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domingo, 1 de abril de 2012

Crianças na Dança do Ventre - Pt. 2

Essas crianças não estão pra brincadeira não, se é que me entendem! Começo a pensar que um fenômeno do mundo da moda e da música está ganhando espaço na dança do ventre: mães que não conseguiram fazer suas carreiras na dança, refletem na filha seus sonhos e investem pesado na carreirinha de suas pequenas. Não necessariamente isso é ruim, ou (talvez possa parecer) uma crítica, é só uma possibilidade que passa pela minha cabeça. Essas meninas parecem que já nasceram dançando! Vieram de barrigas bem treinadas e continuaram os passos de alguém mais antigo dentro do meio, entendem? Receberam uma herança, uma experiência adquirida indiretamente por meio do sangue. Não sei.
Isso vale principalmente pro, já querido, leste europeu que vem revelando novos talentos com as "copas" que acontecem por lá. As dançarinas, principalmente, russas ou ucranianas vem ganhando cada vez mais admiradoras por aqui. Mas entre as já famosas, Aida Bogomolova ou Daria Mitskevich, hoje eu trago Katerina Panteley.
No último post que fiz sobre a criançada na dança do ventre, eu também mostrei uma russa (Anastasyia Korobova), quem quiser conferir é só clicar aqui. Sobre a Katerina, não encontrei nada sobre sua biografia, somente seus vídeos. Se a Anastasyia naquele post te fez ficar de queixo caído, olhem esta pequenininha.
Considero o acordeon e a flauta os instrumentos mais difíceis de se interpretar com criatividade e "exatidão". Quando vi a Katerina nesse taksim baladi, quis adotá-la. Quem sabe ela não me ensina um pouco? rs A postura desse pequeno ser é mil vezes melhor que a minha (mesmo quando eu era um pequeno ser também).
Já virei total dessa menininha, é sério. Estou apaixonadíssima por ela. Tudo bem que tudo que estamos vendo possa ser coreografias feitas pela mãe, pela coreógrafa/professora, mas, sério, não importa. Ela tem um super carisma, interpretação fofa, interação com o público (!!!). Mesmo que seja coreografia, não parece que se trata de uma, ela faz tudo tão natural, tão orgânico, que você acredita nela. A Katerinezinha convence, ou não convence? Não? Ah, então toma esse shaabi aí:
E esse khaleege? Parece que veio tudo da cabecinha dela:

Quero muito saber a idade deste prodígio, porque se ninguém me disser vou começar a acreditar que, na verdade, Katerine é uma anã com cara de criança.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Crianças na Dança do Ventre

Alguns não vêem problema nenhum, outros fazem algumas ressalvas e outros abominam. Os comentários que vou tecer aqui são apenas partes da minha humilde opinião. A idéia do post surgiu depois de assistir algumas apresentações bem executadas por crianças, que por vezes chegam a superar muita bailarina por aí (guardadas as devidas proporções!).

Vejamos as dancinhas das fofoletes:


Little Samia Gamal é ótimo!!!

Mas observe que a pequenininha executa alguns passos com certa precisão que considero de nível intermediário já pro avançado, faz uma ótima dissociação do corpo, tem uma postura e posicionamento de braços interessante, difícil de ver nas crianças. Não deu pra rastrear, mas tudo indica que a menina é do Oriente Médio.


Com um nome desse preciso dizer de onde ela vem? Ela força umas caras, né... Mas não disse que ia trazer a perfeição. Contudo, não dá para negar a habilidade técnica desta garotinha.

O Youtube possui mil vídeos disponíveis de crianças dançando, mas o que diferencia essas duas de tantas outras é uma certa precisão, graciosidade e leveza ao conduzir a dança. É uma coisa muito engraçadinha ver criança dançando, não é verdade? Isso acontece porque, em geral, elas são coisinhas desengonçadas, sem consciência formal do que estão fazendo, do significado de uma dança, ou mesmo da música que estão dançando. Aí, é raro ver críticas. O negócio muda de figura quando elas começam a dançar bem. Sim, as críticas aparecem em outros vídeos no quais temos crianças dançando "mal" (ou como crianças, sem direcionamento, só na espontaneidade), por causa principalmente da exposição. Mas sinto que a crítica é mais contundente quando elas dançam bem, ainda que em ambos os vídeos haja críticas quanto à exposição e o direcionamento da dança do ventre a uma criança.

