse isso era bem capaz de ela estar se descobrindo neste exato momento na dança. E isto vale para toda "neura" que temos: seja por causa da altura, do peso, da idade, do peito pequeno, do peito grande, do cabelo, enfim... São muitas né?

Meu recado de fim de ano é: Se permita.
DANCE. Faça dança do ventre, conheça a dança do ventre. O que custa? É uma dança feita para te embelezar. Descubra a generosidade que a dança do ventre tem com você e com todas as mulheres que a praticam. Permita-se ser feliz e experimente. O ano tá acabando, 2012 vai começar. Que tal você finalmente viver para você? A única pessoa que está, esteve e estará junto de você durante sua vida toda é você mesma. Faça essa pessoa feliz, dê a ela oportunidade, preocupe-se com ela, pois esta sim é a pessoa que mais merece sua preocupação e não os outros. Pense: é a sociedade que impõe valores, ou é você que os aceita?

Para finalizar esse recado, fecharei com o vídeo mais bonito de dança do ventre que já assisti, no qual a beleza está em todos os momentos. Maria Aya dançando FELIZ na sua cozinha.
Update: Este post é muito importante para mim, pois realmente me entristece ouvir alguém desanimado com a dança do ventre por causa da suposta exposição que a modalidade "exige" e a relação das pessoas com seus corpos. Eu mesma fui uma espécie de "vítima" disso e acabei não contando no post. Vou dar meu breve testemunho e espero que isso sirva de incentivo: eu me interessei por dança do ventre através da Celia. Em nossas conversas informais, ela me convenceu de que a dança era pra todo mundo e que até "altonas desengonçadas", como eu, tinham chances e não iria ficar feio caso eu estivesse realmente interessada. Conforme meu interesse cresceu, ela me mostrou um vídeo da Ju Marconato (dos seus altos 1,80m) e um da Kahina, afirmando que eram dançarinas altas, como eu, e bem sucedidas no cenário bellydancer. Gostei, é lógico! Ver pessoas com os mesmos "defeitos" que você arrasando é um belo incentivo. Foi um pontapé forte pra que eu me libertasse e me inscrevesse de vez numa escola. Hoje, cá estou eu. A dança do ventre me ajudou com a auto-estima e já percebo algumas mudanças em mim. É claro que não superei todas as minhas neuras, nem era esse meu objetivo, mas ao menos na dança eu não ligo para nada em relação a minha beleza. Eu simplesmente fico bela com a dança, ou assim me sinto e é isso que importa, porque me faz feliz. Não esperava isso da dança do ventre. Meu desejo era só aprender a dançar porque a música mexia comigo e meu corpo não sabia responder aos sons. Sabia que dançar era ótimo, sempre gostei, mas ser constrangida sempre foi ruim também. Logo, compreendo o temor das pessoas em não quererem fazer papel de ridículo e tentarem fugir dos comentários maldosos, contudo, a realidade é que de fato a dança do ventre é feita para o belo e isso está além dos padrões, da moda. Tem a ver com essência. Então, faça um favor a você mesma. Se você gosta, encontre a verdadeira dança do ventre e depois me diga se aquele seu problema com a barriga, com a altura, ou com qualquer outra coisa, hoje ainda é um problema... Eu tenho certeza que você só vai poder voltar e dizer: "Você tinha razão".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Crianças na Dança do Ventre

Alguns não vêem problema nenhum, outros fazem algumas ressalvas e outros abominam. Os comentários que vou tecer aqui são apenas partes da minha humilde opinião. A idéia do post surgiu depois de assistir algumas apresentações bem executadas por crianças, que por vezes chegam a superar muita bailarina por aí (guardadas as devidas proporções!).

Vejamos as dancinhas das fofoletes:


Little Samia Gamal é ótimo!!!

Mas observe que a pequenininha executa alguns passos com certa precisão que considero de nível intermediário já pro avançado, faz uma ótima dissociação do corpo, tem uma postura e posicionamento de braços interessante, difícil de ver nas crianças. Não deu pra rastrear, mas tudo indica que a menina é do Oriente Médio.


Com um nome desse preciso dizer de onde ela vem? Ela força umas caras, né... Mas não disse que ia trazer a perfeição. Contudo, não dá para negar a habilidade técnica desta garotinha.

O Youtube possui mil vídeos disponíveis de crianças dançando, mas o que diferencia essas duas de tantas outras é uma certa precisão, graciosidade e leveza ao conduzir a dança. É uma coisa muito engraçadinha ver criança dançando, não é verdade? Isso acontece porque, em geral, elas são coisinhas desengonçadas, sem consciência formal do que estão fazendo, do significado de uma dança, ou mesmo da música que estão dançando. Aí, é raro ver críticas. O negócio muda de figura quando elas começam a dançar bem. Sim, as críticas aparecem em outros vídeos no quais temos crianças dançando "mal" (ou como crianças, sem direcionamento, só na espontaneidade), por causa principalmente da exposição. Mas sinto que a crítica é mais contundente quando elas dançam bem, ainda que em ambos os vídeos haja críticas quanto à exposição e o direcionamento da dança do ventre a uma criança.

