Mostrando postagens com marcador Homens na Dança do Ventre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homens na Dança do Ventre. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dança de casal e descontração

Chega de coisa ruim. Para alegrar nosso final de semana, duas apresentações de casais divertidas. Uma de Shaabi e outra de Melea Laff. Ficou interessante a idéia de misturar dança, um pouco de teatro, uma historinha sendo contada entre os casais... O que vocês acharam? Uma pena não ter a letra da primeira música. Fiquei imaginando aqui sobre o que é a possível discussão deles. Divirtam-se um pouquinho =)

Porque a dança do ventre também pode ser engraçada, mas no bom sentido.
*

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Homossexualidade e Dança do Ventre

Todo mundo que visitar este blog e tiver a curiosidade de ler todos os posts, encontrará dentre eles alguns que tendem a esclarecer certos mitos que a dança do ventre tem no imaginário ocidental, assim como tentar contar como era a dança do ventre nos seus primórdios (naquilo que temos registro) e etc. Dentre estes posts, tenho alguns que falam sobre a presença masculina na dança do ventre e, ao contrário da maioria dos sites/blogs que se dedicam a escrever sobre a dança do ventre, eu não a repreendo. Muito pelo contrário, eu quero ver uma dança bonita!

Com isso tenho recebido muitos comentários surpresos mas ao mesmo tempo outros muito ofensivos. Hoje eu recebi um comentário de uma moça que queria que uma dançarina fosse divulgada no blog, ela já me mandou e-mails e vários comentários criticando arduamente a dança do ventre masculina. Nenhum problema, eu não estou impondo a minha opinião a ninguém, mas hoje ela me ofendeu. Me mandou estudar. A minha vida é estudar a cultura árabe, meu marido tem até ciúme. Eu danço, minha pesquisa da faculdade é sobre sexualidade islâmica na idade média (a época que a dança do ventre masculina bombou no mundo árabe), eu estudo árabe clássico, eu não estou falando besteira para vocês, muito pelo contrário, é a minha primeira preocupação não passar abobrinha. Me dedico a estudar a cultura árabe pela faculdade, por interesse proprio e pelo blog, porque sei da responsabilidade de escrever essas coisas pra tantas pessoas.

QUERO ESCLARECER: a dança do ventre masculina não é bem vista no mundo árabe. A dança do ventre masculina não é reconhecida como modalidade de dança no mundo árabe. Os árabes (vide libaneses, egípcios, turcos, que mais investem no mercado bellydancer) não apóiam abertamente homens dançando como mulheres. EU NUNCA DISSE ISSO! Eu simplesmente disse que a dança do ventre masculina não é novidade, que na idade média ela era comum especialmente no Império Turco Otomano, e que até o final do século XIX, não havia uma distinção sexual que hoje em dia temos entre heterossexuais e homossexuais. Os dançarinos geralmente eram meninos, o que era considerado em algumas regiões como "assexuados", e podiam ter "funções sexuais", mas ao se tornarem homens (após a puberdade) eles não mantinham mais contato sexual com homens. Essa era uma semelhança que os árabes tinham com os gregos, e novamente não em todo o mundo árabe.

ATENÇÃO: Essa é a parte mais importante! Se o dançarino do ventre é gay, não me impoooooooooortaaaaaa!! Eu não estou interessada na vida sexual das pessoas, só que a dança delas me encante! A dança do ventre é atualmente muito universal, ela se molda às regionalidades (vide como os estilos americano, argentino, brasileiro, são tão diferentes), e nunca foi uma expressão exclusiva da cultura islâmica! O que eu contei a vocês foi que a dança do ventre masculina sempre existiu no mundo árabe, e que em alguns lugares ela tinha cunho sexual, e em outros só para entretenimento (como paródias). Eu sei atualmente para alguns árabes é inaceitável ver um homem dançando como uma mulher e a crítica não recai sobre a qualidade de dança do indivíduo, mas sobre a opção sexual do mesmo. Novamente, isso não é do meu interesse.

