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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
A Serpente que Dança de Charles Baudelaire
A Serpente que Dança (Le Serpent Qui Danse)
Em teu corpo, lânguida amante,
Me apraz contemplar,
Como um tecido vacilante,
A pele a faiscar.
Em tua fluida cabeleira
De ácidos perfumes,
Onde olorosa e aventureira
De azulados gumes,
Como um navio que amanhece
Mal desponta o vento,
Minha alma em sonho se oferece
Rumo ao firmamento
Teus olhos que jamais traduzem
Rancor ou doçura,
São jóias frias onde luzem
O ouro e a gema impura.
Ao ver-te a cadência indolente,
Bela de exaustão,
Dir-se-á que dança uma serpente
No alto de um bastão.
Ébria de preguiça infinita,
A fronte de infanta
Se inclina vagarosa e imita
A de uma elefanta.
E teu corpo pende e se aguça
Como escuna esguia,
Que às praias toca e se debruça
Sobre a espuma fria.
Qual uma inflada vaga oriunda
Dos gelos frementes,
Quando a água em tua boca inunda
A arcada dos dentes
Bebo de um vinho que me infunde
Amargura e calma,
Um líquido céu que se difunde
Astros em minha alma!
(Charles Baudelaire, tradução de Ivan Junqueira)
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Poesia
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Poesia: Estrela
Esta poesia eu fiz pensando em cada uma de nós que por se destacar muito, também se tornam alvo fácil de tantos.
Saibam que nosso valor é intrínseco às nossas crenças, valores e postura.
E o resto é dançar!
Trilha Sonora da poesia: Omar Faruk Tekbilek
Dance, dance,
Se entregue
Se permita
Dance, dance,
Se afague,
Se sinta
Não se lembre
Não se estrague
Não busque ser
Que não você
Pois só criticam
Pois só perseguem
A luz que vem de você
Ah, quem dera que pudessem ter
O brilho que lhes ofusca
Portanto dance, dance
Brilhe, ofusque
Incomode, hipnotize
Os insetos que sempre voam
Tentando buscar o sol
Poderão tentar encobrir
Mas a estrela ainda é você.
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Poesia
quarta-feira, 14 de março de 2012
Poesia: Transcendência
Hoje eu tive uma inspiração e escrevi uma poesia sobre a minha relação com a dança do ventre. Gostaria de compartilhar com vocês! Aproveito deixo a "trilha sonora" do meu momento: Love in Damas da Lina Chamamyan.
Transcendência
Eu danço
e meu corpo transcende
Ele vai para outros ares
Em ritmo, em pares
em cadência latente
Sinto que posso ser mais
que meu corpo transmite
o que meu espírito sente
o que meu âmago traz
Se em algum ponto
meu ânimo cai
em outro reacende
E se torna mais
Se em algum ponto
alguém me desfaz
eu busco o sonho
e meu sonho refaz
quem dera se todos pudessem
dançar e sentir
dançar e saber
quem dera que houvesse
não mais dessaber
que buscassem entender
Mas não importa o redor
pra mim é o que basta
dançar, transcender
Desbravar, reviver

Eu danço
e meu corpo transcende
Ele vai para outros ares
Em ritmo, em pares
em cadência latente
Sinto que posso ser mais
que meu corpo transmite
o que meu espírito sente
o que meu âmago traz
Se em algum ponto
meu ânimo cai
em outro reacende
E se torna mais
Se em algum ponto
alguém me desfaz
eu busco o sonho
e meu sonho refaz
quem dera se todos pudessem
dançar e sentir
dançar e saber
quem dera que houvesse
não mais dessaber
que buscassem entender
Mas não importa o redor
pra mim é o que basta
dançar, transcender
Desbravar, reviver

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Poesia
quarta-feira, 19 de maio de 2010
O amor no Islã (E onde entra a dança do ventre...)
Ibn Hazm é conhecido por uma obra muito importante, "O Colar da Pomba", que trata do amor romântico. O que seria isso? O amor de se apaixonar, da "dor de cotovelo", do suspirar, do ansiar, da dor, o "amor de Camões", "Amor é fogo que arde sem ver, é ferida que não se sente", por aí! Sim, mas Ibn Hazm é anterior a Camões, ele escreve sobre esse amor no séc. XI, quando os ocidentais ainda ensaiavam um amor cortês (que é esse amor apaixonado), alguns estudiosos chegam a afirmar que esse tipo de literatura surgiu pela influência das obras islâmicas no mundo ocidental, sem querer desmerecer as trovas de amor da Alta Idade Média, é claro...
Bem, qual é a ligação com a dança do ventre! Quem eram as amadas dos homens? (Isso quando não eram homens mesmo, mas isso fica pra outra história).
As amadas eram as escravas!! Elas possuíam mais liberdade que as mulheres livres, elas saíam às ruas, andavam sem véu, elas que dançavam também. Claro, não posso dizer que a dança do ventre era praticada em Al-Andalus (terra do Ibn Hazm) como era no Egito, porque no Egito desde que o mundo é mundo, a dança do ventre existe, está além da escrita da história. Mas independente disso, a obra me trouxe a impressão que a dança não estava presente só num local estritamente feminino ou com o viés da prostituição, mas também entre os apaixonados. Aí logo me veio a imagem de uma dançarina linda surgindo entre os convidados e encontrando o olhar de um homem verdadeiramente apaixonado!! Ai que emoção!A escrava poderia se casar com um homem livre e assim se tornar uma "mulher livre",
Mulheres de um lado, homens do outro, eram então as escravas que estabeleciam a ligação com o mundo masculino, que então representavam a beleza e a sedução femininas, que traziam a dança, o canto, a paixão. E vendo pelo lado do amor, que eram valorizadas, ansiadas, desejadas, queridas, estimadas com os melhores sentimentos.