Para a pouca receptividade quando a dança é bem executada por uma criança há diversas respostas: "A criança não está aproveitando a infância e se focando no aprendizado de uma técnica". Mas ela está fazendo o mesmo na escola com a matemática, o inglês... A diferença é o que você valoriza. O corpo é uma ferramenta altamente repreendida em nossa sociedade, e isso traz consequências para essa mesma sociedade. Essa repressão é fruto de um processo histórico e, no fim, ao ignorarmos as potencialidades do corpo perdemos muito no que diz respeito ao conhecimento do mundo sim, e também de convivência social, aceitação do prazer/bem-estar individual, etc. A dança tem valor terapêutico e disciplinar, não consigo enxergar problema na dança em si. Outra resposta comum: "A dança é sensual e não deve ser praticada por crianças, pois pode acelerar um desenvolvimento sexual não adequado a sua idade". Não sei não hein, ainda mais se focarmos no Brasil e o funk, axé e até mesmo o samba dando sopa por aí. Tenho, inclusive, minhas dúvidas quanto a isso em outras danças não-brasileiras, como balé, jazz, enfim, mais prestigiadas pelos pais. Acho que quando sua querida filha entrar em contato com essas expressões culturais, não custa nada você, pai ou mãe, acompanhar esse contato, assim como com certeza você faz para qualquer outra coisa nesta jornada de descobrimento do mundo de toda criança. E cá entre nós, nossas músicas estão em português compreensível, enquanto que a música árabe está longe disso - boa parte das bailarinas dançam somente o que sentem com a melodia da música - sem falar que boa parte do conteúdo dessas músicas é bem poético. Essa associação de sensualidade com a dança árabe nós sabemos de onde vem, não é mesmo? Novamente o problema não está na dança.

Tentando finalizar esse assunto que dá pano pra manga: as crianças são pequenos seres humanos suscetíveis aos mesmos desejos que os adultos, só que sem a carga de maturidade que vamos recebendo ao longo de nossas experiências, logo é um público delicado e que absorve informações de forma rápida.

Example

Acreidito que o problema está no direcionamento que dão para a dança. Escolher a dança para as crianças exige técnica diferenciada e um acompanhamento dos pais (sim, ter filhos é coisa SÉRIA, dá trabalho, acho que essa todo mundo devia saber, né?). Assim como o inglês e a matemática estão presentes na vida de uma criança com um direcionamento específico para a idade delas e um acompanhamento dos pais, a dança, a arte, o exercício físico devem merecer a mesma atenção. Se é um desejo da criança, porque não? Até porque, quando fazemos as coisas com prazer tudo sai melhor, fala a verdade aí. Talvez aquelas duas meninas alcançaram um certo nível de "excelência" por causa do prazer que aquela atividade, dançar, lhes proporciona. Existe o outro lado da moeda? Existe: elas podem ser "vítimas" de mães "frustradas" que refletem em suas crias seus desejos e vontades, entre outras possibilidades negativas. Mas não temos como saber se é o caso daquelas pequerruchas. Outra possível resposta está ligada aos passos ensinados que em tese não correspondem com a idade delas. Nesse caso, não posso falar muita coisa, pois envolve profissionais da área da psicologia do desenvolvimento, fisioterapeutas, educadores físicos. Só penso, como historiadora, que esse apego às verdades científicas podem ser contemplados com parcimônia, pois cada ser humano é diferente e nem sempre se encaixam nos padrões estabelecidos pelas ciências, o que não significa também ignorar as contribuições dos estudos especializados.


Diante dos vídeos, fiquei feliz e admirada por esses pequenos seres e senti uma motivação a mais para me dedicar com mais afinco à dança.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Profissão: Dançarina do Ventre

Este post é mais um desabafo. Por mim e por tantas outras meninas que possuem talento, mas não possuem meios para se estabelecer no meio da dança do ventre. Vemos dançarinas aparentemente bem sucedidas, mas quanto elas ralaram para chegar até lá? Ou quanta ajuda receberam? Fazer da dança do ventre uma profissão parece algo extremamente difícil, mesmo para quem realmente possui talento.

Primeiramente, a concorrência é desleal. Meeesmo! Não é difícil encontrar "plaquinhas" pela cidade com escolas de dança do ventre, e menos ainda difícil constatar que a professora tem o mínimo de preparo para dar aulas. Novamente: não é só aprender meia dúzia de passos, que se estará apta a dar aulas! Já li e ouvi dançarinas que se colocam como professoras e julgam as regras da dança para os ritmos e folclores como ditadura cruel e insensível, e não como uma leitura cultural! Elas não conseguem entender que dança do ventre não é uma massa pronta, como se fosse só colocar uma música árabe - qualquer uma - e dançar os mesmos shimmies, camelos e redondos, pois não é! Cada música tem uma expressividade e provém de uma região, com ritmos, passos, estrutura diferentes! É a mesma coisa que pensar que o mundo árabe é uma coisa só, cheio de terroristas, odaliscas e mulheres de burka! Forró não é Samba, da mesma forma, Soudi não é Saidi!

Ao lado dessa concorrência desleal, as potenciais alunas vão procurar escolas perto de suas casas ou do trabalho, e raramente vão procurar uma escola que tenha uma professora reconhecidamente boa. Esse quesito de "boa qualidade" também é falho, pois quem vai dar tal referência? As amigas da professora, suas alunas, seus parentes? Professoras bem preparadas "disputam" alunas no mercado com qualquer uma que se diz dançarina do ventre, e elas são muitas, muitaaas mesmo!

Outro fator: capital. Algumas dançarinas, com o apoio de seus familiares, ou até mesmo por terem adquirido um capital razoável com anos de trabalho em alguma outra profissão, conseguem adquirir sua própria escola, o que muda em muito a questão: ela ganha pelas alunas, e pelo aluguel do espaço para outras professoras. Muitas vezes esse "espaço" é dentro da casa da própria professora, ela pega a garagem, a laje, qualquer espaço grande, e transforma numa sala de aula, revertendo todo o ganho para si. Mas quem não tem? Vai dar aulas em academias, escolas, clubes, onde no mínimo 40 % da mensalidade fica com o dono do espaço. Dependendo do número de alunas, isso pode ser contornado, mas na maioria das vezes é muito trabalho para pouco retorno.

O que cai em: sustento! Quantas dançarinas realmente vivem de dança? A maioria das professoras faz disso seu segundo emprego, e muitas vezes, não o principal. É sair do trabalho, e entrar no outro: a sala de aula. Amor à arte? Com certeza! Por causa da grande concorrência de escolas de dança do ventre, a mensalidade precisa ser atrativa, não é mesma coisa que pole dance que possui poucas escolas, e realmente não é todo mundo que pode fazer: em média se paga 4× mais para aulas que são reconhecidamente "profissionais" (como pole dance), do que na dança do ventre, que qualquer um faz o carnaval que quer.