A dançarina "Baby Sants" faz dança do ventre, é muçulmana, de origem libanesa e acredita que a dança do ventre era um culto "à deusa" (um certo sincretismo aqui, não acham?). Ela queria que eu divulgasse a professora dela, Nastenka, aqui abaixo o vídeo:


No caso da "Baby Sants", entendo que para um árabe é ruim ver pessoas de outros países falando de sua cultura, mas acho que ela não entendeu bem o que eu quis dizer e me mandou estudar. Ela nos diz:

"(...)mas falar de escritoras do mundo egípcio como se isso fosse mudar minha opinião? é o mesmo que tentar tirar o véu de minha cabeça?!
voces vivem aqui, no brasil onde tudo é lindo e maravilhoso...onde homens se beijam na boca e de lingua perante crianças...onde a tv mostra sexo entre homosexuais(malhação e novela da rede globo)onde pedófilos invandem nossas casas na net e depois entram dentro de nossas casas...usando a inocencia de crianças em sala de bate papo, onde até políticos abusam de menores( de 4, 5 e 8 anos) onde padres se calam perante tanta sujeira. podem chamarem do que quiserem mas, querer manter uma tradição e pessoas de fora querer quebrá-las é preconceito, então sou terrivelmente preconceituosa."

Sinceramente, não entendi a relação de homossexualidade, pedofilia, abuso sexual e dança do ventre. Por acaso quando eu digo que acho que alguns dançarinos são melhores que muitas mulheres dançando, não estou à favor de nada disso que você repudia, e que eu repudio também. Não é porque sou brasileira ou que não discrimino homossexuais, que automaticamente estou enquadrada em todo tipo de perversão sexual, e pior ainda, que associo a dança do ventre a isso.

E mais: tradição, em árabe turath, é muito mais do que imaginamos, é o "eterno presente passado" como diz o filósofo Al-Jabri; tradição para um árabe é um passado que nunca se vai, por isso o surgimento dos fundamentalistas que buscam tornar esse passado ideal real, quando na verdade, se formos olhar há uns 500 anos atrás e compararmos com a nossa sociedade ocidental contemporânea, diríamos que os árabes eram "mais liberais" do que hoje em dia. Mas tenhamos cuidado com o anacronismo, o importante é não se iludir: nada permanece imutável, e a dança do ventre não é a mesma desde que "foi criada".

Não mando ninguém me seguir, nem concordar com o que escrevo, mas jogar a minha pesquisa a uma simples picuínha, não concordo. Podem ter certeza, todos que seguem este blog, que busco a mais total seriedade com o que escrevo, é como se eu estivesse escrevendo artigos para meu currículo universitário. Sinceramente não tenho tanta moral para falar de homoerotismo no mundo árabe. Isso eu deixo para meu amigo Bruno Tenório que é especialista, e já vi sua palestra.

Aqui abaixo o Tito, que eu ainda penso que dança melhor que muita mulher por aí, e não me importa nem um pouco se ele for gay!

domingo, 14 de março de 2010

Dançarinos do Ventre: Köçek

Dança do ventre é uma arte feminina... Hein?! Sempre houveram "homens dançarinos do ventre". Mas muitíssimo interessante saber que eles "sobreviveram" ao Império Turco Otomano! Choquei! Eu estudei por um bom tempo sobre sexualidade no Islã, e sabia que essa versão misógina e conservadora dele havia se manifestado fortemente com a invasão dos mongóis no séc. XIII. Após esse período, poucos núcleos se mantiveram "liberais", até finalmente se tornarem inexistentes. As dançarinas do ventre se relegaram à prostituição tão somente, e os homens passaram a adotar a sua postura machista. Mas eis que descobri que nem tudo era preto e branco! Köçek eram os famosos dançarinos do ventre deste império!

O interessante é saber que os "odaliscos" surgiram exatamente por causa da grande barreira entre os sexos que a interpretação da religião impôs. Era proibido ao homem ver uma mulher, que não sua esposa, dançando, logo a mulher foi substituída por um homem com trejeitos femininos! Resolvida a questão! A função do Köçek era entreter as festas dos palácios, fazendo uma dança do ventre tipicamente feminina. Eles precisavam ser jovens e belos, tanto que seu nome significa "jovem", "pequeno".

Para se tornar um dançarino do ventre era necessário uma longa preparação. O menino iniciava seu treinamento por volta dos sete anos, e sua carreira durava enquanto mantivesse sua juventude. Estes dançarinos geralmente se casavam entre os 25 e 30 anos, passando a não mais se apresentar, mas a organizar os grupos de dançarinos. Durante o séc. XVI, foram contabilizados mais de 250 grupos em atividade!

A dança realizada por eles era chamada de köçek oyunu, apresentando elementos árabes, sírios, gregos e curdos. A música que embalava a apresentação seguia um estilo especial denominado köçekce. Vários instrumentos de percussão também apareciam, mas as apresentações poderiam conter também uma atmosfera de encantamento. Além de dançar, os dançarinos também tocavam uma versão primitiva de madeira do snuj, o que hoje chamamos de castanholas. A presença destes dançarinos era sempre requisitada para festas de casamentos, circuncisões, festivais, ou quando os sultões queriam animar o palácio!