Para quem se interessar, este site tem vários poemas da obra "O Colar da Pomba" em espanhol. O livro é em prosa e em verso, e trata de todas as formas de se apaixonar e suas consequências. Para quem não lê em espanhol, uma breve tradução de um de seus poemas:
Quando estou ao seu lado,
Meus passos são como o prisioneiro
A quem levam ao suplício
Quando vou ao seu encontro, corro como a lua cheia
Quando atravessa os confins do céu
Mas, ao seu lado, ando devagar
Como se movem as altas estrelas que se fixam no céu.
E para quem fala inglês, o poeta Robert Bly declama poemas de Ibn Hazm em "O Colar da Pomba":
Meus passos são como o prisioneiro
A quem levam ao suplício
Quando vou ao seu encontro, corro como a lua cheia
Quando atravessa os confins do céu
Mas, ao seu lado, ando devagar
Como se movem as altas estrelas que se fixam no céu.
E para quem fala inglês, o poeta Robert Bly declama poemas de Ibn Hazm em "O Colar da Pomba":
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Poesia: Prayer to the Divine Mother
A poesia de hoje tem como tema a dança do ventre durante a gravidez, um assunto muito interessante, mas que gera algumas controvérsias. Para quem se interessar, o blog tem um post sobre o tema aqui. A poesia Prayer to the Divine Mother, traduzida do inglês, é de autoria de Mirayah Delamar.
Prayer to the Divine Mother - Oração à Mãe Divina
Mãe Divina,
Mãe Terra!
À sua imagem sou feita,
um recipiente humano
preenchido com o espírito da Vida.
Eu celebro sua infinita Criação:
Me volto e danço em reverência
aos ritmos do Universo,
a musica do Cosmos,
dando forma à sua semente
que em mim vive e cresce
como um filho do Amor.
Oh, Deusa da Beleza e da Graça,
Rainha da Paz!
É na abundância que você nos dá,
que poderia ser homenageada,
que não poderíamos evocar nossa
própria destruição,
mas espalhar sua Glória
por toda a terra.
Mãe, sou sua filha,
de seu puro espírito sou nutrida.
Com você em meu coração e em minha mente, posso
criar.
A você eu me rendo,
A você eu me rendo,
na dança,
da Vida,
do Nascimento,
e Renascimento.
Mirayah Delamar
Versão original em inglês:
Prayer to the Divine Mother
Divine Mother,
Earth Mother!
In your image I am made,
a human vessel
filled with Life spirit.
I celebrate your infinite Creation:
I turn and dance in reverence
to the rhythms of the Universe,
music of the Cosmos,
giving form to your seed
that in me lives and grows
into a child of Love.
Oh Goddess of Beauty and Grace,
Queen of Peace!
In the abundance that you give may you be honored,
that we may not call forth our own destruction,
but spread your Glory
far and wide upon the earth.
Mother, I am your daughter,
of your pure spirit I am nourished.
With you in heart and mind, I create.
To you I surrender,
To you I surrender,
in the dance...
of Life,
Birth,
and Rebirth.
By Mirayah Delamar
Poema do site Visionary Dance
Mãe Divina,
Mãe Terra!
À sua imagem sou feita,
um recipiente humano
preenchido com o espírito da Vida.
Eu celebro sua infinita Criação:
Me volto e danço em reverência
aos ritmos do Universo,
a musica do Cosmos,
dando forma à sua semente
que em mim vive e cresce
como um filho do Amor.
Oh, Deusa da Beleza e da Graça,
Rainha da Paz!
É na abundância que você nos dá,
que poderia ser homenageada,
que não poderíamos evocar nossa
própria destruição,
mas espalhar sua Glória
por toda a terra.
Mãe, sou sua filha,
de seu puro espírito sou nutrida.
Com você em meu coração e em minha mente, posso
criar.
A você eu me rendo,
A você eu me rendo,
na dança,
da Vida,
do Nascimento,
e Renascimento.
Mirayah Delamar
Versão original em inglês:
Prayer to the Divine Mother
Divine Mother,
Earth Mother!
In your image I am made,
a human vessel
filled with Life spirit.
I celebrate your infinite Creation:
I turn and dance in reverence
to the rhythms of the Universe,
music of the Cosmos,
giving form to your seed
that in me lives and grows
into a child of Love.
Oh Goddess of Beauty and Grace,
Queen of Peace!
In the abundance that you give may you be honored,
that we may not call forth our own destruction,
but spread your Glory
far and wide upon the earth.
Mother, I am your daughter,
of your pure spirit I am nourished.
With you in heart and mind, I create.
To you I surrender,
To you I surrender,
in the dance...
of Life,
Birth,
and Rebirth.
By Mirayah Delamar
Poema do site Visionary Dance
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