Assim, eu fico pensando: o que será da dança do ventre? Ou que já é... Existem avaliações que buscam provar o potencial e/ou o profissionalismo da dançarina, mas algumas vezes essas avaliações ficam presas a estilos da moda, algo que sabemos que a dança do ventre não se prende! Uma aluna da mesma escola pode ter um vocabulário e uma expressividade bem diferente de uma colega que estuda com ela no mesmo período, essa é a vantagem e a minha admiração por este estilo: ele se molda ao corpo da dançarina, à sua personalidade. Creio que essas avaliações devem ser enfatizadas e expandidas, mas pensando a qualidade técnica, não se o passo é mais contido, ou mais solto, se o braço é reto que nem um pedaço de madeira, ou flexível como um bonecão do posto (não gosto de ambos). Acho que a avaliação deve se focar no conhecimento teórico e na aplicação deste conhecimento na dança, não se a interpretação agrada ou não o gosto pessoal. É difícil realmente separar essas duas coisas, a avaliadora não é neutra, mas acho um bom começo para que tenhamos realmente profissionais na dança do ventre, oferencendo aulas de qualidade, formando alunas que respeitam a carga cultural e heterogênea que é esta modalidade, e não deturpando e estereotipando mais e mais esta arte, relegada a qualquer buraco de gente aproveitadora.

Querida Vivi, espero te ver tão logo pelos palcos da nossa amada dança do ventre!

domingo, 14 de março de 2010

Dançarinos do Ventre: Köçek

Dança do ventre é uma arte feminina... Hein?! Sempre houveram "homens dançarinos do ventre". Mas muitíssimo interessante saber que eles "sobreviveram" ao Império Turco Otomano! Choquei! Eu estudei por um bom tempo sobre sexualidade no Islã, e sabia que essa versão misógina e conservadora dele havia se manifestado fortemente com a invasão dos mongóis no séc. XIII. Após esse período, poucos núcleos se mantiveram "liberais", até finalmente se tornarem inexistentes. As dançarinas do ventre se relegaram à prostituição tão somente, e os homens passaram a adotar a sua postura machista. Mas eis que descobri que nem tudo era preto e branco! Köçek eram os famosos dançarinos do ventre deste império!

O interessante é saber que os "odaliscos" surgiram exatamente por causa da grande barreira entre os sexos que a interpretação da religião impôs. Era proibido ao homem ver uma mulher, que não sua esposa, dançando, logo a mulher foi substituída por um homem com trejeitos femininos! Resolvida a questão! A função do Köçek era entreter as festas dos palácios, fazendo uma dança do ventre tipicamente feminina. Eles precisavam ser jovens e belos, tanto que seu nome significa "jovem", "pequeno".

Para se tornar um dançarino do ventre era necessário uma longa preparação. O menino iniciava seu treinamento por volta dos sete anos, e sua carreira durava enquanto mantivesse sua juventude. Estes dançarinos geralmente se casavam entre os 25 e 30 anos, passando a não mais se apresentar, mas a organizar os grupos de dançarinos. Durante o séc. XVI, foram contabilizados mais de 250 grupos em atividade!

A dança realizada por eles era chamada de köçek oyunu, apresentando elementos árabes, sírios, gregos e curdos. A música que embalava a apresentação seguia um estilo especial denominado köçekce. Vários instrumentos de percussão também apareciam, mas as apresentações poderiam conter também uma atmosfera de encantamento. Além de dançar, os dançarinos também tocavam uma versão primitiva de madeira do snuj, o que hoje chamamos de castanholas. A presença destes dançarinos era sempre requisitada para festas de casamentos, circuncisões, festivais, ou quando os sultões queriam animar o palácio!

A postura destes dançarinos era extremamente provocativa e erótica, sua roupa trazia cores fortes, geralmente vermelho e preto, e tecidos finos. Usavam um colete, uma saia rodada ou uma calça (shalvars) e um lenço amarrado no quadril, além de muitas jóias. Seus movimentos visavam provocar sexualmente, e muitas vezes os dançarinos estavam disponíveis para fins sexuais. Apesar desta incongruência com os valores islâmicos, muitos köçeks foram famosos, chocando ocidentais, ao mesmo tempo que eram a "inspiração" para poetas e músicos do império. Entretanto, em 1856, diante da completa prostituição que tomara esta atividade, o sultão proibiu a sua prática, o que fatalmente a fez desaparecer. Destino semelhante ao que ocorreu com as Ghawaaze no Egito.

Hoje em dia existem dançarinos como foram os köçeks, claro excluindo a parte da sexualização desta atividade. Da mesma forma, a dança do ventre feminina no Ocidente vem angariando o status de arte, enquanto por muito tempo ela esteve aliada à prostituição no Oriente (e é ainda vista assim por lá). Entretanto, o papel do homem na dança do ventre ainda vem muito mais carregado de tabus que o feminino, acredito que pelos valores cristãos ocidentais, que condenam a homossexualidade, e fazem com que homofóbicos como o Dourado do BBB 10 sejam os mocinhos da história. Acho que é legal vermos que todos estamos no mesmo barco, homens e mulheres, que praticamos a dança do ventre e temos uma origem comum no mundo árabe. Afinal, dançando bem, que mal tem?

Bem, aqui abaixo o que sobrou da sensual dança dos köçeks. Digo isso porque acho que nesses dois séculos os dançarinos perderam a sensualidade, a feminilidade, ficou uma coisa mais folclórica, quase uma paródia.



E aqui abaixo o que creio que seria uma apresentação próxima do que eles executavam, pois utiliza o estilo musical - köçekce - que lhes era característico (até a roupinha é a mesma que a deles).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Boas dançarinas ou dançarinas boas?