A postura destes dançarinos era extremamente provocativa e erótica, sua roupa trazia cores fortes, geralmente vermelho e preto, e tecidos finos. Usavam um colete, uma saia rodada ou uma calça (shalvars) e um lenço amarrado no quadril, além de muitas jóias. Seus movimentos visavam provocar sexualmente, e muitas vezes os dançarinos estavam disponíveis para fins sexuais. Apesar desta incongruência com os valores islâmicos, muitos köçeks foram famosos, chocando ocidentais, ao mesmo tempo que eram a "inspiração" para poetas e músicos do império. Entretanto, em 1856, diante da completa prostituição que tomara esta atividade, o sultão proibiu a sua prática, o que fatalmente a fez desaparecer. Destino semelhante ao que ocorreu com as Ghawaaze no Egito.

Hoje em dia existem dançarinos como foram os köçeks, claro excluindo a parte da sexualização desta atividade. Da mesma forma, a dança do ventre feminina no Ocidente vem angariando o status de arte, enquanto por muito tempo ela esteve aliada à prostituição no Oriente (e é ainda vista assim por lá). Entretanto, o papel do homem na dança do ventre ainda vem muito mais carregado de tabus que o feminino, acredito que pelos valores cristãos ocidentais, que condenam a homossexualidade, e fazem com que homofóbicos como o Dourado do BBB 10 sejam os mocinhos da história. Acho que é legal vermos que todos estamos no mesmo barco, homens e mulheres, que praticamos a dança do ventre e temos uma origem comum no mundo árabe. Afinal, dançando bem, que mal tem?

Bem, aqui abaixo o que sobrou da sensual dança dos köçeks. Digo isso porque acho que nesses dois séculos os dançarinos perderam a sensualidade, a feminilidade, ficou uma coisa mais folclórica, quase uma paródia.



E aqui abaixo o que creio que seria uma apresentação próxima do que eles executavam, pois utiliza o estilo musical - köçekce - que lhes era característico (até a roupinha é a mesma que a deles).

domingo, 22 de novembro de 2009

Homens na Dança do Ventre: Fim dos Tempos?

Geeeente, to passada! Andei lendo na internet as justificativas das pessoas que defendem a dança do ventre como exclusividade feminina, e me senti na obrigação de esclarecer certos equívocos que eram afirmados como a verdade encarnada!

Bem, a história da dança do ventre é mera suposição, está basicamente na mesma linha que a descoberta da agricultura pelo homem, da roda, a domestificação dos animais, nada é certo, tudo é lenda. A teoria mais aceita é que as mulheres no Egito passaram a realizar cultos em adoração à deusa da fertilidade (que não quer dizer necessariamente procriação humana, mas também a agricultura) com uma versão primitiva da dança do ventre, e descobertas pelos romanos, começaram a utilizar essa dança para fins mais eróticos, como entretenimento masculino. Sabendo ou não a verdadeira origem da dança do ventre, fato é que não temos hoje em dia a mesma dança de 5.000 anos atrás, sequer sabemos que movimentos sinuosos do ventre e do tronco eram, e se não foram adicionados após vários encontros culturais, não só pela mão dos romanos, mas de macedônios, babilônicos e por aí vai. Se há inscrições que mostram mulheres dançando, adorando a deusa da fertilidade, nada impede que homens dançassem também fora dos rituais.

Mas não importa fazer conjecturas a respeito disso, afinal o que nos importa mesmo é o elo que a dança do ventre encontrou para chegar até nós: o mundo árabe. Pensamento reducionista: os árabes dominaram o Egito e automaticamente a dança do ventre se incorporou ao mundo árabe... Não!! Novamente foi um encontro cultural. E a dança do ventre se manteve nesse meio com outra finalidade: prostituição. Não torçam o nariz ao ler estas palavras, quem dançava não era a esposa, mas as jawari, as concubinas. Nem toda mulher nascia para ser esposa, aquelas que não tinham a mesma sorte se tornavam concubinas, o que naquela época não era algo necessariamente degradante. Diferentemente das ghawaaze (que também dançavam), as jawari eram mulheres instruídas, elas deveriam entreter seu amante (elas só tinham 1 senhor) não só com a dança, mas com poesia, canto, diálogos filosóficos, e de certa forma, possuíam mais liberdade que as esposas. (Quem quiser saber mais sobre elas, leiam o livro "A sexualidade no Islã" de Abdelwahab Bouhdiba).