Para a pouca receptividade quando a dança é bem executada por uma criança há diversas respostas: "A criança não está aproveitando a infância e se focando no aprendizado de uma técnica". Mas ela está fazendo o mesmo na escola com a matemática, o inglês... A diferença é o que você valoriza. O corpo é uma ferramenta altamente repreendida em nossa sociedade, e isso traz consequências para essa mesma sociedade. Essa repressão é fruto de um processo histórico e, no fim, ao ignorarmos as potencialidades do corpo perdemos muito no que diz respeito ao conhecimento do mundo sim, e também de convivência social, aceitação do prazer/bem-estar individual, etc. A dança tem valor terapêutico e disciplinar, não consigo enxergar problema na dança em si. Outra resposta comum: "A dança é sensual e não deve ser praticada por crianças, pois pode acelerar um desenvolvimento sexual não adequado a sua idade". Não sei não hein, ainda mais se focarmos no Brasil e o funk, axé e até mesmo o samba dando sopa por aí. Tenho, inclusive, minhas dúvidas quanto a isso em outras danças não-brasileiras, como balé, jazz, enfim, mais prestigiadas pelos pais. Acho que quando sua querida filha entrar em contato com essas expressões culturais, não custa nada você, pai ou mãe, acompanhar esse contato, assim como com certeza você faz para qualquer outra coisa nesta jornada de descobrimento do mundo de toda criança. E cá entre nós, nossas músicas estão em português compreensível, enquanto que a música árabe está longe disso - boa parte das bailarinas dançam somente o que sentem com a melodia da música - sem falar que boa parte do conteúdo dessas músicas é bem poético. Essa associação de sensualidade com a dança árabe nós sabemos de onde vem, não é mesmo? Novamente o problema não está na dança.

Tentando finalizar esse assunto que dá pano pra manga: as crianças são pequenos seres humanos suscetíveis aos mesmos desejos que os adultos, só que sem a carga de maturidade que vamos recebendo ao longo de nossas experiências, logo é um público delicado e que absorve informações de forma rápida.

Example

Acreidito que o problema está no direcionamento que dão para a dança. Escolher a dança para as crianças exige técnica diferenciada e um acompanhamento dos pais (sim, ter filhos é coisa SÉRIA, dá trabalho, acho que essa todo mundo devia saber, né?). Assim como o inglês e a matemática estão presentes na vida de uma criança com um direcionamento específico para a idade delas e um acompanhamento dos pais, a dança, a arte, o exercício físico devem merecer a mesma atenção. Se é um desejo da criança, porque não? Até porque, quando fazemos as coisas com prazer tudo sai melhor, fala a verdade aí. Talvez aquelas duas meninas alcançaram um certo nível de "excelência" por causa do prazer que aquela atividade, dançar, lhes proporciona. Existe o outro lado da moeda? Existe: elas podem ser "vítimas" de mães "frustradas" que refletem em suas crias seus desejos e vontades, entre outras possibilidades negativas. Mas não temos como saber se é o caso daquelas pequerruchas. Outra possível resposta está ligada aos passos ensinados que em tese não correspondem com a idade delas. Nesse caso, não posso falar muita coisa, pois envolve profissionais da área da psicologia do desenvolvimento, fisioterapeutas, educadores físicos. Só penso, como historiadora, que esse apego às verdades científicas podem ser contemplados com parcimônia, pois cada ser humano é diferente e nem sempre se encaixam nos padrões estabelecidos pelas ciências, o que não significa também ignorar as contribuições dos estudos especializados.


Diante dos vídeos, fiquei feliz e admirada por esses pequenos seres e senti uma motivação a mais para me dedicar com mais afinco à dança.

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