Uma das coisas que mais me decepcionam na dança do ventre é a hipocrisia do corpo perfeito. Cara, eu entendo meeesmo, que no palco, num restaurante, as pessoas não querem ver pessoas "fora do padrão de beleza", mas daí colocar pessoas sem talento para dançar só por causa de um corpo bonito, me poupe, não é?

Talvez o público nem perceba, e aí está o grande trunfo: a dançarina é leve, mas executa os movimentos errados, braços tortos, não reconhece os ritmos, parece o tempo todo estar desfilando. Que importa aos olhares leigos? Ela é bonita, e isso basta. Mas nós que não estamos cotadas no conceito de beleza atual, que importa se dançamos bem? Uma ou outra pessoa pode perceber nosso talento, mas a maioria não. E pior: nós podemos estar na televisão, no palco, no restaurante, dançando maravilhosamente bem, o que todos estarão olhando? O nosso corpo. E quantos não estarão debochando de nós? (Digo isso por um vídeo que encontrei no youtube de uma dançarina com um quadril seco perfeito, mas gordinha, e as pessoas trataram de filmar a televisão e postar no youtube a dança da menina juntamente com o áudio dos seus risos debochados).

A minha revolta só bate de vez em quando, tem dias que estou bem conformada, deixo para lá, não vou me esforçar em dar "pérolas aos porcos". Eu danço para quem possa apreciar qualidade técnica, amor à arte, eu danço com a alma, quem me vê dançando, sempre comenta isso. Mas quem do grande público poderia notar? Das vezes que dancei em festinhas para amigos, de calça jeans, sem qualquer preparo ou coreografia, eu sempre fui muito bem recebida. Algumas vezes as pessoas vinham falar comigo, elogiar, pedir informações, para mim que tinha se empolgado com a música, e não tinha aparecido só para dançar. Acho isso muito válido, fico lisonjeada por "roubar a cena" sem querer, mas isso incomoda muita gente, especialmente quem acha que as gordinhas deveriam ficar em casas trancadas, se lamuriando por não ter um corpo esquálido e sem curvas.

Mas e as magras sem talento? Têm váááários vídeos no youtube delas, os comentários são sempre os mesmos: "você é linda, gostosa, charmosa, etc", quem diz: "nossa, quero dançar assim?". Quer dizer, até tem, mas logo você percebe que quem diz isso não sabe lá muito de dança do ventre. E nas festas em que essas mulheres lindas dançam? Coloque uma que dança bem ao lado dela, e olhe bem atentamente: por incrível que pareça, muita gente "leiga" vai notar de imediato que a lindinha não sabe dançar tão bem assim. Infelizmente eles precisam de parâmetros para perceber isso, e como não vamos dar um workshop de dança do ventre em toda apresentação, fica para quem consegue olhar além de um belo corpo.

Críticas à parte, é claro que não há somente dançarinas sem talento, óbvio que não! Temos inúmeras belas dançarinas que entretem um público que não faz parte do meio e são super talentosas, como a Virgínia Njainne, Serena Isthar, Sara Caldas, entre outras. Existem locais em que as dançarinas são escolhidas a dedo, mas em outros... Bem, nesses nosso apelo é que escolham boas dançarinas, não dançarinas "boas"! Sabe, o público não merece ser iludido com uma imagem deturpada da dança do ventre, com alguém que não é a sua melhor representante. Ok, as pessoas - até aquelas que não estão em forma - irão torcer o nariz para uma dançarina gordinha, ou em qualquer estado que não seja o famigerado "mulherão que merece viver e reproduzir", ok, coloque a bela dançarina, mas que ela realmente saiba dançar e encantar por seu talento. Acho que muita gente acha a dança do ventre chata e desinteressante porque só tem contato com essas moçoilas que só prendem a atenção na sua bela aparição, a dança sai quase como um esforço desesperado de parecer interessante, o que não é: a dança do ventre não é só um corpo, existe toda uma técnica envolvida. Já dizia o velho ditado: "Beleza não põe mesa", vamos lá encher os olhos do público com a arte da dança do ventre em seu mais puro talento.

Abaixo uma bela dançarina encantando a todos: Serena Isthar

sábado, 23 de janeiro de 2010

Dança do Ventre e Auto-Estima

Pensando no que a Jarid disse (uma pessoa que tem uma vida emocionante na Índia, e é linda, ainda que seja modesta ao admitir isso...), quantas de nós realmente nos sentimos o tempo todo lindas, maravilhosas, gostosas, divas?! E o que a dança do ventre realmente nos traz?

Eu acredito totalmente nos benefícios da dança do ventre para nossa auto-estima, para nos transformar de um bichinho sem graça numa pessoa mais confiante, mesmo que seus efeitos não sejam iguais para todas. Uma das melhorias que minha família mais reparou foi na minha postura. Eu sempre fui muito tímida, andava toda curvada, mas quando comecei a dançar, além da postura, a minha forma de andar melhorou bastante. E ainda aprendi a esquecer todas as minhas neuroses dos padrões de beleza ao ouvir a música, ao dançar. Ali eu sou a Celia, não a gordinha, não a fofinha, não a bonitinha. Eu estou além de uma classificação hipócrita de beleza.

Acredito que o impacto da dança do ventre na nossa vida seja mais nitidamente percebido por quem está ao nosso redor. Eu consigo agora estar num dia radiante e atrair olhares e elogios, mesmo não sendo a Gisele Bündchen, mesmo sem intenção. Antigamente quando eu andava na rua, se alguém olhasse para mim, eu achava que devia ter algo errado na minha roupa, no meu rosto, eu devia estar com uma marca de pasta de dente no canto da boca, só podia ser! Não podia achar que um ser poderia me achar bonita, como achar uma gorda bonita? Algumas neuras ainda existem, pois ainda pesa o estigma da beleza esquelética, eu posso estar arrumada, cheirosa, sorridente, alguém vai falar "só falta emagrecer...". Ou seja, eu gorda sou digna de pena por não ser magra... Mundo cruel...