Mas onde entram os homens nessa história? Nos haréns, na Era de Ouro do Islã Clássico, não apenas as mulheres dançavam... Os homens também, e da mesma forma. A sua atividade não era com fins sexuais (claro que existiam exceções, vide o poeta árabe gay Abu Nuwas), mas para entretenimento. Um dançarino era tão valorizado quanto uma dançarina, e muitas vezes, nos grupos onde havia certa misoginia e conservadorismo, não havia dançarinas, apenas homens dançando.

A partir do séc. XIII do calendário cristão, começou a haver um certo declínio da produção filosófica no mundo árabe, o conservadorismo se exacerbou, as mulheres começaram a ser relegadas em segundo plano, a ponto de ignorarem sua sexualidade, e os homens... Bem, aos homens foi exigido um modelo machista que resiste até hoje, não só entre os orientais, mas entre os ocidentais também. Dança do ventre passou a ser prática de sharmuta, e homens dançarinos do ventre passaram a ser vistos como pervertidos. A dança regional abarcou o estilo masculino, e se diferenciaram claramente o que era dança masculina e o que era feminina.

Então, por que falar que homem na dança do ventre é uma afronta à arte milenar? Isso já aconteceu em outros tempos, não é novidade do séc. XXI, não é o fim dos tempos! Agora temos uma abertura na cultura que aceita a participação masculina, por que nos revoltamos com isso? Muitas das pessoas vieram me falar que a dança do ventre é uma arte da sensualidade, que um homem se insinuando na dança do ventre no mínimo é algo medonho... Ok, é estranho porque estamos sexualizando a dança do ventre! Que tal olharmos como entretenimento, da mesma forma que nos séc. IX ao XII os homens dançavam para divertir as pessoas, e não para realizar fantasias sexuais? E cá entre nós: uma mulher dançando mal é tão feito quanto um homem dançando mal, e não é o formato do corpo que impede de sair uma boa dança, é a falta de talento. Se eu defender que a dança do ventre só deve ser praticada por quem a sociedade considera "bonito" e "na moda", então fora homens, fora mulheres gordas, fora anãs, fora deficientes, fora, fora! Péssimo, não? Vamos tentar se condescendentes, e não buscar justificativas mirabolantes para impedir uma pessoa de fazer aquilo que a torna feliz!


Olha aí o dançarino egípcio Tito entretendo a plateia num "duelo" com uma mulher:

sábado, 3 de outubro de 2009

Paródias da Dança do Ventre

Nossa, algo que só quem faz parte da dança do ventre mesmo para achar graça! Eu morro de rir com essas paródias, mostro pro meu marido e ele me acha uma boba. Então vou dividir com vocês!

Muitos homens estão se especializando, se assim posso dizer, em fazer uma imitação engraçada das dançarinas do ventre conhecidas. É o caso do Timur e do Alexey Ryaboshapka da Rússia, este último vou colocar o vídeo para vocês verem!

Ah, mas não pensem que só os russos estão fazendo graça e shows parodiando as bailarinas, temos egípcios, como Bassem Faghaly, este não satisfeito em imitar perfeitamente a Dina, imita as celebridades locais também, até a Haifa não escapou!

Bem, vamos ver o Alexey dançando e imitando incrivelmente bem as dançarinas (na ordem):
1. Elena Ramazanova - Paródia dos movimentos extremamente elaborados (isso não quer dizer complexos, mas sabe aquelas"tiradas" das bailarinas? Ela é expert nisso!)
2. Aida Hassan - Essa aqui parece muito com as dançarinas brasileiras! Ri muito com essa imitação, lembrando dos nossos exemplos tupiniquins!
3. Maria Shashkova - A melhor parte é o Taqsim (oh, minhas dívidas!!!). Depois vejam o vídeo dessa dançarina aqui e percebam como a imitação dele foi perfeita!!
4. Dina - Sempre passeando e "evitando" mostrar o já visível!
5. Orit Maftsir - Hava Nagila! Um clássico judaico à la dança do ventre porque Orit é israelense! Ah, ela aparece no final do vídeo!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Henry Netto

Henry Netto provoca polêmica na dança do ventre. O motivo não poderia ser mais óbvio: ele é homem e arrasa! Seu nome é conhecido e comentado por quem ama ou odeia sua contribuição para esta arte, e é por seu talento que ele permanece entre os dançarinos mais prestigiados do Brasil.

Bailarino clássico e de jazz desde os 9 anos, iniciou-se na dança do ventre aos 17 anos. Em 1999, criou sua própria companhia de dança, o grupo Gotham Cia de Dança (posteriormente renomeada como Henry Netto Cia de Dança), e no mesmo ano conquistou o primeiro lugar na modalidade solo livre masculino avançado no maior festival de dança do Brasil em Joinville, angariando bastante sucesso, especialmente entre as mulheres.

No ano seguinte, Henry criou uma grande polêmica ao vencer o primeiro lugar, juntamente com seu grupo, da modalidade danças folclóricas, pois a dança do ventre é uma arte feminina, e para os críticos, o seu representante - legitimado pelo troféu de 1º lugar - não poderia ser um homem. Apesar dos protestos, Henry não perdeu este título, ao contrário: teve sua imagem veiculada em diversas emissoras de TV, se apresentando em programas como da Hebe, Ratinho, Domingão do Faustão, Raul Gil, entre outros. Uma dessas aparições foi na novela "O Clone" em 2002 e pode ser conferida no vídeo abaixo.

Atualmente, Henry dá aulas de dança do ventre em sua Cia em Belo Horizonte, e também ministra workshops e se apresenta em shows por todo o Brasil.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Tabu: A dança do ventre tem ficado exagerada?

O título talvez não diga com clareza o que quero expor, mas o que pretendo comentar é como a dança do ventre tem evoluído de uma arte tradicional e fechada para apresentações performáticas, com passos do jazz, balé e até um quê de Cirque de Soleil para inovar e atrair admiradores... Não que isso seja ruim - tudo na vida evolui, senão o samba continuaria sendo o Lundu - mas o que não vemos hoje em dia por aí, hein?

É difícil juntar todas as novas tendências num só pacote para definí-las, até porque muitas delas não são necessariamente parecidas. Neste meio temos desde a Suheil dançando Pump It! com passos da dança do ventre e hip-hop (o próprio hip-hop com passos da dança do ventre, quem nunca viu os camelos da Beyoncé?) à Saida dando chutes na altura dos holofotes entre um tremido e outro, ou até mesmo os recentes Véus Poi ou então os Véu em Leque, em que as bailarinas estão quase montando um espetáculo, só que nele a dança é menos importante do que o impacto que a apresentação dará à sua audiência.

Não sou contra a inovações, muitas delas eu admiro, adoraria girar com véu duplo como faz a Petite Jamilla, mas muita gente torce o nariz quando vê uma bailarina que incorpora outras tendências ao seu vocabulário de dança e usa músicas ocidentais, como do próprio Black Eyed Peace. Elas provavelmente pensam: "Isso não é dança do ventre", mas será que isso não é dança do ventre mesmo? O que determina essa fronteira?

Eu realmente critico dançarinas que quase dão um "duplo twist carpado" no palco para se destacar e virarem referências, pois na hora de fazerem uma leitura da música que está tocando, saem passeando pelo palco e não dançam quase nada (nesse caso, a Dina que o diga!), o carisma dá o poder pra essas coisas, que posso fazer? Eu começo a pensar que daqui mais uns anos eu vou ver umas dançarinas cuspindo fogo nas apresentações! Eu reparo muito nos movimentos, adoro surpresas na dança (como uma que vi num DVD da Hadara Nur em que ela emenda um cambrê numa jogada pra frente com os cabelos, e depois volta linda e loira), mas não suporto quando vejo que muitas dançarinas se preocupam mais em ter estas "cartas na manga" do que um vocabulário de dança.

Não acredito que a dança do ventre se descaracterize ao utilizar músicas de outros estilos - como vi muito bem desempenhada com um véu ao som de "Dust in the Wind" num concurso e que ganhou o primeiro lugar! -, acho que o poder de tirar da dança do ventre a cara de dança do ventre é da própria bailarina. Gente, se você fez balé, jazz, sapateado, dança indiana, o que seja, na sua vida, ótimo agregar coisas novas, mas não esqueçam de dançar a dança do ventre quando você está lá para a dança do ventre! O mérito de uma bailarina deveria ser sempre a base que ela tem, a forma como ela interpreta a música, sem fugir do seu foco que é esta arte em forma de dança oriunda da cultura árabe.