Só que quando entro numa aula de dança do ventre, posso ver uma ou outra "modelo de capa de revista", outras bem fora do padrão de beleza como eu, porém todas estão no mesmo barco, às vezes as "belas" muito menos sensuais que as "feias", reduzindo o espaço que o preconceito poderia ter. Para aquele movimento sair perfeito, eu tenho que ir além da minha baixa auto-estima, buscar aquela sensualidade no fundo da minha alma para expressar na dança, e isso de forma inconsciente, para que a minha cabeça não me condene por achar que há em mim uma incapacidade nata de ser atraente. Esse exercício contínuo vai se acumulando no meu subsconciente, mesmo que eu tente, eu não consigo mais anular completamente a minha feminilidade. O "belo" passa a fazer parte de mim, e eu deixo de ser um estereótipo de "feia mal-amada", para acreditar que a sensualidade está além do meu corpo.

Como já comentamos, o mundo artístico da dança do ventre clama por corpos definidos, mulheres "perfeitas", pouco vemos dançarinas famosas que estejam fora desse padrão. Mas não vamos mudar o mundo com algumas palavras, infelizmente nessa discussão não encontro quem concorde comigo, para todos, no palco, as dançarinas precisam ser visualmente belas. Mas enquanto isso nas aulas, todas, magras e gordas, culturalmente belas e feias, venham, venham dançar e encontrar o melhor que a dança do ventre pode oferecer: não paetês, strass e medalhinhas, mas confiança, auto-estima e vaidade (a boa, é claro).

Aqui abaixo uma gordinha famosa fazendo sua apresentação: Neguinha Moreira!

domingo, 22 de novembro de 2009

Homens na Dança do Ventre: Fim dos Tempos?

Geeeente, to passada! Andei lendo na internet as justificativas das pessoas que defendem a dança do ventre como exclusividade feminina, e me senti na obrigação de esclarecer certos equívocos que eram afirmados como a verdade encarnada!

Bem, a história da dança do ventre é mera suposição, está basicamente na mesma linha que a descoberta da agricultura pelo homem, da roda, a domestificação dos animais, nada é certo, tudo é lenda. A teoria mais aceita é que as mulheres no Egito passaram a realizar cultos em adoração à deusa da fertilidade (que não quer dizer necessariamente procriação humana, mas também a agricultura) com uma versão primitiva da dança do ventre, e descobertas pelos romanos, começaram a utilizar essa dança para fins mais eróticos, como entretenimento masculino. Sabendo ou não a verdadeira origem da dança do ventre, fato é que não temos hoje em dia a mesma dança de 5.000 anos atrás, sequer sabemos que movimentos sinuosos do ventre e do tronco eram, e se não foram adicionados após vários encontros culturais, não só pela mão dos romanos, mas de macedônios, babilônicos e por aí vai. Se há inscrições que mostram mulheres dançando, adorando a deusa da fertilidade, nada impede que homens dançassem também fora dos rituais.

Mas não importa fazer conjecturas a respeito disso, afinal o que nos importa mesmo é o elo que a dança do ventre encontrou para chegar até nós: o mundo árabe. Pensamento reducionista: os árabes dominaram o Egito e automaticamente a dança do ventre se incorporou ao mundo árabe... Não!! Novamente foi um encontro cultural. E a dança do ventre se manteve nesse meio com outra finalidade: prostituição. Não torçam o nariz ao ler estas palavras, quem dançava não era a esposa, mas as jawari, as concubinas. Nem toda mulher nascia para ser esposa, aquelas que não tinham a mesma sorte se tornavam concubinas, o que naquela época não era algo necessariamente degradante. Diferentemente das ghawaaze (que também dançavam), as jawari eram mulheres instruídas, elas deveriam entreter seu amante (elas só tinham 1 senhor) não só com a dança, mas com poesia, canto, diálogos filosóficos, e de certa forma, possuíam mais liberdade que as esposas. (Quem quiser saber mais sobre elas, leiam o livro "A sexualidade no Islã" de Abdelwahab Bouhdiba).

Mas onde entram os homens nessa história? Nos haréns, na Era de Ouro do Islã Clássico, não apenas as mulheres dançavam... Os homens também, e da mesma forma. A sua atividade não era com fins sexuais (claro que existiam exceções, vide o poeta árabe gay Abu Nuwas), mas para entretenimento. Um dançarino era tão valorizado quanto uma dançarina, e muitas vezes, nos grupos onde havia certa misoginia e conservadorismo, não havia dançarinas, apenas homens dançando.

A partir do séc. XIII do calendário cristão, começou a haver um certo declínio da produção filosófica no mundo árabe, o conservadorismo se exacerbou, as mulheres começaram a ser relegadas em segundo plano, a ponto de ignorarem sua sexualidade, e os homens... Bem, aos homens foi exigido um modelo machista que resiste até hoje, não só entre os orientais, mas entre os ocidentais também. Dança do ventre passou a ser prática de sharmuta, e homens dançarinos do ventre passaram a ser vistos como pervertidos. A dança regional abarcou o estilo masculino, e se diferenciaram claramente o que era dança masculina e o que era feminina.

Então, por que falar que homem na dança do ventre é uma afronta à arte milenar? Isso já aconteceu em outros tempos, não é novidade do séc. XXI, não é o fim dos tempos! Agora temos uma abertura na cultura que aceita a participação masculina, por que nos revoltamos com isso? Muitas das pessoas vieram me falar que a dança do ventre é uma arte da sensualidade, que um homem se insinuando na dança do ventre no mínimo é algo medonho... Ok, é estranho porque estamos sexualizando a dança do ventre! Que tal olharmos como entretenimento, da mesma forma que nos séc. IX ao XII os homens dançavam para divertir as pessoas, e não para realizar fantasias sexuais? E cá entre nós: uma mulher dançando mal é tão feito quanto um homem dançando mal, e não é o formato do corpo que impede de sair uma boa dança, é a falta de talento. Se eu defender que a dança do ventre só deve ser praticada por quem a sociedade considera "bonito" e "na moda", então fora homens, fora mulheres gordas, fora anãs, fora deficientes, fora, fora! Péssimo, não? Vamos tentar se condescendentes, e não buscar justificativas mirabolantes para impedir uma pessoa de fazer aquilo que a torna feliz!