Aqui abaixo temos o dançarino Timur "debochando" do estilo atual que as dançarinas do ventre utilizam. Reparem bem a forma como ele executa os redondos, como ele "aproveita" para se exibir para a plateia (colocando as mãos para destacar os "seios"), as jogadas de ombro e de cabeça, e principalmente quando ele treme encolhendo a barriga para não mostrar as gordurinhas saltitando (não que ele tenha, mas muitas dançarinas fazem assim!).

domingo, 7 de junho de 2009

Anthar Lacerda

Anthar é um fenômeno no Brasil e no mundo! Dançando e encantando por onde quer que passe, ele começou a se dedicar como bailarino e coreógrafo de danças folclóricas árabes há 15 anos, ao ingressar no grupo árabe Raksat Arabie em Paranaguá, tendo desde então angariado bastante sucesso.

De ascendência libanesa, e natural do Paraná (onde encontramos a colônia árabe mais influente no Brasil), Anthar começou a dançar aos 8 anos de idade, vindo a estudar diversos estilos de dança folclórica no Brasil e no mundo. Dentre seus mestres há grandes nomes, como Yoursery Sharif, Mahamoud Reda, Jillina, Amir Thaleb, Mario Kirlis, Raqia Hassan, Samir Abut, Mestre Dionízio, entre outros.

Anthar é referência em dança árabe no Brasil, tendo já conquistado prêmios por suas performances, como em 2004 o título de Campeão Sulamericano na categoria Solo Árabe Masculino, e em 2003 quando foi convidado para ser um dos mestres no maior festival brasileiro de dança do ventre, o Festival Internacional da Rede Luxor em São Paulo, e recebeu o troféu Luxor por divulgar a cultura árabe no Brasil. Este ano ele ganhou o primeiro lugar no solo masculino no III Encontro Griffe Marilin Mercado Persa em Curitiba.

Atualmente Anthar possui várias atividades! Ele é integrante do quadro de avaliadores do Festival Mercosul na Argentina na categoria de dança árabe, e trabalha em 3 companhias de dança: em parceria com a Cia de Danças Árabes Fabiana Stick e o Grupo Farah em Missiones na Argentina, e com a Kadosh Arte em Curitiba e as Escolas Luxor em São Paulo. Anthar também promove workshops, palestras sobre cultura árabe e shows por todo o Brasil.

domingo, 17 de maio de 2009

Tabu: Homens na Dança do Ventre

Na cultura árabe não só as mulheres tem acesso à dança nas festas, os homens também, existindo diversas modalidades em que ele se insere. Entretanto essa dança é nitidamente masculina, com passos para homens distintos dos das mulheres, e o que estamos tratanto neste tópico não é a dança masculina árabe, mas os homens que se vestem de dançarinas do ventre e executam movimentos femininos.

É bonito? É surpreendente? É repulsivo? Muitas opiniões são formuladas pelos que assistem a um homem fazendo dança do ventre, mas nenhuma delas define realmente o que a sua prática exemplifica. O que nos resta é ser sinceros consigo mesmos: você gosta, assista, aplauda, divulgue; você não gosta, saia, evite, não vá pichar o trabalho alheio, pois o que para você é ridículo, para muitos outros é arte. Respeitar os outros é fazer-se respeitar também.

Indubitavelmente vários homens dançam muitíssimo bem, sendo muito melhores do que as mulheres em técnica e desenvoltura. Existem dançarinos muito famosos, como o Tito (egípcio), o Jamil (turco), e no Brasil, o Henry Netto. De todos eles, eu acho que o Tito é o melhor, pois o Jamil seria a Rachel Brice "versão masculina", muitas ondulações provenientes da Yoga, e o Henry aqui é hors concours, enquanto o Tito é a técnica em pessoa, eu vejo a Luciana Nogueira (uma dançarina revelação no Brasil) nele, com movimentos suaves, marcações perfeitas, giros precisos e principalmente CARISMA! Nós mulheres ficamos envergonhadas ao ver homens tão melhores do que a gente numa arte genuinamente feminina!!

Então pessoas, caso não tenham já contato com esta versão da dança do ventre, pesquisem! A melhor maneira de conhecer um trabalho que à primeira vista pode parecer estranho é buscar conhecê-lo, assim não dará margens à preconceitos e distorções. Isso não quer dizer que você vá amar as apresentações, depende de você, daquilo que você considera bonito, pois ninguém tem que ser igual a todo mundo, muito menos concordar com o que todo mundo concorda. Então antes de tomar qualquer partido, vá olhar estes artistas que estão encantando e chocando plateias do mundo! Bon Voyage!

Aqui fica uma amostra da dança de Tito!

Related Posts with Thumbnails