Olha aí o dançarino egípcio Tito entretendo a plateia num "duelo" com uma mulher:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Modelitos Bizarros das Dançarinas Egípcias

Tudo bem que na dança do ventre nossos modelitos não se restringem ao cinturão e bustiê, nós podemos variar nos modelos de saias, usar calças, optar por usar ou não cinturão, variar nos tipos de bustiê, mas que pedaço de pano é aquele que as egípcias desfilam em suas apresentações? Elas parecem ter um critério de moda mucho loco, algo que beira a falta de bom senso!

Quando nos deparamos com estas estrelas mal-vestidas, nos perguntamos: o que fez esta criatura achar que esta roupa está valorizando a sua performance? Bem, logo também concluímos que não é bem a dança que ela está buscando valorizar, parece que a plateia está querendo ver outra coisa, as curvas das dançarinas. Para tal, minissaias, tops, roupas aperrrrtadas até prender a circulação e um quê brega. Fico imaginando o agente dessas bailarinas dando a dica: "Na próxima vez se vista mais ousada", e depois de milhares de "dicas", por fim só se a bailarina vier "vestida" com três "post-it" tampando as devidas partes! E se o problema fosse só a "ousadia"! As dançarinas se esmeram em ganhar o título "rainha do brega", para isso lantejoulas, brrrrilhos em todos os poros, cores forrrrtes, e claro: desenhos escabrosos nas roupas (ou então elas mesmas desenhadas ao estilo psicodélico!).

Mas quando foi que surgiu esta tendência? Bem, no início da década de 90, três dançarinas muito conhecidas começaram a se destacar de uma forma peculiar: Dina, Mona Said e Nagwa Fouad. O que havia de exótico nelas? Claro, os modelitos reveladores e inusitados! Em 1992, Dina e Mona Said, não satisfeitas com as roupas diminutas, começaram a usar calças de lycra! Em 1994 (como podemos ver na foto ao lado), novamente não satisfeita, Dina passou a unir seu famoso vestido justo com o shortinho básico, e claro, com um corte enviesado para dar o tcham e presilhas cobertas de strass. Ah sim, esta fotinho é um furo de reportagem: o botão do decote se soltou e ficou essa abertura aí para a alegria da rapaziada. A pobrezinha ficou um bom tempo tentando prender novamente o decote! Dentre outros modelitos de Dina, temos vestidos mais do que reveladores, se este decote se abriu "sem querer", não podemos negar a intenção de mostrar outras partes de seu corpo, nos vestidos transparentes (ao menos ela usa calcinha! Boa moça!), com pouco tecido, e cores e estampas vibrantes (laranja florescente e estampas de flores, frutas, até mesmo as mesmas em miniatura).

Mona Said também não fica atrás de Dina no quesito "breguice ousada", claro também com mais detalhes ainda! Um carro alegórico ficaria com inveja das roupas de Mona! Essa aqui não diva nada, é perua mesmo!! Segundo relatos de Leyla Lanty, uma dançarina norte-americana que a viu dançar ao vivo, certa vez Mona entrou no palco com a roupa decotada nas cadeiras (primeira foto acima), os músicos quase perderam a concentração, a expressão deles foi de imensa surpresa, e profissionais que eram, não perderam o ritmo! Músicos egípcios agora têm que tocar esperando qualquer coisa, meninas!

E por fim, claro, Nagwa Fouad! As breguices e situações inusitadas, acho que esta foto ilustra muito bem: vestido de baladi preto transparente, bustiê e microssaia de um tecido extremamente brilhante e colorido fosforescente, e para chamar ainda mais a atenção, subiu numa cadeira para dançar! Segundo relatos narrados por Leyla, numa de suas performances com esta "ropitcha", um homem a mandou descer do palco para se vestir, porque ele tinha trazido a família para ver o show. Nagwa mandou a banda parar de tocar, desceu do palco, subiu na mesa do homem (!) e mostrou que a roupa dela cobria todo o corpo (esse tecido aí transparente). O que aprendemos com esta "lição": não importa se muitos ficarão chocados, o importante é que o show deve continuar (ao menos nos Night Clubs egípcios)!

E existem brasileiras adotando semelhantes figurinos? Sim, existem, infelizmente... A última que ouvi falar - graças a Deus não precisei testemunhar isso - foi uma dançarina com top e saia jeans, devidamente bordados, em que a moçoila ainda se atrevia a fazer arabesques... Sinceramente: poupe-me!!! Claro que existem muiiiiitas dançarinas que acreditam que "o que é bonito tem que se mostrar", mas acho este ditado uma grande desculpa para se mostrar de tudo, e que independente dos gostos pessoais de cada um, acaba vulgarizando a dança do ventre. Dança do ventre é vulgarizada no Egito? Ô se é! Lá dançarina do ventre tem um sinal de igual ao lado das prostitutas. Não se iludam com brilhos, plumas, strass, lá a coisa tá feíssima, é preciso muito cuidado e muitos anjos da guarda para se trabalhar decentemente no Egito.

Mas é isso, fica a dica de se valorizar e valorizar a nossa dança. Se você é uma dançarina linda, excelente, use uma roupa que mostre o que você tem de bonito sim, mas não mostre algo que vá confundir o objetivo da sua dança. Vamos dançar para sermos admiradas, não somente assediadas!

Aqui abaixo Nagwa Fouad num dos seus momentos psicodélicos:

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dança do Ventre em Restaurantes: Divulgação ou Depreciação?

Tenho visto muitos vídeos no youtube com dançarinas se apresentando em casas de chá, eventos não exclusivos da dança do ventre, restaurantes, etc. De todos, este último tenho minhas ressalvas, pois percebo algumas coisas que me deixam chocada! Obviamente não é em todos os vídeos, mas em alguns a gente percebe a total falta de educação da plateia com a dançarina... Cadê o respeito às dançarinas do ventre?!

A mais evidente delas é a falta de atenção. É a mesma dispendida aos músicos que tocam ao vivo, o cara canta, se esgoela, atende aos pedidos mais bizarros, aquelas músicas do tempo do "ronca" (gírias que demonstram a idade, ai ai ai), quem aplaude ao pobre? Claro, se é O cantor, A cantora, muita gente para, faz fila, canta junto, mas aquele desconhecido por mais talentoso que seja ocupa o mesmo lugar do barulho ao redor, ou melhor, disputa com o barulho! A dançarina entra no restaurante para se apresentar, mas se o estabelecimento não organiza a sua entrada, não monta um momento para ela, a bendita entra no meio das pessoas que estão circulando, literalmente cutucando as costas dos outros para que lhe deem passagem, dança com os braços recolhidos, com medo de dar um tapa na cara de algum garçom ou transeunte, quase não ouve a música que está dançando, porque as pessoas passam a gritar para conversar, e ela fica lá contando eternamente os minutos que faltam para ela sair da frente das pessoas. No final a qualidade de sua apresentação não fará tanta diferença, porque os poucos que param para vê-la, perdem logo o interesse, pois nem ela mesma consegue se concentrar na sua dança. Para se ter uma ideia do problema, eu já vi uma coitada no Habib's dançando e tentando fingir que nada estava acontecendo, enquanto uma criança atirava toda hora uma bola na sua cabeça... E quanto aos engraçadinhos? Eles acham que estão assistindo a um show de strip-tease, e as dançarinas tem que ficar se esgueirando para não serem alvo de nenhuma mão boba, ou de palavras indecentes!

Eu comento isso com uma dor no coração, por mais que seja um tanto exagero de minha parte (afinal, muitas dançarinas, especialmente aquelas que postam vídeos deste "fracasso" no youtube, não conseguem perceber o descrédito que passaram), mas eu sei que muitas ficam decepcionadas ao passar por uma situação dessa. A minha mãe é tecladista, e eu ficava muito triste quando a via estudar um repertório com afinco, escolher músicas, tocar e cantar várias horas em ambientes que sequer percebiam a sua presença. Eu fiz questão de nunca me submeter a isso, e numa atividade que tanto gosto e prestigio que é a dança do ventre, fico da mesma forma ofendida com a falta de educação alheia, como se tivesse acontecido comigo!

Por isso, meninas, não percam a esperança! Quem já se sentiu idiota, uma horrorosa, em dançar e ser completamente ignorada ou ofendida, não pense que a culpa é sua! A melhor forma é escolher a sua audiência, e não sair dançando em qualquer lugar, valorize-se! Eu sempre digo para as meninas que a primeira apresentação se faz entre amigos, a família também nos ajuda a perder a vergonha, mas não saia dançando em qualquer buraco, se assegure que ao menos o ambiente dará o seu espaço para se apresentar.

Alguns restaurantes árabes oferecem apresentações de dança do ventre para entreter seus clientes, como é o Al Khayam no Centro do Rio de Janeiro, o Arab em Copacabana. Neles as dançarinas são respeitadas, tem seu momento para dançar, ainda que não dê para impedir que pessoas entrem no restaurante e os garçons deixem de circular. De qualquer forma, a gente percebe que o local se organiza para a dançarina, e ela não fica perdida no meio dos clientes. Além disso, "não prestar atenção" é direito de quem está no restaurante, a dança pode não cativar a todos, mas é exatamente a organização do lugar que fará com que a dançarina não seja incomodada ou atrapalhada em sua apresentação.

Eu não vou colocar aqui os vídeos em que uma dançarina é terrivelmente ignorada ou assediada, pois acho que seria mais feio ainda para mim divulgar o mau momento dos outros. Quem já passou por isso, que perceba e passe a escolher melhor onde dançar. Ao invés disso, vou colocar um vídeo de quem arrasou dançando num local público. Palmas para a dançarina e palmas para o público que assistiu a ela!

Aqui Ansuya no Restaurante americano Al Amir. O velhinho - Harry Sarouyan - ficou tão empolgado que jogou dinheiro em cima dela (meninas, tem árabes que fazem isso! Nada de se abaixar para catar o dinheiro no chão! Olha a pose de diva!)

domingo, 16 de agosto de 2009

Tabu: "Panelinha" na dança do ventre?

O google é nosso aliado... Pai Google que estás online! Muita coisa encontro na internet, muito que sei não veio de professores, de workshops, de amiguinhas... Aqui no Rio de Janeiro as grandes escolas se restringem em localidades nem sempre acessíveis a todos, e assim as informações e novidades muitas vezes também só se divulgam nesse meio. Eu, menina da Zona Norte, estagiária, não tinha dinheiro nem tempo para gastar em diversos workshops, cursos e especializações, fiquei na minha escola de dança que me trazia aquilo que eu achava importante para minha vida, e o resto? O resto eu buscava na internet!

Após criar este blog, acabei tendo maior contato com os grupos da nata da dança do ventre carioca, e a troca tem sido boa, apesar de eu não abandonar minhas raízes suburbanas. A minha primeira professora buscava maior embasamento principalmente com as dançarinas egípcias, das dançarinas estrangeiras eu conheço muita coisa, mas é engraçado como eu pouco conhecia das brasileiras, afinal eu sou brasileira! What a shame!. Recentemente vi trabalhos excelentes e outros pavorosos, mas o que me incomodou nesse meio brazuca bellydancer é a falta de críticas: elogios aos montes, ainda que rasos, mas criticar é somente tarefa das invejosas, algo um tanto hipócrita, não?

Da mesma forma vemos isso repercutindo nos blogs: muitos possuem excelente qualidade, mas tão poucos se dignificam a criticar algo na dança do ventre. E quem "ousa" fazer isso? Parece que as pessoas se armam contra qualquer crítica, como se esta só viesse de pessoas ignorantes que não sabem o que estão dizendo, que não estudaram a dança, que não tem a profundidade intelectual/artística para compreender o maravilhoso trabalho daquela dançarina ou grupo de dança (que só é acessível a poucos e nobres escolhidos, oh!). Eu fico até com medo de criticar também, pois nós podemos ser rechaçadas (ou processadas!) simplesmente por termos concepções diferentes, sermos tachadas de diversos adjetivos pejorativos, porque não concordamos com o que a "grande maioria aceita"... Será que é a maioria mesmo?

Eu amo dança do ventre desde que eu me entendo por gente! Eu colocava saias longas e ficava dançando pela casa. O que me atraía era exatamente você ser autêntica na dança, era o fato de eu ver várias formas da pessoa dançar e ser bonito, era a originalidade, o que anos mais tarde percebi que era porque não é você que se adapta à dança, mas ela que se molda ao seu corpo, à sua personalidade, é a sua alma que caracteriza sua dança: leve, graciosa ou densa, agressiva, é você quem dá a cara à sua interpretação. Mas vejo em muitos grupos a necessidade de fabricar bailarinas em massa, igualzinhas em tudo, encaixa uma pecinha aqui, outra alí, no final você estará buscando anular de alguma forma aquela naturalidade, para forjar um pseudoprofissionalismo que é colocado como objetivo de uma perfeita dançarina do ventre.

Dois exemplos que uso, que nem todos precisam concordar comigo, mas eu quero expor minha crítica: Aziza Mor Said e Suheil. Qual a diferença entre as duas, para mim? Sentimento. A primeira eu vejo um vocabulário extenso, técnica para deixar qualquer bailarina admirada, mas para mim falta alguma coisa quando a vejo dançar, por mais linda e maravilhosa que seja (e hors concours para a grande maioria das dançarinas). A interpretação de Aziza em Tales of Sahara é um dos vídeos que tem mais opiniões divergentes sobre dança do ventre no Youtube, por que será? Depende do que você está olhando quando ela dança. Eu busco algo a mais que passos corretos e diversificados. Caímos em Suheil, a dançarina que dança com a alma, para mim. Ela parece tão feliz e à vontade dançando, opa, ela repetiu aquele passo de novo, olha ela balançando a cabeça, diferente, não? Suheil está dançando, ela está dançando para ela mesma, não para os críticos, está dançando para você, para ela, para a mosquinha que está voando... Sabe o que faz uma perfeita bailarina para mim? Saber dançar com a sua essência, ouvir a música e querer expressá-la não em passos complicados ou em uma técnica extremamente elaborada, mas sabendo transmitir cada nota com seu corpo, por mais simples que seja a sua coreografia.

Nossa, Celia, muito bonito isso, mas qual o propósito? Como tornar uma atividade respeitada, passível de avaliação, estruturada, se não estabelecer o que é certo e o que é errado? Sim, mas nós estamos criticando o que consideramos errado mesmo, ou só criticamos aquilo que é diferente para nosso mundinho bellydancer? E onde estão os críticos? Será que eu só poderei criticar uma dançarina quando ninguém mais ousar me criticar? Odeio quem fala mal por falar, e só fala "lindo" para as amiguinhas, mesmo que elas dancem com a perna aberta, façam careta quando tremem e expõem as mãos como garras num básico egípcio. "Vai, amiga, você é linda, te adoro", como eu odeio isso, porque a gente poderia melhorar em tanta coisa se alguém viesse criticar para nos ajudar, e não só para nos colocar pra baixo. Claro, há críticas e "cri-críticas"... A crítica foi equivocada? Avise à amiguinha, ela merece aprender com os erros dela também...

Espero continuar ouvindo diversos "porquês" por críticas feitas, e não somente porque"ela é feia, horrorosa, é gorda, etc...". É preciso sermos sinceras quando não apreciamos tal estilo de uma dançarina, e não temos que ser moldadas até ficarmos irreconhecíveis para nós mesmas. Não estou dizendo também que a dança tem que se adequar aos vícios da bailarina, nada disso, correção neles! Braços esticados, postura, quadril encaixado, quadril e tronco separados! Criticar por isso é válido, é necessário! A bailarina tem que se desenvolver a tal ponto que a dança - milimetricamente correta - saia natural do seu corpo, agora ela tem que ser criticada e elogiada pela sua dança, e não segundo de onde veio, quem é seu professor, quantos anos se dedica à dança, se é gorda ou magra. E a ótica para analisar a dança tem que se focar em como esta bailarina nos toca: eu não quero ver nomes dançando, eu quero ver leitura musical, interpretação, entrega numa apresentação de dança do ventre!

Por isso acho bom as dançarinas começarem a criticar aquilo que lhes é estranho... Quem sabe depois você não vira admiradora de quem você criticou? Eu sempre comento "sou uma pessoa que me permito mudar de opinião", não sou uma pedra, eu sinto, eu vejo, eu conheço cada vez mais coisas e pessoas, hoje aquilo que é feio para mim pode vir a ser interessante, se eu buscar me aprofundar. A crítica fomenta o estudo e o próprio autoconhecimento, o que não podemos jamais ter é uma opinião formada simplesmente pelo grupo a que "pertencemos", temos que descobrir aquilo que verdadeiramente nos atrai. A amizade é comum, ainda mais num meio predominantemente feminino, mas ser amiga não é anular a si mesma, não é ser injusta com os outros, é preciso se libertar dessa postura egoísta!


Para todos formarem sua opinião, aqui abaixo Aziza Mor Said em Tales of Sahara, e Suheil em um solo de percussão.



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